          Tnia Gonzales




Edward Cullen no existe!
   Prncipes existem!

       um romance gospel



             1 edio




            So Paulo
          Edio do autor
               2009
       Gonzales, Tnia, 1971 -
          Edward Cullen no existe! Prncipes existem! -Um
       romance gospel/ Tnia Gonzales  So Paulo, 2009.
           ISBN 978-85-910249-1-9
           1.Literatura Brasileira
                                                       CDD-B869




               Copyright  2009 Tnia Gonzales
         contato com a autora: gonzalestania.gonzales@gmail.com
                   http://romancegospel.blogspot.com


 proibida a reproduo total ou parcial desta obra, por qualquer meio, sem a
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            Obra protegida pela Lei de Direito Autoral n 9610/98.

Citaes bblicas : Edio Revista e Atualizada- Almeida- Sociedade Bblica do
                                     Brasil.
               Sumrio


                    Prlogo  9
                1- Mudanas  12
               2- Olhos azuis  22
                3- No limite  35
        4- A segunda chance  43
                5- Tentao  55
            6- Culto especial  63
                  7- Retiro  72
                 8- Palestra  87
          9- Beijo e decepo  104
               10- Fugindo  117
         11- Esclarecimentos  132
               12- Namoro  152
              13- Ibirapuera  166
14- Preparativos para Pscoa e acidente  177
              15- Desnimo  195
            16- Rompimento  205
                17- O.R.A.D  216
              18- Surpresas  226
         19- Visitas especiais  238
                  Eplogo  248
 Agradeo: a Jesus, porque sem Ele nada posso fazer;
  meu esposo, Jonas, por acreditar desde o primeiro
momento; minha filha, Juliana, por me dar o privilgio
de ser chamada de me e finalmente, a Emlia, por ser
                     minha me.
Dedico este livro a voc que deseja encontrar algum
        especial e ser especial para algum.
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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!



"Chorar  diminuir a profundidade da dor." Autor desconhecido

Prlogo

Pastor Paulo estava com a Bblia aberta em Romanos
8.38,39; respirou fundo e comeou:" Porque eu estou bem
certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem
os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir,
nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem
qualquer outra criatura poder separar-nos do amor de Deus,
que est em Cristo Jesus, nosso Senhor." Por alguns segundos
ele ficou em silncio assim como todos os que estavam
presentes. Era um momento muito difcil, estava diante do
caixo de sua cunhada Snia, esposa de seu amado irmo
Roberto. Ainda no dava para acreditar no que havia
acontecido, um motorista bbado bateu violentamente no
carro de Snia e ela no teve a menor chance. O irmo
mudou-se para Santa F do Sul com o objetivo de ajudar
Carlos, o irmo mais novo, no pequeno restaurante que ele
havia adquirido; Roberto era chefe de cozinha e Snia, que
era professora, concordou com a mudana; viveu em So
Paulo desde o nascimento, ento resolveu aproveitar a
oportunidade para morar em uma cidade do interior. Assim
passaram-se 4 anos e tudo estava caminhando muito bem,
Snia lecionava em uma escola da prefeitura, Roberto
trabalhava com Carlos. Os gmeos, Ana e Felipe, seus filhos,
agora com 13 anos, tambm gostavam muito da cidade e


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                         Tnia Gonzales


todos eles congregavam na pequena igreja pastoreada por
Paulo. Tudo estava indo muito bem at ... o trgico
acidente- pensou Paulo, para em seguida continuar as suas
palavras.
_Amados irmos, o apstolo Paulo escreveu que ele estava
certo de que nem a morte tem o poder de nos separar do amor
de Deus. Ela nos separa de nossos entes queridos, sim, e isto 
muito doloroso, mas de Deus, no! A morte  o ltimo
inimigo a ser vencido, segundo palavras do mesmo apstolo,
mas ela no pode nos separar do amor de Deus. A nossa
amada irm em Cristo, Snia, agora pertence ao pai; Ele nos
permitiu, nos deu a honra de convivermos com ela por alguns
anos e ns agradecemos a Deus por esta pessoa maravilhosa,
esposa e me dedicada, muito amada pelos seus. A dor da
separao  imensa, e Deus compreende o nosso sofrimento.
Deus sabe que muitas lgrimas ainda sero derramadas e que
a saudade vai nos trazer um aperto no peito que vai parecer
insuportvel, mas Ele sempre estar conosco. Vamos fazer
uma orao e pedir ao nosso Deus, consolo, especialmente
para o esposo, Roberto e seus filhos , Ana e Felipe. Oremos...
Depois da orao, Roberto e os filhos se aproximaram do
caixo para dar adeus  pessoa que eles tanto amavam. Ana
olhava para o corpo da me, como doa ver quem ela mais
amava neste mundo, ali inerte; Ana no podia acreditar que
no mais ouviria a sua voz, que no poderia mais abra-la; as
lgrimas inundaram seu rosto.
Como era difcil para todos os que estavam presentes, ver o
sofrimento dos trs. Depois de alguns minutos, o caixo foi


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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


fechado, o momento do sepultamento havia chegado. Isabel, a
irm de Snia, que morava em So Paulo, veio com o
marido, Rubens e as filhas Sabrina e Carol. Trouxe tambm a
me, Teresa, que j estava com 72 anos, para se despedir da
amada filha. A ltima vez que estiveram juntos foi no
aniversrio de 70 anos de Teresa, que eles comemoraram ali
em Santa F. Agora a famlia havia se reunido novamente,
mas no era um momento festivo, era um momento de muita
dor, que a presena dos entes queridos ajudava amenizar.




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                        Tnia Gonzales



" Seja o que for o que voc faa, comece com Deus."
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Captulo 1 -Mudanas

Ela estava ansiosa demais para conseguir dormir, o dia
seguinte seria de grandes mudanas; voltariam para So Paulo
depois de 8 anos vivendo em Santa F do Sul. Ana no queria,
mas no tinha escolha, o pai havia recebido uma proposta de
emprego e resolveu aceitar. Ana no demonstrou a seu pai o
quanto aquela mudana a estava preocupando, pois deseja
que ele seja feliz novamente. Quem sabe com o novo
emprego se sentir melhor, pois ser um novo desafio.
Roberto  chefe de cozinha e trabalhava no restaurante de seu
irmo Carlos, mas era um lugar pequeno, estava ali s para
ajudar o "maninho", era assim que ele chamava o irmo mais
novo; em So Paulo ele iria trabalhar em um grande
restaurante que pertencia a Miguel, um amigo dos tempos
de faculdade. Ana percebeu o quanto o pai estava animado e
at fazendo planos, h um bom tempo que no o via assim,
desde que aconteceu aquele terrvel acidente... esta mudana,
pensava Ana, poderia amenizar um pouco a dor que ainda
era muito grande, a dor da separao de algum que eles
amavam muito e que infelizmente no participaria da nova
vida deles. H quatro anos, em uma manh chuvosa, a me de
Ana perdeu a vida em um grave acidente; depois de viver
tantos anos em uma cidade agitada como So Paulo, ela foi


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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


morrer em um acidente estpido, aos 35 anos de idade. Snia
deixou um marido maravilhoso e os gmeos: Ana e Felipe, os
trs grandes amores de sua vida. A dor da perda era terrvel,
eles no conseguiam acreditar que algum to prximo, to
amado, no estava mais entre eles. Os primeiros momentos,
os primeiros dias... como  difcil! S quem j perdeu algum
querido sabe que, primeiro vem uma dor enorme, depois
com o passar do tempo a saudade aperta e o que permanecem
so as lembranas...
Ana e o irmo tinham 13 anos quando ficaram sem a amada
me e o pai se dedicou muito para ajud-los a superar to
grande perda. Tambm contaram com o apoio e carinho dos
parentes e dos amados irmos da igreja que eles
frequentavam. A f que a famlia tinha em Deus os fortaleceu;
assim passaram-se 4 anos e Ana estava pensando o quanto sua
vida iria mudar a partir do dia seguinte: cidade, casa, igreja,
escola, amigos, tudo novo. Como era difcil no ter sua me
para conversar, para dizer o quanto toda aquela mudana a
estava preocupando. Despedir-se dos irmos da igreja foi
muito triste; era uma igreja pequena com cerca de 80
membros, o tio de Ana, Paulo, o irmo mais velho de seu
pai, era o pastor. Como a vida  engraada, pensava Ana,
quando eles mudaram para l, ela tinha 9 anos e no
gostou de precisar deixar So Paulo, chorou muito, no
queria se afastar dos amiguinhos da escola, da igreja, e
principalmente, no queria ficar longe de sua prima Carol,
que era um ano mais nova que ela; agora estava triste por sair
dali. Com certeza iria sentir muita falta de sua amiga da


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                          Tnia Gonzales


igreja, Ktia; eram da mesma idade, estudavam na mesma
classe, faziam tudo juntas. Felipe tambm no estava
animado com a grande mudana, ele e os primos, Cludio e
Henrique, filhos do tio Paulo e da tia Neusa , eram como
irmos e tambm Ana no podia esquecer de mais um motivo
de grande tristeza para o irmo, Larissa, sua "quase"
namorada. Justo agora que eles estavam conversando
bastante, que foram ao cinema sozinhos, isto no estava
certo, pensava Felipe, foi to difcil chegar perto dela e agora
iriam ficar to longe...
Um consolo para Ana era o fato da mudana ser no final do
ms de janeiro, assim ela e o irmo comeariam juntos com
os outros alunos, fariam o ltimo ano do ensino mdio; iriam
morar prximos de sua prima Carol, o que seria timo,
tambm da v Tel (era assim que chamavam Tereza desde
quando eram bebs) e dos tios Rubens e Isabel. Havia
tambm a prima Sabrina, mas ela e Ana no tinham muito
contato. Morariam no bairro do Tatuap.
Depois de mais alguns minutos pensando, Ana conseguiu
adormecer...

Eram seis horas da manh quando Roberto chamou os filhos;
como foi difcil para Ana acordar, havia demorado muito para
pegar no sono, mas no dava para ficar "enrolando", o dia
seria bem agitado. Tomaram o caf pela ltima vez naquela
casa que guardava doces lembranas. O pai resolveu no
vender a casa, achou melhor alug-la, e alugou uma em So
Paulo, melhor assim, pensou, e se algo no desse certo por


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              Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


l?
_Tudo pronto? - perguntou Roberto aos filhos.
_Tudo, fazer o qu, n? - Felipe respondeu meio sem vontade.
_Vamos l, meu irmozinho querido! - falou Ana, tentando
demonstrar alegria.
 A mudana j havia seguido dois dias antes, os tios em So
Paulo se encarregaram de receb-la. Eles estavam felizes com
o retorno, tia Isabel principalmente, ela queria ficar perto dos
filhos da irm amada.
Os parentes j estavam todos prontos para a despedida, foi um
momento muito difcil, no tinha um que conseguia segurar
as lgrimas, a no ser Felipe, que no se permitia chorar,
sempre dizia que no era normal homem ficar
choramingando. Ana deu um abrao bem apertado em sua
amiga Ktia e ambas prometeram conversar todos os dias pela
internet.
Saram da querida Santa F do Sul s 8h; dirigindo o seu
carro, Roberto no conseguia deixar de pensar que 8 anos
atrs sua amada esposa estava ao seu lado, agora era o filho
que ocupava o seu lugar, que saudade... lgrimas rolavam
lentamente e ele tratou de enxug-las, no queria que os filhos
percebessem sua dor.
Pararam para almoar e descansar alguns minutos antes do
meio-dia. Depois de quase duas horas, recomearam a
viagem, se tudo corresse bem chegariam antes das oito horas
da noite. Ana comeou a pensar em sua amiga Ktia, com
certeza sentiria muitas saudades, elas sempre estavam juntas,
eram grandes amigas, daquelas que contavam tudo uma para


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                        Tnia Gonzales


outra. Ana sentia pena do irmo que agora ficaria longe de
Larissa, justo agora, reclamava Felipe, que eles estavam
comeando a se entender. Pelo menos, pensava Ana, no estou
gostando de ningum no momento, melhor assim. Nunca
havia namorado, s se interessado por dois garotos em toda
sua "longa" vida e um detalhe importante: ainda nem sequer
havia trocado um simples "selinho"; ela era uma garota bem
extrovertida, mas quando o assunto era amor, tudo mudava,
tinha problemas para lidar com isso. Mas, Ana sonhava
encontrar algum especial...
Eram 17h quando Roberto resolveu parar para tomarem um
caf e usarem o sanitrio.
_E a, maninha, animada ? - perguntou Felipe.
_S um pouquinho, e voc est pensando muito na Larissa?
_Nem me fale!!! D licena, que vida mais injusta, n? Ns
combinamos de conversar todos os dias pela net, mas...
_J  alguma coisa!
_Esto prontos para ir crianas?- perguntou Roberto.
_Pai, crianas? Pare com isso! - reclamou Felipe.
_Ento, vamos... meus queridos filhos.
_Pai - comeou Ana- est ansioso com o novo emprego?
_Muito ansioso, minha Aninha. Mas eu acho que o Miguel
est ainda mais ansioso do que eu, j me enviou uns 6
torpedos.
_Ele tem toda razo de no ver a hora de voc chegar, papai.
Quem no quer ter um profissional como voc?
_Voc  suspeita para falar... Felipe? Ei, est dormindo?
_No, s estou pensando...


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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


_Ela no vai esquecer de voc, meu filho! Um garoto
bonito como voc no se encontra...
_Para com isso pai e ela quem? No estou pensando em
ningum, s na nova casa ...
_Me engana que eu gosto.
Miguel era um grande amigo de Roberto, os dois fizeram a
faculdade de gastronomia juntos e Miguel, depois de alguns
anos, abriu um restaurante italiano na Consolao, o negcio
ia muito bem e agora ele queria que o amigo fosse o chefe de
cozinha, posio at ento ocupada por Miguel que no estava
dando conta em administrar o restaurante e ser tambm o
chefe. Roberto resolveu aceitar com uma nica condio: ter
folga pelo menos 2 domingos por ms, pois queria ficar com
os filhos e tambm participar da escola bblica, e quem sabe
um dia voltar at a dar aulas. Em Santa F ele quase no
podia ir pois era raro o domingo que no trabalhava, mas
quando morava em So Paulo Roberto dava aulas na igreja
onde congregava. Ele conheceu Snia justamente em um
curso de Teologia, tinham 17 anos, comearam a namorar 6
meses depois e casaram 2 anos aps o incio do namoro. Os
gmeos nasceram quando eles iam completar dois anos de
casados.
_Pai , falta muito para chegarmos? - perguntou Felipe abrindo
a boca de sono.
_Estamos quase chegando, mais uns 40 minutos e estaremos
em nossa nova casa, vocs vo gostar,  uma boa casa, viu? 
claro que no tem o quintal grande e espaoso de Santa F...
mas tambm no ser por muito tempo, se tudo der certo


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                        Tnia Gonzales


compraremos uma, ok?
_Ok!- respondeu Felipe com pouca animao.
Ana olhou para o celular, faltavam 10 minutos para as sete
horas; o incio da noite estava com uma temperatura
agradvel, era o ltimo sbado do ms de janeiro.
_Ana  disse Roberto  ligue para o tio Rubens diga que
chegaremos em meia hora.
Depois de 35 minutos Roberto estacionou em frente a uma
casa azul com porto de alumnio. Ana avistou a prima
Carol, toda sorridente, acenando. Tambm estavam l: Tio
Rubens, tia Isabel, a v Tel e Sabrina, a irm de Carol que
tinha 20 anos.
_Bem-vindos ! disse Rubens com um grande sorriso.
Depois de muitos abraos e beijos, entraram na nova casa. Era
um sobrado com garagem para dois carros, na parte de baixo
tinha uma sala pequena, uma cozinha bem espaosa e um
banheiro; em cima eram 2 quartos , um banheiro, uma rea
para pendurar as roupas e uma pequena lavanderia.
_Bom, agora que tal irmos para casa? Preparei o jantar para
vocs- disse Isabel.
_Isabel, cunhadinha querida, estamos dando tanto trabalho! -
disse Roberto.
_Pare com isso, no percebeu o quanto estamos felizes em t-
los aqui conosco? - respondeu Isabel e Rubens tratou logo de
acrescentar:
_Se vocs quiserem podem tomar um banho antes... mas 
claro que l em casa, n?Aqui est um pouco complicado...
at se ajeitarem vai demorar um pouquinho e tambm vo


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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


dormir l conosco, nem pense em recusar, viu amigo?
Roberto no tinha como questionar, Rubens estava certssimo.
A casa de Rubens ficava do outro lado da rua quase que de
frente para a deles, era uma bela casa trrea, bem espaosa,
sala ampla, copa e cozinha, 4 quartos e um quintal nos fundos
com uma churrasqueira bem convidativa, era um lugar bem
agradvel. Depois de algum tempo j estavam todos
preparados para jantar, menos Sabrina que havia sado com
uma amiga.
_Espero que gostem  disse Isabel- cozinhar para um "chef "
no  nada fcil e eu sei que Ana tambm  uma tima
cozinheira apesar da pouca idade.
Ana corou com o elogio da tia, mas ela sabia que Isabel
estava certa, era uma aluna muito atenciosa, aproveitou muito
bem as aulas do pai .
_Eu fiz um pudim de leite, aquele que voc tanto gosta,
Roberto - disse vov Teresa toda orgulhosa.
_Mal posso esperar para provar, vov! - Roberto respondeu
tocando de leve o brao de Teresa, desde o nascimento dos
gmeos era assim que ele a chamava, e tratou logo de dizer
para Isabel:
_ O jantar est delicioso!
_E a, Felipe, voc no me parece muito animado, ser que 
o cansao da viagem? - tio Rubens perguntou ao ver o
sobrinho com um olhar triste.
_Tudo beleza, tio, s "t" cansado!
_No  s isso, Rubens, Felipe j est com saudades de uma
certa pessoa l de Santa F...


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                        Tnia Gonzales


_Pai!
_J entendi! -disse Rubens.
Aps o jantar, Carol levou Ana ao seu quarto para
conversarem melhor.
_Amanh eu vou para escola bblica, voc quer ir comigo? As
aulas da professora Beth so bem legais, minha classe  s de
meninas entre 16 e 18 anos. Mas se voc no quiser ir
amanh pode ser na prxima semana.
_Eu bem que gostaria, mas amanh terei tantas coisas para
arrumar, nem sei por onde comear...
_Eu ajudo depois da escola, no fico para o culto da manh.
_Se meu pai no se importar, eu vou.  aquela mesma igreja?
_No  a mesma, faz 4 anos que estamos nesta, aquela outra
era muito distante, quase uma hora de carro, meu pai achou
melhor mudarmos, esta  bem mais perto;  uma tima igreja
e bem maior que a outra, tem uns 1000 membros. Tem muitos
adolescentes e jovens ...
_Ser que papai vai querer ir para uma igreja grande? Voc
sabe que ns estvamos na igreja do tio Paulo, tinha no
mximo uns 80 membros, mas eu gostava de l, sabia? Eu
vou sentir muita saudade, principalmente da Ktia, lembra
dela? Voc a conheceu quando ... quando foi para o ...
enterro da minha me- Ana disse as ltimas palavras quase
sussurrando.
_ claro que me lembro, prima  Carol passou as mos
levemente nos cabelos de Ana querendo consol-la, pois
percebeu a tristeza no rosto dela ao lembrar da me.



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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


Antes da meia-noite todos estavam prontos para dormir, Ana,
diferente da noite anterior, adormeceu rapidamente, estava
exausta.




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                          Tnia Gonzales



"Amor  primeira vista  possvel; mas  sempre bom limpar os
culos e ter um segundo olhar." Autor desconhecido

Captulo 2- Olhos azuis

_Ana, Anaaa! Voc vai comigo? - perguntou Carol , pois j
estava na hora de levantar para irem  Escola bblica.
_Eu vou - respondeu Ana ainda sonolenta.
Depois de alguns minutos Ana j estava em p, querendo
saber de Carol como que as pessoas se vestiam l na igreja,
no queria ir diferente de todos.
_De manh as meninas vo de jeans mesmo, sem muita
produo.

Roberto tambm havia resolvido participar da escola bblica.
Foi preciso 2 carros para acomod-los, at a vov Tel no
perdia uma aula, participava de uma animada classe da 3
idade.
Quando chegaram, Ana ficou bem admirada, pois a igreja se
localizava em um prdio de trs andares muito bonito.
Muitas pessoas permaneciam na rea livre esperando o
momento de irem para suas classes. Depois de algumas
apresentaes, Carol levou Ana para o 2 andar, queria
apresentar a prima para sua professora, ainda faltavam alguns
minutos para o incio da aula. Ao chegar  porta da classe,
Carol disse baixinho para Ana:
-Aquela loira com a blusa rosa  a professora Beth...


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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


 Antes de visualizar a loira de blusa rosa , Ana viu um par de
olhos azuis fitando-a com interesse, ficou parada , no
conseguiu acompanhar a prima, "quem seria o dono destes
lindos olhos azuis?" pensou            Ana rapidamente. Ela
simplesmente no conseguia dar um passo sequer- " o que
est acontecendo comigo? " - Enfim Carol a puxou e foi logo
dizendo ao dono dos olhos azuis hipnotizadores:
_Oi, Al!
_Oi, Carol! - respondeu Alexandre desviando o olhar de Ana
e cumprimentando Carol com um beijo.
_Esta  a minha prima Ana, ela chegou de mudana ontem,
veio de Santa F do Sul.
_Oi, Ana, seja bem-vinda  nossa igreja  disse Alexandre
com um largo sorriso nos lbios.
Por um momento Ana pensou que no ia conseguir dizer uma
s palavra, mas felizmente se recuperou e respondeu com um
quase inaudvel oi- " o que ele vai pensar de mim ? Com
certeza que eu sou uma menina toda tmida que no consegue
nem falar direito"- pensou Ana com raiva de si mesma.
_Carol, vejo que est toda animada com a chegada de sua
prima, no ? - a voz era da loira de blusa rosa que Ana no
tinha notado ainda pois no conseguia ver outra coisa a no
ser os "olhos azuis".
_Oi, bom dia, prof Beth, esta  a Ana.
_ um prazer conhec-la, Carol no falava em outra coisa
que no fosse em sua chegada; espero que goste daqui, Ana-
disse Beth      cumprimentando Ana com um beijo, que
conseguiu retribuir depois de estar anestesiada por alguns


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                            Tnia Gonzales


segundos. Alexandre estava saindo quando Beth disse:
_Valeu, Al! No sei o que faria sem voc...
_Para com isso, se der mais algum problema pode me
chamar- e assim ele saiu dando uma ltima olhada na bonita
garota de cabelos negros...
_Vamos meninas, est na hora de comearmos  disse a
professora.
Depois de uma breve orao, a prof Beth comeou a
escrever no grande quadro branco, s ento Ana reparou na
agradvel sala de aula que estava lotada com 23 garotas bem
agitadas e todas com caderno e estojo como uma aula deveria
ser. Com Carol e Ana eram 25 alunas na classe de Beth, que
agora estavam olhando para o quadro branco e fazendo
anotaes.
" Mas o fruto do Esprito : amor, alegria, paz,
longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansido,
domnio-prprio..." 1
_Escrevam domnio-prprio bem destacado, ok? - disse Beth
aps escrever os versculos bblicos.
_Quem saberia nos explicar o significado de : domnio-
prprio ?
_Saber se controlar? - arriscou Priscila, uma garota de 18 anos
que sempre gostava de dar as respostas nas aulas de Beth,
invariavelmente era ela quem primeiro se pronunciava.
_Muito bom, Pri! Ter controle sobre os seus sentimentos,
suas aes, aprender a no agir s por impulsos. Muitas

1 Glatas 5.22, 23 - grifo da autora.

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               Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


pessoas se deixam dominar pelos sentimentos e depois
passam anos se arrependendo do que fizeram.
Depois da explicao, Beth voltou a escrever no quadro,
agora com letras garrafais:
EDWARD CULLEN2 NO EXISTE!
Neste momento houve uma agitao na sala de aula. Todas
falavam ao mesmo tempo...
_Meninas, acalmem-se, uma de cada vez, certo?
_Prof Beth  comeou Priscila- Vamos falar sobre Edward
Cullen? O que tem a ver o versculo de Glatas com este
gato?
E todas as meninas recomearam a falar... Antes de responder,
Beth ligou o computador que ficava em sua mesa e colocou o
trailer do filme "Crepsculo"3- agora as meninas suspiravam
e falavam mais animadas ainda...
_Tudo bem meninas, agora faam um pouco de silncio.
Quem ainda no assistiu ao filme "Crepsculo"?
Ningum levantou a mo.
_E quantas no leram o livro?
Beth viu cinco braos se esticarem.
_Acho melhor eu no perguntar quem leu a Bblia pelo menos
uma vez esta semana, no ? No precisam se manifestar...
meninas, a Priscila quer saber e acho que no s ela, mas
todas vocs, o que Edward Cullen tem a ver com nossa aula, e

2 Personagem do livro " Crepsculo", que  um vampiro- Autora
  Stephenie Meyer.
3 O filme " Crepsculo"  baseado no livro homnimo de Stephenie
  Meyer.

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                          Tnia Gonzales


eu vou explicar, mas primeiro vou tirar estas imagens pois
seno eu fico em sria desvantagem- dizendo isto Beth sorriu
e desligou o computador.
_O que vocs acham de Edward Cullen?
As meninas comearam a responder: Lindo, o mximo,
irresistvel, gato, um sonho, um cavalheiro, "mara"
(maravilhoso), um prncipe, o homem perfeito            e outros
tantos elogios.
_Certo- disse Beth- Eu sei que vocs gostaram do filme, que
acham a histria maravilhosa;  um romance impossvel e
por isso mesmo mexe tanto com a imaginao de vocs. Eu
assisti tambm e li os dois primeiros livros para poder
conversar com vocs com mais propriedade, e confesso que 
uma histria que prende a ateno, mas cuidado para no
exagerar na importncia disso, entendem? Coisas do tipo : Eu
no vivo sem ele,- dizendo isso Beth apontou para a frase do
quadro-  s um livro,  claro que Edward Cullen em pessoa
no existe, foi criado pela escritora e  interessante que lendo
at parece que o conhecemos e  justamente por isso que ler 
to fascinante. Eu comecei a aula falando sobre domnio-
prprio e diante de um "gato" destes  difcil ter controle, no
? Afinal, como vocs mesmas dizem ele  "mara"! Mas, eu
peo que vocs no exagerem, no d a isto mais importncia
do que deveriam, est bem? Outro dia eu estava navegando
pela net e encontrei cada coisa! Garotas dizendo que dariam o
pescoo para o Edward morder, que so loucas por ele e que
fariam qualquer coisa para v-lo... Meninas, cuidado com o
exagero, eu sei que vocs gostariam que existisse algum


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               Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


como o Edward Cullen, e um dos motivos  o fato dele ser
completamente apaixonado por Bella4 e por isso mesmo,
totalmente dedicado  ela. Eu entendo, mas peo novamente
que tomem cuidado, pois h meninas que quando se
apaixonam se esquecem de tudo, como se nada mais
importasse a no ser viver aquela paixo. Sabe aquele cara
que voc acha irresistvel, que se ele desse bola voc no
pensaria duas vezes? Voc no v Bella dizendo: "Eu no
posso ficar com ele, afinal ele  um vampiro, tenho que me
afastar dele, preciso resistir, ele  perigoso"; a reao natural
seria esta, mas ela o quer mais do que tudo e o sentimento 
recproco.
E vocs ficam fascinadas com o enredo, acham tudo muito
romntico, mas se vocs encontrassem com o Edward bem no
momento da refeio dele, com certeza no iriam achar nada
romntico, pois vocs sabem muito bem que ele se alimenta
de sangue animal, s para no ferir um ser humano, pois a
filosofia de vida da famlia dele  no machucar os humanos.
Mas, pensem bem, d para imaginar a cena?
_Ai, professora, que horror! - disse Priscila- Acho que nem
vou almoar hoje!
_Seria uma cena bem desagradvel. Ser que alguma de vocs
gostaria de ser beijada por ele depois dele ter feito um
"lanchinho"? - perguntou Beth.
_Professora, d um tempo! No  s pelo tipo da dieta dele,
quem  que gostaria de beijar um menino que acabou de
comer um hambrguer, por exemplo?- questionou Slvia, que
4 Uma garota de 17 anos que se apaixona por Edward.

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                         Tnia Gonzales


simplesmente devorava livros de romance.
_Tudo bem, mas eu no quero que vocs acabem por achar
natural o fato de Edward se alimentar de sangue, pois no .
Existem grupos que se identificam com vampiros, eu no
quero alarmar vocs, mas h os que at se alimentam de
sangue,  o chamado " vampirismo real"; se vocs fizerem
uma rpida pesquisa na net vo comprovar o que eu disse.
Os vampiros que conhecemos pelos livros e filmes so figuras
mitolgicas, vocs sabem que so histrias fantasiosas, mas
sempre existem aqueles que querem trazer isso para a vida
real e  muito perigoso. H pessoas que entram pelo mundo
da fantasia, da fico e depois no conseguem mais separar o
real do imaginrio.  necessrio fazer a distino entre o bem
e o mal, entre a verdade e a mentira, pois hoje h uma
distoro de valores, h os que dizem que o mal no 
completamente mal e o bem no  completamente bem... tudo
 relativo; mas para ns cristos existem verdades eternas,
absolutas e  na Bblia que as encontramos. No permitam
que enganem vocs.
As alunas no tiravam os olhos da professora, estavam
totalmente atentas s palavras de Beth.
_Eu sei que o que realmente chama a ateno de vocs  o
romantismo e sei tambm que so muitas as tentaes, acho
que vocs dificilmente vo encontrar vampiros por a, mas
l fora existem muito perigos, como por exemplo aquele
garoto que faz o seu corao bater rapidamente e se ele der
uma chance voc simplesmente se derrete e esquece tudo o
mais, pouco ou nada importando se ele compartilha da


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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


mesma f que voc ou se ele tem bom carter; pois s vezes a
atrao fsica  to forte que a cabea no pensa direito, voc
se sente to atrada que se esquece de agir com a razo; que
pena- disse Beth olhando para o relgio- nosso tempo j
acabou, gostaria que esta semana vocs lembrassem de
filmes com histrias de amores impossveis, vamos citar
alguns na prxima aula. Ana, espero que tenha gostado e volte
no prximo domingo. - Ana agradeceu com um sorriso.
Faltavam poucos minutos para comear o culto, quando Ana e
Carol se encontraram com os outros no templo.
_Ns vamos ficar para participar do culto, meninas- avisou
Roberto- depois do almoo comearemos a organizar as
coisas em casa, certo?
  Em seguida foram se encontrar com Isabel que havia
guardado lugar para todos bem prximo ao plpito. Assim que
se acomodaram, um homem alto vestido com um bonito terno
grafite modelo italiano, se aproximou.
_Meus queridos, que prazer em t-los aqui.
_Roberto, este  o pastor Jair  apresentou tio Rubens.
_Pastor Jair, eu estava mesmo muito ansioso para conhec-lo,
a igreja  linda e gostei muito da aula do irmo Arthur- depois
Rubens apresentou Ana e Felipe.
O Pastor perguntou algumas coisas sobre Santa F do Sul e
depois foi se afastando dizendo:
_Espero que fiquem aqui conosco e se precisarem de alguma
coisa  s me procurar. Com licena j est na hora de iniciar
o culto.
 Ana deu uma boa olhada no amplo templo com esperana de


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                          Tnia Gonzales


rever o dono dos olhos azuis, mas ela sabia que seria difcil no
meio de todas aquelas pessoas, mas, de repente ela viu o rapaz
entregando uma folha ao pastor que j estava se posicionando
para dar incio ao culto. Ana estava pensando o quanto era
boba, tinha acabado de conhec-lo e estava procurando por
ele, que absurdo. Alexandre era um rapaz muito atraente, de
cabelos castanhos claros, curtos e lisos, 1.80m de altura e
possua um lindo par de olhos azuis, herana de seu av
materno, que se destacava, alm de ser um muito simptico e
prestativo.
O culto comeou com o pastor Jair convidando todos para
uma orao e em seguida um quarteto de senhores da 3 idade
comeou a cantar um belo hino. Carol havia dito a Ana que o
culto da manh era voltado para este grupo pois muitos no
vinham aos cultos no perodo noturno. Ana gostou muito de
ouv-los, dava uma grande paz, como era bom poder sentir a
presena de Deus. Depois de mais uns 2 hinos, pastor Jair
abriu sua Bblia e leu Salmos 118.8 :
-" melhor buscar refgio no Senhor do que confiar no
homem, melhor  buscar refgio no Senhor do que confiar
nos prncipes."
Falou durante 40 minutos sobre a importncia de buscar a
Deus e de no depositar nossas esperanas nas coisas
passageiras deste mundo, que o principal  saber que Deus  o
nosso refgio e devemos confiar somente Nele.
Foi um culto maravilhoso, principalmente para Roberto que
estava precisando daquela palavra, para ele fora como um
blsamo tratando de suas feridas.


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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!



O almoo na casa dos tios foi bastante animado, como era
bom estar prximo de pessoas to amadas. Vov Teresa era a
mais animada de todos, no se sentia assim desde a perda de
sua amada filha, ela estava muito feliz com a presena dos
netos e de Roberto que ela tanto admirava.
-Agora no temos mais desculpas, no d para adiar a
arrumao. - disse Roberto logo aps o almoo, depois foram
todos para nova casa, menos Sabrina que foi para casa de
uma amiga.
A noite chegou rapidamente e eles nem perceberam pois
tinham muitas coisas para fazer. No puderam ir ao culto,
mas com certeza iriam no prximo domingo. Depois do
jantar, Ana conseguiu falar com sua amiga Ktia pela net, j
estava com saudades. Dormiram mais uma noite na casa de
Rubens, a nova casa ainda no estava habitvel.

A semana comeou e com ela muito trabalho, Roberto s iria
comear no restaurante na prxima semana e por isso eles
aproveitaram os dias para deixar tudo em ordem. Ana
conversava todos os dias com Ktia pela internet, ela ia na
casa dos tios pois ainda no tinham linha telefnica e
conexo com a internet, mas j haviam feito o pedido 
companhia telefnica. Ana sempre contava tudo para sua
amiga, mas desta vez no foi assim, ela achou melhor no
falar nada sobre os "olhos azuis", tambm, pensava Ana, "o
que ela tinha para falar?"
 Finalmente o sbado chegou e Ana estava muito animada s


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                         Tnia Gonzales


pensando que no dia seguinte ela iria  igreja, estava ansiosa
pela aula da prof Beth e tambm queria rever o dono dos
lindos olhos azuis. Era quase uma hora da tarde, ela havia
combinado ir em uma perfumaria com Carol. Ana j estava
abrindo o porto da casa da prima quando um carro vermelho
estacionou, ela reconheceu o motorista rapidamente, era o
dono dos lindos olhos azuis, seu corao disparou, em
seguida viu Sabrina descer dizendo:
_Valeu, Al! Voc no quer entrar um pouquinho?
_No Sabrina , preciso ir... oi, Ana, tudo bem?
Ana no podia acreditar que ele havia se lembrado do nome
dela, a apresentao deles domingo passado fora to rpida...
ela pensou " responda, sua boba".
_Oi, tudo bem!
_Voc j conhece a minha priminha? - disse Sabrina em um
tom que Ana detestou.
_Fomos apresentados domingo; est gostando de So Paulo,
Ana?
_Estou ! - "diga mais alguma coisa, por favor, sua menina
boba"- pensou Ana com raiva de si mesma.
_timo, agora eu preciso ir, tchau, meninas!
Sabrina fez um aceno e esperou Alexandre se afastar, Ana
ficou parada no acreditando que outra vez havia ficado sem
ao diante dele.
_Me! - Sabrina gritou ao entrar- papai no vir para
almoar, quer que eu leve, no vai dar para sair, o movimento
est grande hoje, mas j dava pra imaginar, as aulas esto para
comear. Vim de carona com o Al, ele estava l na loja.


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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


Os tios de Ana tinham uma papelaria, prxima  casa deles ,
Rubens, na maioria das vezes almoava em casa, tinham um
funcionrio e a esposa tambm ficava quando necessrio, at
Carol passava um perodo atendendo, quem no gostava nada
disso era Sabrina, mas como no estava trabalhando fora
precisava dar uma mozinha de vez em quando.
No caminho para perfumaria Ana aproveitou para fazer
algumas perguntas  prima, no dava para aguentar mais. Ela
no conseguia parar de pensar se Alexandre e Sabrina teriam
alguma coisa... ela precisava saber.
_Carol- comeou Ana- eu vi a Sabrina chegando com aquele
rapaz da igreja... o Alexandre. Eles...
 Ana no precisou nem completar, Carol foi logo dizendo:
_Eles j namoraram, durou uns 6 meses... acho at que foi
muito... mas eles terminaram h uns 2 anos.
_Quem terminou o namoro? - Ana perguntou sem conseguir
esconder a curiosidade.
_Sabrina diz que foi ela, mas eu tenho certeza que foi ele, ela
 doidinha para voltar... tambm quem no seria, n? Muitas
meninas da igreja so apaixonadas por ele. Eu queria que ele
fosse meu cunhadinho, mas fazer o qu? Sabrina  muito
chata,  minha irm, eu sei, mas ela  to cheia de coisa... s
pensa nela, acha que  uma miss! E ela no se compromete
com nada na igreja e Alexandre, pelo contrrio, est sempre
envolvido. Acho que foi por isso que no deu certo.
_Eles tm a mesma idade? - no dava para aguentar mais,
Ana tinha que saber... era melhor perguntar assim do que
dizer: qual a idade do Alexandre?


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                        Tnia Gonzales


_No , o Al j tem 21 e voc sabe que a Sabrina fez 20 anos
em dezembro.
"Ento ele tem 21 anos, era isso que eu queria saber- pensou
Ana um pouco desanimada- se liga garota, voc s tem 17."
_Voc acredita que a Sabrina comeou fazer faculdade de
cincia da computao s por causa do Al?
_Ele est fazendo cincia da computao?
_Est no ltimo ano. Ele sempre foi interessado nisso e ele 
fera, viu? Ele  o "web designer" da igreja, eu acho que 
assim que se fala. Voc ainda no entrou no site da igreja,
entrou?
Ana fez que no com a cabea, e ficou esperando por mais
informaes sobre Alexandre.
_Voc precisa ver o site,  muito legal e se voc tiver algum
problema no mundo da computao  s chamar pelo Al!
_Engraadinha!
_No estou brincando! Ele gosta de ajudar.
 Ana conseguiu mais algumas informaes com Carol,  claro
que sempre dava uma disfarada no interesse pelo assunto,
mas descobriu que Alexandre no estava namorando, que
estudava na parte da manh e  tarde trabalhava em uma
empresa de desenvolvimento de software. Tambm soube que
ele morava com os pais, Afonso e Lusa e que a irm dele se
chamava Joyce, que era casada com Celso e tinham dois
filhos: Melissa de 4 anos e Lucas de 1 aninho. Ana tambm
ficou sabendo que o pai de Alexandre era mdico pediatra. E
toda a famlia congregava na mesma igreja. Que agora era a
igreja de Ana tambm, a IECVV(Igreja Evanglica Caminho,


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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


Verdade e Vida).
" Os nicos limites das nossas realizaes de amanh so as
nossas dvidas e hesitaes de hoje." Roosevelt

Captulo 3 -No limite

Professora Beth entrou na classe com uma pequena caixa de
isopor nas mos, cumprimentou as meninas com um
animado: " graa e paz!", e convidou-as a orar, fez um
pedido especial por uma das alunas, Cntia , que estava com
problemas em casa. Aps a orao e a leitura de um
versculo, Beth disse:
_Meninas, fizeram a lio de casa ?
_Prof Beth-        claro que Priscila foi a primeira a se
manifestar, com uma voz bem solene disse o filme que eu
escolhi para representar um amor impossvel foi: "O incrvel
Hulk".
As meninas no conseguiram segurar o riso.
_E qual o motivo de sua escolha?
_Eu acho uma pena, sabe? Ele sempre precisa ir embora para
no o pegarem, e tambm ele no pode ter um ...digamos
assim... um relacionamento com a mulher que ele ama porque
iria se transformar e a coitadinha dela!
Mais risadas na classe...
_  realmente complicado! Quem mais? - disse Beth olhando
para suas alunas.
_O filme " Um amor para recordar " - disse Ana-  uma
histria linda, porm triste, Jamie, uma jovem de 18 anos est


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                         Tnia Gonzales


com leucemia e se apaixona por Landon, um garoto
problemtico que acaba se apaixonando por ela, os dois
namoram sem que ele saiba da doena dela, quando descobre
fica arrasado e resolve se casar com ela, os dois ficam pouco
tempo juntos, infelizmente ela morre.
_Tem razo, Ana!  um filme lindo. O legal  que o amor fez
com que Landon mudasse, ento, valeu a pena.
_Que trgico! - disse Slvia- Eu acho que o mais trgico de
todos  Romeu e Julieta!  uma pena que ele tenha pensado
que ela estava morta, se ele tivesse esperado s mais um
pouquinho...
_Slvia, voc citou um exemplo clssico! Vocs j devem ter
notado que antes os motivos para um amor ser impossvel
era: inimizade entre as famlias, como  o caso de Romeu e
Julieta, diferena de idade, raa, posio social... muitos so
os filmes que contam a histria da mocinha pobre que se
apaixonou pelo rapaz lindo e rico. Mas as coisas mudam e
parece que sempre  necessrio algo mais, ento aparece o
vampiro que se apaixona por uma frgil menina humana ... e
 claro que isso mexe com a imaginao de vocs.
Beth escreveu no quadro branco:
" EDWARD E BELLA = AMOR IMPOSSVEL"
 Em seguida pegou a caixinha de isopor e tirou um saquinho
preto de l.
_D-me sua mo Ana, o que voc sente? - perguntou Beth
encostando o saquinho preto na mo de Ana que a afastou
rapidamente.
_Frio!

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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


Depois Beth fez o mesmo com mais 5 meninas e por fim
recolocou o saquinho na caixa.
_Vocs acham que Bella  muito sortuda, no ? Mas j
imaginaram dar um abrao em uma esttua de gelo? No livro
 to romntico! D para imaginar namorar algum que nunca
dorme, no come, s tem um tipo de alimento em sua dieta e
mais alguns detalhes que vocs conhecem bem? D para
imaginar, meninas? O fascnio que estas histrias trazem para
vocs eu entendo, mas eu quero dizer novamente: cuidado
para no dar mais ateno a este tipo de coisa do que o
normal. Outro dia, uma me me procurou muito preocupada
com sua filha que no saa mais do quarto, fazendo o qu ?
Lendo a srie Crepsculo, foi ao cinema vrias vezes, assistir
o qu? " Crepsculo "; meninas, eu disse que  timo ler, mas
tudo deve ser feito com equilbrio. Minhas queridas alunas 
suspirou Beth antes de continuar- EDWARD CULLEN ,
apesar de ser uma esttua de gelo,  lindo, encantador, forte,
responsvel, protetor, apaixonado, enfim o namorado que
toda garota gostaria de ter, exceto por um detalhe ele  um
vampiro! - dizendo isso Beth sorriu- Mas ele no existe! 
uma fico! Ento, no sejam to exigentes com os meninos
"normais".
_Prof Beth- comeou Ana - Voc acha que estamos fazendo
este tipo de comparao?  claro que no queremos andar ao
lado de um modelo de beleza e uma geladeira ambulante, mas
queremos algum que seja sincero e que tenha pelo menos um
pouquinho de romantismo...
_Somos meninas sonhadoras. Outro dia eu sonhei que estava

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                         Tnia Gonzales


em um shopping quando de repente apareceu Edward Cullen;
eu desmaiei e em seguida acordei. Pode?- contou Slvia.
_Sonhamos com um prncipe, mas quem no sonha? E voc
Beth, tambm sonha? perguntou Priscila.
Beth deu um sorriso e pensou, " essas meninas me colocam
em cada uma"! Tinha 34 anos e j havia algum tempo que
estava sozinha. Depois de um namoro de 3 anos e uma grande
decepo ela no estava interessada em "prncipes".
_Meninas, meninas...eu passei desta fase j h algum tempo.
_Mas j sonhou, querida professora! Somos todas normais!
- Priscila disse bem animada- eu acho que ningum deveria
deixar de sonhar, um dia ele pode entrar por aquela porta e...
Neste momento, Priscila foi interrompida por uma batida na
porta. As meninas no conseguiram segurar o riso quando
viram quem abriu a porta.
_Desculpe, Beth! - Alexandre ficou olhando sem entender-
O Ronaldo gostaria de falar com voc e a Cntia logo aps a
aula.
_Meninas, acalmem-se! Tudo bem Al, eu espero por ele aqui,
j estamos terminando. Certo meninas, agora chega! - disse
Beth tentando acabar com as risadas e comentrios- no liga,
Al, estas meninas esto impossveis hoje!
_Tudo bem. Vou falar com o Ronaldo. Tchau!
 Beth olhou para suas inquietas alunas e no pde deixar de
rir.
_Meninas, vocs precisam aprender a se controlar...
_Ah, Beth! Um prncipe aparece e voc pede de ns, pobres
mortais, controle?- mais uma vez Priscila se adiantou.


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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


_ voc tem razo, Alexandre  um timo rapaz, espero que
ele encontre algum muito especial...
_Candidatas no faltam! Ele, sim,  "mara"! - falou Amanda,
que raramente se manifestava.
_Parem com isso! Prncipe que nada! Vo sonhando! Eles
querem s uma coisa e depois... adeus. - disse Simone em
um tom de revolta.
_Por favor, cuidado com os comentrios! Simone voc no
precisa ficar brava , elas s esto brincando. Bom , nosso
tempo acabou, nesta semana lembrem de orar pela famlia da
Cntia. E no se esqueam dos preparativos para o retiro de
carnaval, antes de sair peguem a programao para vocs j
terem uma ideia. E mais uma coisa, sbado vamos reunir o
grupo de teatro para distribuir os papis da pea de Pscoa.
Depois da orao, Beth chamou Ana e a convidou para
participar do grupo de teatro, ela aceitou na hora, Ana gostava
de participar de peas teatrais. Ronaldo entrou na classe assim
que todas as meninas saram, Beth estava conversando com
Cntia, eles estavam preocupados com o irmo dela,
Carlinhos, que tinha problemas com drogas e j            havia
passado alguns meses no centro de recuperao da igreja. Ele
ficava bem por alguns meses mais depois voltava ao vcio.
 Ana saiu da classe com Carol e quando estavam descendo as
escadas sentiu algum tocar o seu ombro, ao virar pensou
que seu corao fosse sair pela boca, batia to rpido! No
dava para aguentar aquele par de olhos azuis a fitando, eles
estavam to prximos um do outro que Ana sentiu o cheiro
do perfume dele.


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                        Tnia Gonzales


_Oi, Ana, Carol- comeou Alexandre cumprimentando-as
com um beijo - Meninas, hoje depois do culto da noite,
vamos assistir ao filme " A segunda chance " e vocs esto
convidadas, ser na sala 8, chame o seu irmo tambm, Ana,
e no se preocupem que depois eu levo vocs para casa, se
quiserem,  claro.
Ana olhou para Carol com uma interrogao nos olhos, a
prima fez um sinal com a cabea confirmando.
_Legal, vou falar para o Lipe. - Ana se sentiu aliviada por
conseguir agir com normalidade apesar da euforia que tomava
conta do seu interior.
_Quer que eu fale com ele?
_Voc faria isso? Seria timo, o Lipe est com alguma
dificuldade para se enturmar, sabe?
_Deixa comigo, Ana.
_Valeu!
O culto j havia comeado quando Ana e Carol entraram no
templo, o quarteto " Frutos" estava louvando:
" Como agradecer por tudo que fizeste a mim, no
merecedor, mas provaste o seu amor sem fim, as vozes de
um milho de anjos, no expressam a minha gratido, tudo
que sou e o que almejo ser, eu devo tudo a Ti. A Deus seja a
glria...".5
 Aps o louvor, pastor Jair comeou o seu sermo.
_Amados irmos, em 1 Reis 19: 8, 9 diz:
" Levantou-se, pois, comeu e bebeu; e, com a fora daquela
comida, caminhou quarenta dias e quarenta noites at Horebe,
5 Hino: Meu tributo.

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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


o monte de Deus. Ali, entrou numa caverna, onde passou a
noite; e eis que lhe veio a palavra do Senhor e lhe disse: Que
fazes aqui, Elias? "
Hoje eu vou falar sobre limites, os nossos limites. Queridos,
o profeta Elias era um homem sujeito aos mesmos
sentimentos que ns, Tiago em sua carta nos disse exatamente
isto. Elias  a personagem bblica do Antigo Testamento que
eu mais admiro, porque quando eu penso: Puxa, Elias  um
super heri, olha que autoridade! Ele chegou at Acabe e
disse : " no vai chover segundo a minha palavra", e depois
desafiou os profetas de Baal e convocou o povo de Israel
dizendo " at quando coxeareis entre dois pensamentos? " E
at zombou enquanto os profetas de Baal se esforavam para
serem ouvidos. Que coragem! Depois clamou a Deus e o
Senhor mandou fogo do cu. Que f!
Depois ele disse que a chuva viria e o que aconteceu? Deus
mandou a chuva. Mas quando eu penso que ele  um super
heri, a reao de Elias, ao receber uma ameaa de Jezabel,
me surpreende. Elias foge! Como  possvel? Depois de tudo
o que aconteceu, Elias foge com medo de uma mulher?
Por qu? Limite! Elias chegou no limite das suas foras. Ele
estava esgotado. O desafio ali no era maior, pelo contrrio,
mas o problema estava nele. Limite. O profeta de Deus havia
chegado ao seu limite. E Deus entende quando ns chegamos
no limite de nossas foras. E Ele sabe muito bem como
cuidar de ns nestes momentos. Primeiro cuidou do fsico de
Elias. A Bblia diz que Elias passou a noite na caverna.
Imagine que noite foi aquela. Quantas noites voc passou na


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                        Tnia Gonzales


caverna, amado irmo. Na caverna do luto, lgrimas rolando,
saudades... Na caverna do desemprego, dvidas, desespero...
Na caverna da solido, na caverna do vcio, na caverna da
doena. Deus vai
tratar com voc seja qual for a sua caverna. Ele cuidou de
Elias, Deus falou com uma voz mansa e delicada, porque era
exatamente este tipo de tratamento que o profeta estava
precisando. Se voc precisa de consolo Deus te consolar,
mas, se voc necessitar de um "puxo de orelhas", Ele
tambm dar. Elias recebeu a misso de ungir dois reis e
Eliseu como profeta em seu lugar, depois Deus o levou, pois
havia chegado o momento da partida do profeta de Deus.
Deus vai cuidar de voc seja qual for a sua caverna, Ele sabe
muito bem do que voc necessita. Creia que Deus tem o
melhor tratamento para sua vida. Saiba que quando ns
chegamos no limite, Deus nos entende e Ele cuida de ns
como um pai amoroso cuida de seu filho amado. Sinta o
cuidado de Deus, oua a voz de Deus nesta manh.




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              Edward Cullen no existe! Prncipes existem!



 "Existem apenas duas maneiras de ver a vida. Uma  pensar que
no existem milagres e a outra  que tudo  um milagre."
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Captulo 4- A segunda chance

  Ana preparou o almoo junto com seu pai, ela adorava
trabalhar na cozinha com ele, enquanto isso Felipe estava
conversando com a Larissa , pela net, o computador ficava na
sala, o pai achava melhor assim.
_Aninha, amanh  o grande dia! - Roberto se referia ao
incio de seu trabalho no restaurante do amigo Miguel- Vou
reiniciar a rotina.
_ pai,  isso a! Tudo de novo... eu e o Lipe tambm, afinal
amanh comeam as aulas.
_Anaaa! - gritou Lipe- A Ktia quer falar com voc!
_Vai l, filha! J est quase tudo pronto mesmo...
   Ana conversou com a amiga por alguns minutos. No
resistiu e contou para Ktia sobre Alexandre, no que tivesse
muita coisa para contar, mas, qual o problema? Era s ela no
exagerar no interesse e estaria tudo certo. Ela no ia ficar
imaginando que ele por acaso estaria com algum interesse
nela, claro que no, pensou Ana. Afinal ele tem 21 anos e eu
somente 17.
_Hum!!! Que delcia! - exclamou Felipe ao saborear o almoo
preparado por Roberto e Ana.
_Ns agradecemos, no  Aninha? Aninha?


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                        Tnia Gonzales


_Oi? No entendi, pai? - Ana estava to distrada pensando
nos "olhos azuis" que no percebeu que o pai estava falando
com ela.
_Onde voc estava, querida? Tenho certeza que no era aqui
nesta cozinha, no mesmo!
_Eu? Claro que estava, eu s no entendi a pergunta.
 Roberto deu uma piscada para Lipe que retribuiu e foi logo
dizendo:
_No sei no, a tem!
_Parem com isso, que tal ns arrumarmos tudo? J so trs
horas.
 Depois de alguns minutos tudo estava em ordem e Ana foi
para seu quarto, ela queria dar uma boa olhada em seu guarda-
roupa, estava com vontade de caprichar no visual para o culto
da noite.
_E a, Carol, como estou? - perguntou Ana assim que a prima
entrou em sua casa.
_Nossa! Uau!!! Uma gata!
_Voc tambm est tima!
Ana havia colocado uma saia preta com um bordado bem
delicado e uma blusa salmo com botes dourados bem
discretos. Estava com seus lindos cabelos negros totalmente
soltos. Ela era uma garota muito bonita, sem dvida. Tinha
1,68m de altura, 52 quilos, os cabelos negros um pouco
abaixo dos ombros, olhos castanhos escuros. Carol era mais
baixa que Ana e tinha os cabelos castanhos bem claros que
estavam um pouco acima dos ombros e ela usava uma
franjinha; tinha um rosto bem delicado. Era uma bonita


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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


menina de 16 anos. Sabrina tinha 1,75m de altura, os cabelos
originalmente castanhos claros, estavam totalmente loiros e
curtos. Era dona de um corpo que chamava a ateno; Isabel,
sua me, sempre a aconselhava com as roupas, pois ela
amava modelos bem apertados e curtos e isso causava muitos
problemas com seu pai. Na igreja ela at disfarava, mas
quando saa com as amigas...
Quando terminou o culto, Ana se despediu do pai e prometeu
que no ia chegar tarde. Roberto concordou com a carona de
Alexandre aps Rubens lhe assegurar que no tinha problema
algum, que conhecia bem a famlia dele e que ele era um bom
rapaz.
Carol e Ana entraram na sala 8, que apesar de ser bem ampla,
j estava lotada, parecia uma pequena sala de cinema. Logo
avistaram Lipe e Alexandre que havia reservado os lugares.
Ana sentou na cadeira estofada que Alexandre lhe apontou e
gostou quando ele se sentou bem ao lado dela. Ele estava
muito bem vestido com uma camisa azul escura de manga
longa e uma cala social preta. Como ele ficava bem com
aquela cor pensou Ana. Os olhos azuis clarssimos ficavam
ainda mais marcantes.
_Eu volto logo- disse Alexandre no ouvido de Ana, o pequeno
contato fez o corao dela bater mais forte.
Em pouco tempo Alexandre estava de volta trazendo quatro
sacos de pipoca , as luzes foram apagadas e a agitao da
turma cessou, o filme havia comeado.
O filme conta a histria de dois pastores , Ethan, pastor
suplente de uma igreja de classe mdia, um msico que no


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                        Tnia Gonzales


tem a menor ideia do que  servir a comunidade; e Jake,
pastor de uma comunidade pobre que vive sob o comando do
trfico de drogas e gangues. De repente eles precisam
trabalhar juntos, a as diferenas aparecem e tambm os
problemas locais.
_Est gostando ? Alexandre falou bem baixinho no ouvido
de Ana- "Ele no deveria fazer isso comigo"- pensou Ana e
em seguida respondeu sussurrando:
_Estou,  muito interessante.
Depois de quase duas horas o filme acabou, o professor
Ronaldo pediu para os alunos de sua classe fazerem algumas
anotaes em casa para na prxima aula eles debaterem. Ana,
Carol e Felipe foram at o estacionamento esperar por
Alexandre que estava conversando com Ronaldo.
_Gostei do filme, bem legal, n? - perguntou Carol, Ana fez
que sim, ficou observando Alexandre se aproximar e ficou
pensando quem iria com ele na frente.
_Vocs querem ir direto para casa ou comer alguma coisa... -
Alexandre chegou perguntando.
_ melhor irmos para casa, nossos pais esto esperando, sabe
como  que ...  disse Ana com pesar e aproveitou para fazer
um sinal para o irmo ir no banco da frente. Ana se
posicionou atrs de Alexandre e durante o caminho de 10
minutos ficou disfarando enquanto dava uma olhada nele e
Al tambm a olhava pelo retrovisor de maneira bem discreta.
Por um momento os olhares se encontraram e ambos ficaram
envergonhados, mas Carol e Lipe nem notaram.
_Aqui estamos, Carol- disse Alexandre assim que parou o


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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


carro.
_Valeu, Al- disse Carol dando-lhe um beijo no rosto.
_Vocs no ! - Alexandre disse antes de Ana e Lipe sarem do
carro- Vou deix-los na porta da casa de vocs.
_Mas  to pertinho,  logo ali, viu? - Ana apontou para sua
casa.
_Tudo bem, mas eu insisto!
_Ento, tudo bem! - respondeu Ana sorrindo e mandando um
beijo para prima.
Alexandre estacionou bem em frente da casa de Ana e desceu
do carro, cumprimentou Felipe que entrou em seguida. Ana
ficou parada em frente ao porto. Os dois ficaram por alguns
segundos sem dizer nada e ento Alexandre quebrou o
silncio.
_Voc gostou do filme?
_ A histria  bem atual e eu sou f do Michael W. Smith, o
pastor Ethan, gosto muito das msicas dele, Agnus Dei,
Friends e Draw Me close, so as minhas preferidas.
_Draw me close to you, never let me go...- Alexandre arriscou
cantarolar- Legal! Eu tambm gosto das msicas. Mas
mudando de assunto... ento, amanh suas aulas comeam?
_Sim, amanh  o grande dia! E as suas? Estou sabendo que 
o seu ltimo ano em Cincia da Computao, certo?
_Certo, voc est bem informada! E voc vai fazer o qu?
_ o meu ltimo no ensino mdio.
_Ensino mdio? - perguntou Alexandre.
_Sim, voc ficou surpreso, por qu?
_--... desculpe... eu pensei que... voc fizesse faculdade.


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                        Tnia Gonzales


_Por que voc pensou isso?
_Por causa do seu irmo, ele me disse que vai fazer o ltimo
do mdio, ento eu...
_Exatamente! A no ser que eu tivesse repetido um ano ou
ento ele...
_Espera a, vocs dois tem a mesma idade?
_Nossa! Voc est brincando, n?- Ana no conseguiu deixar
de rir.
_De-de-desculpe!
  " Que lindo! Ele gagueja um pouquinho quando fica
nervoso!" -pensou Ana.
_Voc no sabia que ns somos irmos gmeos?
_No, que vergonha! Eu pensei que voc era a irm mais
velha. Ento voc tem... 17 anos?
_Exatamente 17 anos, eu fiz no dia 27 de dezembro- Ana
percebeu que Alexandre ficou desapontado ao saber a idade
dela.
_Certo! Me desculpe, Ana.
_S para saber... quantos anos voc pensou que eu tivesse?
_Uns 19 anos. Mais uma vez me desculpe, Ana.
_No tem motivo algum para se desculpar, voc no sabia, 
s isso. Bom, acho melhor entrar, obrigada pela carona. Boa
aula para voc amanh. Tchau!
_Para voc tambm, tchau, Ana.
Ana j estava no quarto pronta para dormir, mas no
conseguia parar de pensar na conversa que teve com
Alexandre. Ela tinha certeza que ele havia se decepcionado
com a idade dela. Ento ele pensou que ela tivesse 19 anos.


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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


At aquele dia Ana nunca havia sentido vontade de ter mais
idade,    at aquele dia. Alexandre tambm no conseguia
dormir, ficou pensando na garota de cabelos negros e em
como ele foi ridculo.

A segunda-feira comeou cedo para a todos os membros da
famlia, Roberto foi para o restaurante, seria o seu primeiro
dia, Ana e Felipe foram  escola juntos com Carol, saram
com quase 30 minutos de antecedncia, Ana no queria correr
o risco de chegar atrasada para o seu primeiro dia de aula, o
horrio de entrada era s 7h. Ana e Felipe fariam o 3 ano
enquanto Carol o 2 , mas pelo menos no intervalo elas
ficariam juntas. Ana ficou feliz ao ver que ela e o irmo
estudariam juntos. Ao entrar em sua classe, logo reconheceu
Simone, que participava da EBD com ela, a cumprimentou
com um sorriso, Simone s balanou a cabea. A manh no
colgio passou sem novidades.
Pouco antes das 23h, Roberto chegou todo animado, contando
detalhes sobre o restaurante e querendo saber tambm se os
filhos gostaram da escola, mas no dava para conversar
muito pois todos teriam que acordar cedo no outro dia.
E assim os dias foram passando rapidamente e enfim chegou a
sexta-feira, Ana e Carol estavam conversando no intervalo do
colgio sobre o retiro que fariam no carnaval. A igreja havia
alugado uma chcara em Campos do Jordo, teriam muitas
atividades para os adolescentes e jovens, seriam 4 dias. Elas
estavam animadas porque j estavam no dia 13 de fevereiro
s faltava uma semana para o to esperado passeio. Depois do


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                         Tnia Gonzales


intervalo, Ana entrou na classe e encontrou Simone sozinha,
os outros alunos ainda no tinham voltado. Ana aproveitou
para tentar conversar com ela, pois ela parecia             to
inacessvel.
_Oi, Simone! Voc tambm vai ao retiro de carnaval?
 A garota olhou para Ana sem interesse, no tinha a mnima
vontade de responder, mas resolveu no ser grosseira com a
nova menina que veio do interior.
_Eu? Nem pensar! J imagino a chatice que vai ser.
_Chatice? Pelo que eu pude saber da programao vai ser bem
legal.
Aos poucos os alunos foram entrando e Ana resolveu encerrar
o assunto, ela percebeu que Simone no estava nem um pouco
interessada.
O sbado chegou e com ele o encontro do grupo de teatro,
Ana estava bem animada, foi at o ponto de nibus, no
queria chegar atrasada, por isso saiu 30 minutos antes do
horrio marcado. Teve que ir sozinha pois Carol tinha um
casamento de um amigo de seu pai que seria em uma chcara.
Ao chegar  igreja entrou pela porta lateral , cumprimentou o
irmo Cludio, que era o zelador e subiu as escadas para o 1
andar, s ento ela se deu conta que no sabia em qual sala
eles se reuniriam, j estava pensando em voltar para perguntar
ao zelador, quando ela viu Alexandre.
_Ol!  impresso minha ou voc est perdida? - disse
Alexandre abrindo um grande sorriso.
_ Oi! Voc est certssimo! Qual  a sala do grupo de teatro?
_Venha comigo, eu tambm vou para l.


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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


 Ana seguiu Alexandre pelo longo corredor, o grupo estava
reunido na sala 11. Beth j havia comeado a reunio.
_Entrem, que bom que voc veio Ana! Oi, Al!
Beth ento passou a explicar sobre a pea e distribuiu os
papis, Ana seria uma jovem que no sabia nada do sentido
da pscoa e que adorava chocolates. Alexandre seria um rapaz
cristo que contaria para ela o verdadeiro significado da
Pscoa atravs de histrias bblicas desde Gnesis, e ento as
personagens iriam aparecer conforme o desenrolar da histria
contada por ele. Beth pediu para que fosse feita a primeira
leitura da pea quando de repente, entrou um rapaz
totalmente desorientado. Era o irmo de Cntia, que tinha
problemas com drogas e havia sumido h trs dias.
_Algum me ajuda! Algum! - gritava Carlinhos que estava
com as roupas sujas e descalo.
 Alexandre foi rapidamente at ele e o amparou.
_Oi,  voc ? Eu te conheo, no conheo? Eu acho que sim!
_Oi, amigo! Claro que voc me conhece, sou o Al, lembra?
Vamos sair daqui, est bem? Beth, voc liga para o pastor
Lus, diga que o Carlinhos apareceu, eu vou l na cantina
com ele.
Alexandre j estava saindo amparando Carlinhos em seus
braos, quando o rapaz no conseguiu segurar e acabou
vomitando na camisa de Alexandre. A cena no foi nada
agradvel, na sala havia uns 20 jovens observando assustados
e enojados ao mesmo tempo.
_Eu sou uma porcaria mesmo! Olha que eu fiz! S sirvo pra
fazer sujeira!


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_No tem problema, amigo,vamos sair daqui, eu resolvo isso.
Beth dispensou a turma, e ligou para o pastor Lus que era o
responsvel pelo centro de recuperao que a igreja mantinha
em Suzano. Depois foi at a casa de Alexandre pegar uma
camisa limpa. Quando estava a caminho, viu Ana no ponto de
nibus e lhe ofereceu carona.
_Coitado do Carlinhos, como  triste ver algum controlado
pelos vcios. Sinto muito, Ana, voc ter visto, mas  a
realidade. Ele precisa muito de ajuda. S mesmo Jesus para
tir-lo desta priso.
_ Foi muito triste mesmo, Beth, ele  to jovem!
_ S 20 anos! Foi um milagre ele aparecer justamente na
igreja, foram 3 dias sem notcias!
Beth parou primeiro na casa de Alexandre, a me dele j
estava no porto com uma sacola nas mos. Ela tinha
recebido um telefonema do filho. Lusa cumprimentou-as e
entregou a sacola para Beth, agradecendo. No caminho para
casa Ana pensou que se tivesse o nmero do celular de
Alexandre ela ligaria mais tarde para saber notcias, foi ento
que ela resolveu fazer uma coisa bem ousada, pelos menos
para ela, pensou.
_Beth, voc teria o celular do Alexandre,  que eu gostaria de
saber como o Carlinhos ficou.
_Claro, Ana - Beth pegou seu celular assim que parou o carro
em frente  casa de Ana e logo encontrou o nmero que
precisava.
Ana no conseguia tirar aquela triste cena da cabea. Era a
primeira vez que ela tinha visto Carlinhos, s o conhecia pelo


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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


nome, sempre estavam pedindo orao por ele. Ela olhou
para o horrio em seu celular j passava das 23h, depois
olhou para o nmero que Beth lhe havia dado, ento resolveu
ligar. Aps trs toques e ela ouviu pela primeira vez a voz de
Alexandre pelo telefone.
_Alexandre?
_Eu! Quem fala?
_ Ana! Me desculpe ligar uma hora destas, mas  que eu
fiquei preocupada com o que aconteceu...
_Oi, Ana! No se desculpe, que bom ouvir voc!  Alexandre
respondeu sem disfarar a alegria que estava sentindo ao
ouvir a voz dela.
_Eu pedi o seu nmero para Beth- Ana foi logo se
explicando.
_No tem problema! Voc est bem? Se no tivesse
acontecido tudo aquilo eu ia me oferecer para lev-la para
casa. Voc foi sozinha? Percebi que a Carol no estava.
_A Beth me deu uma carona. Carol foi em um casamento com
a famlia. E o Carlinhos est melhor?
_Ele est no centro de recuperao, eu fui junto com o
Ronaldo para lev-lo, dormiu o caminho inteiro. Ele vai ficar
bem. O pior j passou, afinal ele ficou sem dar notcias por
trs dias.
_E os pais dele?
_Os pais no pertencem  igreja, s aparecem quando ele
piora. Eu acho que se houvesse um comprometimento deles as
coisas seriam mais fceis.  que eles procuram em todos os
caminhos, entende? Carlinhos fica dividido.


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_Entendi. E voc j se recuperou?
_Ah! Tomei um belo banho, passei perfume. Estou bem
cheiroso, que pena que no d pra voc sentir. Me de-
desculpe, e-eu acho que exagerei.
_No, tudo bem! Eu gostei da brincadeira! - Ana riu ao
perceber que ele havia ficado nervoso, a gagueira quase
passava despercebida, mas ela achava um charme.
_Acho que  melhor mudar de assunto. E a, voc vai
participar do retiro?- perguntou Alexandre.
_Eu vou e voc?
_Tambm! Tenho certeza que voc vai gostar, estamos
caprichando na programao.
_Voc tambm faz parte da equipe organizadora! E eu
perguntando se voc ia participar...
_Voc no sabia,  s isso! Mas agora eu percebi uma coisa,
eu estou em desvantagem!
_Desvantagem, em qu?
_Voc tem meu telefone, e eu no tenho o seu. No apareceu
seu nmero no meu visor. Foi de propsito?
_No, claro que no!Acho que meu irmozinho querido
andou mexendo no meu celular... anote...
Ana passou o nmero e depois se despediu, seus saldos
estavam acabando. O sono demorou a chegar naquela noite,
ela ficou lembrando de cada palavra dele. Como era bom
ouvir a voz dele pelo telefone, mas pessoalmente era muito
melhor, podia ouvir a voz e ficar olhando para os olhos azuis
ao mesmo tempo, perfeito.



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" obra do diabo sugestionar;  obrigao do cristo no ceder."
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Captulo 5 -Tentao

Ana acordou mais cedo naquele domingo, pois iriam tomar
caf na igreja.
_Bom dia, Ana - tio Rubens cumprimentou assim que Ana
entrou no carro.
_Bom dia, tio, oi Carol e a tia Isabel?
_Est atrasada, vou tocar a buzina para ela se apressar.
_Calma, j estou aqui! Bom dia, sobrinha querida! - disse
Isabel dando um beijo em Ana.
Sabrina entrou logo em seguida com cara de poucos amigos,
detestava acordar cedo...
_Algumas pessoas se esquecem de algumas regras de boas
maneiras  Rubens disse olhando para Sabrina- Que tal dizer
um bom dia bem amigvel, filha?
_Bom dia! - Sabrina respondeu em um tom nada amistoso.
_Bom, j  alguma coisa! - Rubens brincou.

Chegaram no estacionamento da igreja faltando 25 minutos
para o incio das aulas ainda daria tempo para tomarem caf.
Quando Ana desceu do carro percebeu que a famlia de
Alexandre tambm havia acabado de chegar. Ele estava
segurando um menininho em seus braos e sua me estava de
mos dadas com uma garotinha de cabelos cacheados.


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                         Tnia Gonzales


_Graa e paz  cumprimentou Rubens.
_Graa e paz, amigo. - Dr. Afonso deu um apertado abrao no
tio de Ana.
 Depois Isabel e Lusa tambm se cumprimentaram com um
beijo e ficaram conversando, enquanto Ana e Carol se
aproximaram de Alexandre. Sabrina havia sado rapidamente.
_Que menininho mais lindo! - disse Ana  Qual o nome dele?
_Este  o Lucas- respondeu Alexandre.
_Que nome lindo, tambm! Qual a idade dele ?- Ana
perguntou olhando para Alexandre.
_Um aninho.
_Voc  "namolada" do meu tio? - perguntou a menina dos
cabelos cacheados assim que se aproximou de Ana.
_Eu? No ! - Ana respondeu meio sem graa.
_Melissa! Desculpe, Ana, ela quer arrumar uma namorada
para mim de qualquer jeito.
_No deve ser uma misso difcil!
A me de Alexandre ouviu o comentrio de Ana e deu um
sorriso para o filho, que corou.
_Acho melhor vocs irem com a vov .
  Lusa foi se afastando com os netos, Alexandre e Ana
acabaram sozinhos no estacionamento.
_Qual a idade da Melissa? - Ana perguntou para acabar com o
clima de constrangimento.
_Quatro anos, ela  muito esperta, fala cada coisa que voc
no acredita! Eles esto conosco hoje porque a Joyce, minha
irm, foi com o marido dela, o Celso, levar os sogros para
rodoviria, eles vo viajar para Jales, pertinho da sua cidade,


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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


n?
_Eles vo para Jales! Parentes?
_A cunhada da Joyce mora l. Os meus avs moram em Rio
Preto.
_Que legal! Ento sua famlia conhece bem a regio.
_Com certeza. Se voc quiser dar um passeio qualquer dia
destes em Santa F  s falar comigo, eu posso ser o seu
motorista! - disse Alexandre se divertindo com a ideia.
_Valeu! Eu aviso!  melhor ns irmos seno vamos ficar sem
caf.
_Vale a pena o sacrifcio!
 Ana percebeu que Alexandre estava bem descontrado, ela
gostou disso. Ele nem havia dado sinal de sua discreta
gagueira, o que ela achou uma pena porque ele ficava mais
charmoso ainda, se  que isso era possvel. Chegaram no
refeitrio ainda em tempo, os tios estavam tomando caf, Ana
logo avistou Carol e se aproximou dela. Achou melhor se
distanciar de Alexandre, no queria que os outros tivessem
oportunidade de fazer algum comentrio, o refeitrio estava
lotado.
Aps o caf cada um foi para sua sala de aula.

_Meninas, contagem regressiva para o grande dia! - Beth
falou com toda animao se referindo ao evento da prxima
semana: o retiro de carnaval.
_O tema da palestra principal ser: Tentao, como venc-
la? O texto bblico: Gnesis 39.6-12  Beth falava ao mesmo
tempo que escrevia a referncia bblica no quadro branco. Em


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seguida Beth dividiu as meninas em 5 grupos.
_Nas ltimas aulas ns falamos sobre romances impossveis,
em especial sobre o casal fictcio: Edward e Bella. O
obstculo deles  o fato que ele ser um vampiro e ela uma
humana. Mas vocs sabem que para ela o mais importante 
ficar com ele, ento Bella no mede esforos para alcanar o
seu objetivo, no importando o alto preo a ser pago. Eu
quero que vocs conversem e depois anotem o que seria
obstculo no mundo real para que um romance fosse
impossvel ou pelo menos complicado de se concretizar.
Vocs tm 15 minutos.
As meninas comearam a discutir o assunto, os minutos
passavam rpidos demais, a nica que no falava nada era
Simone, ela estava no mesmo grupo de Ana e Carol. Dava
para perceber o quanto estes assuntos a incomodava.
_Tempo esgotado, meninas! Vamos comear pelo grupo 1:
Carol, Ana, Simone ,Cntia e Priscila. Beth escreveu no
quadro branco:

VOC NO PODE NAMORAR COM ELE, POR QU ?

_Resposta do grupo 1  pediu Beth.
_Ele no professa a mesma f que eu - Ana respondeu.
_Ento isso  um obstculo? Ser que vocs realmente
abririam mo do seu prncipe por este motivo? - perguntou
Beth.
_ um problemo, pelo menos pra mim! - respondeu Carol-
Meus pais nunca iriam deixar eu namorar um cara que no


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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


fosse da igreja.
_Ah! Meus pais no deixariam! E se dependesse s de voc?
_Professora, no faa isso comigo! No  justo!- disse Carol.
 As outras meninas no conseguiram segurar e comearam a
rir e falar todas ao mesmo tempo.
_Vocs percebem? A questo aqui  : meus pais no
deixariam! Mas se dependesse s de voc, voc abriria mo
por causa da sua f? H ainda algumas garotas que pensam
que podem comear a namorar um rapaz no cristo e depois
 s traz-lo para igreja. Unindo o til ao agradvel: ganho
um namorado e uma alma para o reino de Deus! Mas  um
caminho bem perigoso; mas quero saber outro motivo, grupo
2.
_Porque ele  namorado da minha melhor amiga! - disse
Amanda.
_Muito bem! Ento temos aqui uma competio. Ele  lindo,
maravilhoso, mas j tem dona!
comentou Beth.
_Dona! Eles so s namorados, no esto casados! Se liga!-
reclamou Priscila.
_Ento, se sua melhor amiga est namorando e voc se
interessa pelo namorado dela, no tem a menor importncia, o
que vale  o que voc sente?  isso Priscila? Vou ficar bem
longe de voc! - disse Amanda sem disfarar a indignao.
_Minhas queridas e amadas alunas, acalmem-se. Eu gostei por
vocs terem colocado este obstculo. Ningum gostaria de ter
o namorado roubado, aqui vale a mxima : Amar o prximo
com a ti mesmo! Ningum gosta de ser trado, ento no seja


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                          Tnia Gonzales


a traidor, ningum gosta de ser enganado, ento no seja o
enganador. Outro grupo...
_Meus pais no aceitam o namoro! - disse uma garota do 3
grupo.
_Vocs esto muito comportadas, at parece que no
namorariam escondidas, me engana que eu gosto  Priscila
mais uma vez fez um comentrio que mexeu com todas.
_Esperem! Uma de cada vez  disse a professora para colocar
ordem na classe.
_Professora, a Priscila  engraada, ela quer responder por
todas ns! Eu acho que  um grande obstculo meus pais
no aceitarem meu namoro, somos muito unidos l em casa.
- disse Carla olhando para Priscila.
_Duvido  provocou Priscila- Ele  o que eu sempre sonhei, o
meu prncipe encantado, mas papai e mame acham que no,
ento, tchau, meu prncipe !
 Depois do engraado comentrio de Priscila, foi difcil para
Beth manter a ordem na classe. As meninas falavam todas
juntas e ningum entendia mais nada.
_Chega! Chega! Meninas, por favor. Nosso tempo est
acabando. A prxima aula ser em Campos do Jordo, que
chique, vocs no acham? Mas agora, chegou a vez do
Grupo 4, podem falar...
_Ele  uma fraude! Sabe aquele carinha que  um gato?
Inteligente, bom moo, prestativo, educado, crente, mas  s
aparncia, na realidade ele  outra coisa, ele est fingindo para
conquistar? Eu digo isso pois conheci algum exatamente
assim - era a voz de Simone que no pertencia ao grupo 4- Eu


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              Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


sei que meu grupo j foi, mas eu precisava dizer isso,
desculpe.
_Tudo bem, Simone, continue- Beth queria ouv-la, as
manifestaes dela eram to raras...
_Pois  isso! Ele finge ser um prncipe, mas na realidade ele
s quer seduzir, depois ele conquista outra, pois para ele isso 
muito fcil.
_Infelizmente, meninas- comeou Beth- existem garotos que
s querem brincar com vocs, por isso muito cuidado, no
sejam ingnuas, mas  claro que ainda h bons rapazes,
cristos sinceros, mas os lobos tambm esto por a. Cuidado,
o corao  enganoso, a Bblia diz que ele  mais enganoso do
que todas as coisas6. No se deixem levar pelas aparncias. S
Deus sabe as verdadeiras intenes, s Ele conhece cada
corao. Por isso  to importante a comunho com Deus,
assim vocs aprendem desde cedo a serem orientadas por Ele.
Prximo grupo...
_Ele s quer ficar  disse Sandra do 4 grupo.
_Interessante! Ele s quer um passatempo, quer curtir! vocs
no aceitariam isso?-perguntou Beth.
_Me desculpe, sei que depois do que eu falar vocs vo querer
acabar comigo, mas vamos ser bem sinceras, ele  o mximo,
 algum irresistvel, vocs no esto falando srio, at parece
que iriam perder a oportunidade de ficar com ele. - disse
Priscila consciente dos olhares das outras - Eu j entendi,
vocs esto querendo agradar a professora Beth,  isso!
_Voc, Priscila, pelo jeito cede fcil, fcil! - provocou Carla.
6 Jeremias 17.9

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                        Tnia Gonzales


_Cuidado, olha como fala comigo!
_Meninas, por favor, hoje vocs esto impossveis. 
necessrio aprender a respeitar a opinio dos outros, ok,
Priscila? Como meninas que pertencem a Jesus, o grupo 4
est correto, se ele no quer nada srio para que eu vou
comear um relacionamento, s para dar uns beijinhos? Eu sei
que l fora isso  normal, mas no deve ser com vocs, vocs
so diferentes. Pena que o nosso tempo acabou. Mas, l no
retiro vamos conversar bastante. Vamos orar agradecendo
estes momentos e continuem orando pelo Carlinhos, creio que
logo ele estar entre ns novamente.




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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!



"O Filho de Deus tornou-se homem para possibilitar que os
homens se tornem filhos de Deus." C.S.Lewis

Captulo 6 -Culto especial

Eram 16h30min,        Ana havia tomado banho e estava
escolhendo uma roupa para ir ao culto quando ouviu o celular
tocando. Olhou para o visor e deu um leve sorriso, era
Alexandre.
_Al!
_Oi Ana, tudo bem? Estou atrapalhando?
_Oi , Alexandre, claro que no, e eu estou bem e voc?
_Estou bem. ... e-eu, me desculpe, eu gostaria de fa-fazer
um convite.
_Ok, estou esperando!
_Voc quer sair para comer pizza comigo depois do culto?
_Eu quero- Ana respondeu e ao mesmo tempo pensou que
sua resposta havia sado rpida demais.
_timo, ento...
_No, espera um pouco! Eu quero, mas eu preciso falar com
meu pai, eu tenho que ligar para ele, pedir autorizao, sabe
como ...
_Tudo bem, voc me liga para dar a resposta?
_Ligo! Alexandre... algum mais vai comer pizza ou s ns
dois?
_Eu estou convidando voc, a no ser que voc tenha algum
problema com isso?


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                         Tnia Gonzales


_No,  s para saber se era algum programa com pessoal da
igreja...
_Entendi!  um programa s para ns dois. Se voc quiser, 
claro!
_Eu ligo para voc em seguida, tchau!
_Eu aguardo! Tchau!
Ana no estava acreditando, ela havia recebido um convite
do dono dos lindos olhos azuis! Ser que o pai permitiria?
Ana no queria esperar mais nem um minuto, ento, ligou
para Roberto.
_No sei, no, filha! Voc sair com este rapaz sozinha? Qual a
idade dele?
_Vinte e um.
_Ele tem 21 anos? Ana, eu acho ...
_Pai, ns s vamos comer uma pizza! Voc no confia em
mim?
_Querida, claro que confio em voc,  nele que eu no confio,
eu nem o conheo! Iriam como?
_Como? De carro!
_No, vamos fazer o seguinte, eu deixo vocs irem com uma
condio: nada de carro, vo de nibus ou andando, sei l ,
mas no vo de carro.
_Pai, se eu falar isso pra ele vai pensar que eu sou uma
criancinha!
_Esqueci, eu tenho mais uma condio, o horrio de
chegada: 22h30min; sem estas duas condies, nada feito!
_T bom, eu vou falar com ele. Beijo pai e v se no chega
muito tarde, t?


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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


_Beijo, filha! Vou tentar! E cuidado, juzo! Tchau!
Ana desligou e ficou pensando qual seria a reao de
Alexandre. Com certeza ele iria dar um jeito de desfazer o
convite, quem manda ele querer sair com uma menor de
idade?
_Alexandre?
_Oi, Ana! E a ?
_Bom, ele deu duas condies...
Ana contou para Alexandre quais eram as condies impostas
pelo pai e esperou ansiosa pela resposta dele.
_S isso? Sem problemas!
_Srio?
_Seu pai est certo, Ana! Ele nem me conhece, eu at estou
surpreso por ele ter deixado!
_Como ns vamos fazer?
_ melhor eu passar na sua casa logo depois do culto.
_ Eu vou dar um jeito para sair rapidinho. Tchau!
Ana resolveu caprichar no visual, agora ela tinha um
encontro.

O culto comeou pontualmente s 18h, Ana estava se
esforando para parar de pensar no encontro que teria mais
tarde, mas era uma tarefa difcil, seria a primeira vez que ela
sairia com um rapaz. Ela havia contado para Carol que
prometeu guardar segredo e ficou toda animada com a
novidade.
 Antes de seu sermo, pastor Jair chamou Laura para louvar,
ela era dona de uma voz belssima , era uma jovem de 23


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                             Tnia Gonzales


anos muito esforada na igreja e estava noiva de Ronaldo o
lder dos jovens. Ela escolheu um louvor que tocou
profundamente os coraes de todos ali.
" Esprito Santo, ore por mim, leve pra Deus tudo aquilo que
eu preciso, Esprito Santo, use as palavras que eu necessito
usar, mas no consigo, me ajude nas minhas fraquezas, no
sei como devo pedir, Esprito Santo, vem interceder por
mim..."7

 Aps o louvor de Laura, Pr. Jair convidou todos para uma
breve orao, o clima estava propcio para o agir do Esprito
Santo de Deus, coraes quebrantados, lgrimas rolavam da
face de muitos. Naquele momento Ana esqueceu de tudo e s
pensou em como era bom sentir a doce presena de Deus.
_Meus amados, maravilhosa  a presena de Deus neste lugar,
aproveite estes preciosos momentos e sinta o agir do Esprito
Santo -- foram as palavras iniciais do Pr. Jair- Eu sinto que
h vidas aqui que esto sedentas, que cansaram de correr de
um lado para o outro e hoje querem dar ouvidos  voz de
Deus. Mateus escreveu no captulo 11 e versculos 28, 29 e
30: " Vinde a mim, todos os que estais cansados e
sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vs o meu
jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de
corao; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu
jugo  suave e o meu fardo  leve." Foi o Salvador manso e
humilde quem disse estas palavras, Ele faz o convite a todos,
Ele promete alvio! Jesus hoje te convida: Vinde a mim! E
7 Cantora : Fernanda Brum.

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               Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


hoje voc no vai conseguir recusar este to doce convite.
Como dizer no quele que sofreu e morreu por ti? Como
dizer no a um convite to singelo? Hoje voc no vai resistir!
Jesus est de braos abertos para te receber,  s voc dar um
passo. D um passo e Jesus te receber! Eu no vou falar
mais, eu sei que voc est ansioso para aceitar o convite do
Salvador. Por isso venha, pode vir agora, nem precisa levantar
a sua mo, simplesmente venha, Jesus te ama!
Quando o Pr. Jair parou de falar algo maravilhoso aconteceu,
vrias pessoas foram  frente, chorando, dava para perceber o
quanto elas estavam ansiosas. Foi algo realmente
inesquecvel. E no meio daqueles que estavam se entregando
para Jesus, estavam tambm os pais de Carlinhos, eles
finalmente tinham sido tocados pelo Esprito Santo de Deus.
Pr. Slvio, auxiliar do Pr. Jair , orou com todos eles, foi uma
orao de confisso e arrependimento.
_Amados  disse o Pr. Slvio- Que grande festa! Ns s temos
que agradecer ao nosso amado Deus por estas vidas
preciosas. Venham jovens e cantem aquele hino " Te
agradeo", pois temos muito o que agradecer nesta noite.
" Por tudo o que tens feito, por tudo que vais fazer, por tuas
promessas e tudo o que s, eu quero te agradecer, com todo o
meu ser"8
Quando o hino terminou, Pr. Jair fez uma orao especial e
depois os irmos foram se cumprimentando felizes sabendo
que tinham participado de um culto inesquecvel. Ana foi dar
um abrao em sua amiga da EBD, Cntia, que estava chorando
8 Msica do Ministrio de Louvor " Diante do Trono".

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                         Tnia Gonzales


e sorrindo ao mesmo tempo pela converso de seus pais. Foi
bem difcil conseguir sair do templo, o clima estava to
maravilhoso que dava vontade de ficar l, mas depois de
alguns minutos, Ana conseguiu chegar at o estacionamento,
o tio j estava dentro do carro, em seguida chegaram: Carol,
Isabel e Felipe. Sabrina iria sair com algumas amigas.
_Que culto! Que beno! Oh glria! - disse Rubens com
toda animao.
_ Tem razo, que culto! - concordou Isabel.
_Oh glria! - Felipe, Ana e Carol disseram juntos.
 Ana chegou em casa e resolveu mandar um torpedo para
Alexandre que respondeu          dizendo que chegaria em 15
minutos.
_Demorei? - perguntou Alexandre assim que Ana apareceu.
_Eu estava quase desistindo! - brincou Ana.
Eles foram at o ponto de nibus que ficava prximo  casa
de Ana e no precisaram esperar nem cinco minutos. Ana
achou meio estranho andar com ele assim, ela ficou um pouco
tmida, sem saber direito o que fazer, era tudo novo para ela.
Quando estavam no nibus conversaram sobre o culto,
Alexandre estava muito feliz pelos pais de Carlinhos. Ele
contou que Cntia e Carlinhos iam na igreja desde pequenos,
levados pela tia deles, a irm Lurdes, que trabalhava na
cantina, mas Carlinhos se afastou depois que fez amizade
com um pessoal que o apresentou s drogas. Depois de algum
tempo ele voltou disposto a abandonar aquela vida, mas
sempre tinha uma recada. Alexandre contou de um dia que
os jovens estavam ensaiando, Carlinhos entrou e comeou a


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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


dizer que estava vendo monstros, que estava sendo seguido
por monstros horrveis, e gritava muito. Ronaldo, o lder dos
jovens, o tirou de l rapidamente. Ele foi levado novamente
para o centro de recuperao.
_O centro de recuperao  em Suzano, n? Carol me contou
que toda semana vai um grupo fazer visita. Eu quero ir algum
dia  disse Ana.
_Aviso quando eu for novamente, assim ns podemos i-i-ir
juntos.
Ana reparou na leve gagueira e pensou que pelo menos no
era s ela que estava com um certo nervosismo.
_ melhor ns irmos direto para a praa de alimentao, no
temos muito tempo- Alexandre disse assim que chegaram ao
shopping.
Depois de alguns minutos j estavam sentados saboreando
uma deliciosa pizza.
_Aninha, Aninha! Algum te chama assim?
_Meu pai, s vezes; meu querido irmo, quando est querendo
alguma coisa; a vov Tele e minha prima Sabrina, s pra me
irritar.
_Srio? A Sabrina faz isso?
_ verdade! Ela fala de um jeito s pra me provocar! D pra
sentir pelo tom, entende?
_Sabrina!
_Mas, quem sempre me chamava assim era... minha me. A
no ser quando ela estava brava, a era um sonoro: Ana!
_Sua me! Voc deve sentir muita falta dela... ... me
desculpe, Ana.


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                        Tnia Gonzales


_No tem problema algum, s vezes  bom falar, sabe? L
em casa a gente meio que evita,  complicado...
_Entendo. Vocs duas conversavam muito?
_Muito, muito mesmo! Era to bom! Ela era professora, ento
sempre tinha uma histria de algum aluno e ela fazia questo
de saber sobre tudo o que tinha acontecido no meu dia
escolar.
_H quantos anos ela... se foi...
_Quatro anos....
_Sabe de uma coisa, vamos mudar de assunto, voc ficou com
um rostinho muito triste... que tal a pizza ?
_A pizza est tima.
_E a, Ana, voc pretende fazer faculdade?
_Com certeza! Vamos ver se voc consegue adivinhar ...
_Hum... tem alguma coisa a ver com um certo "chef"
Roberto?
_Na mosca! Eu vou fazer Gastronomia.
_Muito bem. Ento eu j vou me acostumando com a ideia,
"chef" Ana!
Quando faltavam 5 minutos para o horrio combinado com
Roberto, Alexandre deixou Ana no porto da casa dela. Ana
enviou uma mensagem para a amiga Ktia, que morava em
Santa F, contando sobre o encontro com Alexandre.
 Naquela noite, Ana ficou pensando em cada palavra dita por
Alexandre, era to bom conversar com ele, pena que tiveram
pouco tempo. Ana lembrou do sorriso, da voz, dos lindos
olhos azuis... pensou tanto que acabou sonhando. Sonhou que
estava no carro dele conversando e quando iam se despedir


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            Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


com um beijo no rosto, Alexandre se afastava bem
lentamente e colocava uma das mos no rosto dela, para sem
seguida deslizar at os seus lbios fazendo o contorno com
os dedos, o que fez Ana estremecer, em seguida ele se
aproximava ... e... Ana despertou de seu doce sonho.
"Era um sonho! Parecia to real! Que hora para acordar!" -
lamentou Ana.




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                        Tnia Gonzales



"De cem homens, um ler                  a   Bblia;   noventa   e
nove lero o cristo." D.L.Moody

Captulo 7 -Retiro

Felizmente a semana passou rapidamente, Ana estava super
ansiosa afinal havia chegado a sexta-feira e com ela os
ltimos preparativos para o retiro de carnaval, que prometia
ser timo. Depois da rpida sada do domingo  noite, Ana e
Alexandre tinham conversado pelo celular na quarta-feira e
ele havia feito a ligao, o que deixou Ana nas nuvens, pois
ela estava louca para ligar mas conseguiu se controlar. Carol
quis saber de tudo o que aconteceu no encontro de domingo
e Ana satisfez a curiosidade da prima que escutou com total
interesse. Naquela noite, Ana voltou a sonhar com Alexandre,
mas no foi nada agradvel, desta vez no era ela quem
estava com ele no carro era Sabrina e os dois estavam se
beijando. Ana acordou assustada e pensou como era injusto,
no outro sonho ela acordou bem na hora que ele iria beij-la.
_Lipe, acorda! Vamos, acorda, olha a hora! - insistia Ana com
o irmo. Vamos perder o nibus, j so seis horas!
Roberto estava de folga por isso foi ele quem os levou at a
igreja. Carol e Sabrina aproveitaram a carona do tio,
chegaram 10 minutos antes do horrio marcado para a sada.
Haviam 5 nibus estacionados  porta da igreja. Ana logo
avistou Alexandre que estava todo envolvido na organizao
do evento, o corao da garota acelerou ao receber um largo


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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


sorriso do rapaz. Ela no tinha a menor iluso de ir no mesmo
nibus que ele e muito menos de sentar-se ao lado dele, sabia
que seria muita pretenso de sua parte.
Para quem no iria ao retiro, o final de semana na igreja seria
bem agitado, teriam um jantar especial para arrecadar fundos
para misses, no qual Roberto iria emprestar toda sua
habilidade culinria, o que seria naquela mesma noite;
domingo seria um dia cheio de atividades para as crianas e
tambm teriam eventos para a 3 idade, caminhadas, oficinas
de trabalhos manuais e estava programado para tera-feira
uma tarde com direito a muitas delcias como bolos, pes,
etc... A vov Tereza estava animadssima prepararia o seu
bolo especial de fub cremoso que era sempre muito
elogiado.
Ana ficou muito feliz quando viu Simone entrar no primeiro
nibus, ela havia dito que no iria participar de jeito nenhum,
"que bom que ela mudou de ideia"- pensou Ana- E como ela
havia previsto, Alexandre foi no terceiro nibus e ela no
segundo junto com sua inseparvel prima Carol.
A viagem foi bem agradvel, a animao era geral. s dez
horas da manh chegaram  chcara em Campos do Jordo.
Tudo estava muito bem programado. Participaram de um
delicioso caf e depois todos estavam livres para conhecer a
chcara que era belssima, tinha 3 piscinas, quadras de
esportes, muita rea verde e excelentes acomodaes. Ana
ficou no quarto com mais 14 meninas entre elas Carol,
Priscila e Cntia. Foram montadas vrias equipes de trabalho,
Ana recebeu a misso de ajudar no almoo daquele dia que


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seria servido s 14h e na segunda-feira ela iria ajudar na
limpeza. Tudo foi muito bem dividido para que todos
ajudassem e se divertissem tambm.
_Ol, "chef" Ana! - cumprimentou Alexandre assim que
entrou na espaosa cozinha.
_Oi! - Ana ficou muito feliz ao v-lo, ainda no tinha
conseguido falar com ele .
_O que voc est achando desta cozinha?  digna de uma
"chef" ?
_Est bem organizada, tem de tudo aqui. E onde est a chef?
Algum viu? - perguntou Ana para as outras meninas que
estavam ajudando.
_No disfara, no, Ana! Filha de peixe... - comentou Cntia -
Estou sabendo que voc  fera na cozinha!
_Que cheirinho bom!- Beth foi logo dizendo ao entrar- Eu
no sei quanto  vocs, mas eu j estou com uma fome!
_Este lugar  perigoso! Balana... no espere por mim na
quarta-feira! - o comentrio foi de Lurdes, a tia de Cntia, que
sempre estava comeando um regime novo.
O almoo ficou pronto na hora planejada. Tudo estava
delicioso, macarro, carne, vrios tipos de salada, sucos,
refrigerantes e sorvete de sobremesa. Aps o almoo, Ana
aproveitou para descansar um pouco, foi at a rea verde e
sentou-se debaixo de uma rvore, o clima era maravilhoso.
Ana fechou os olhos e ficou ali distrada com seus
pensamentos.
_Desculpe interromper a sua meditao, mas eu posso me
sentar ao seu lado?


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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


Ana se assustou, estava to envolta em seus pensamentos,
que no percebeu a aproximao de Eduardo, um bonito
rapaz de 20 anos que era conhecido como "o paquerador",
Ana nunca havia falado com ele, s sabia de sua fama.
_Pode. - disse Ana meio contrariada.
_Ento, voc  a linda garota de veio do interior. Linda
garota!
 Ana no gostou do jeito que Eduardo olhava para ela, ele a
estava encarando com um sorriso to cnico, pelo menos foi a
impresso que ela teve.
_Ana, no ?
_Acertou! E voc ...
_Eduardo! Pode me chamar de Edu se quiser ou Dudu, fique 
vontade, gata! Voc pode tudo! Tudo!
Neste momento Ana pensou se no apareceria algum para
salv-la.
_Sabe Ana, eu quero aproveitar muito bem este retiro e voc?
_Depende o que voc chama de aproveitar!
_Aproveitar, gata! Sentir emoes, sabe, muitas emoes. Eu
posso dizer que j comecei sentir algo especial, voc gata,
voc  to... linda,  difcil aguentar ficar longe de voc,
sabia? Posso me aproximar um pouquinho mais?
_Eu acho que  melhor no! A distncia est bem legal.
_No faz isso comigo! Voc machuca meu pobre corao!
_No  esta a minha inteno, bem eu acho melhor voltar,
preciso ...
_Espera, gata! No se v...
Eduardo segurou o brao de Ana enquanto ela se preparava


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para levantar.
_Solta o meu brao...
_Gata, vamos aproveitar a oportunidade! Com tanta gente
nesta chcara quando ns vamos ficar sozinhos novamente?
_Quem foi que disse que eu quero ficar sozinha com voc?
Solta o meu brao...
_E a, Edu! - Ana reconheceu a voz imediatamente e sentiu
um enorme alvio.
_Oi, Al! Eu estava aqui conversando com a Ana. Mas eu
preciso ir agora, tchau Ana, Al!
_Tchau! - respondeu Alexandre sem tirar os olhos de Ana.
_Por que voc demorou tanto? - perguntou Ana agora
sorrindo aliviada.
_Ele estava te incomodando,  ?
_Nossa, ele  sempre assim?
_Assim como?
_Deixa pra l! Conseguiu uma folga?
_Eu mereo um descanso, voc no acha?
_Acho!
_Parabns, o almoo estava show!
_Eu no sou a nica responsvel. Somos uma equipe!
_Que modstia! Eu estava pensando se teria uma
oportunidade de conversar com voc com toda esta agitao.
_, parece que voc conseguiu e ainda por cima me salvou!
_Voc estava mesmo tendo problemas com o Edu? Eu acho
que voc ia se sair muito bem da situao.
_ srio, eu fiquei aliviada quando voc chegou, eu no
queria ser grosseira, mas ele estava comeando a me irritar e


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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


me assustar tambm. Que garoto mais abusado e foi a
primeira vez que ele falou comigo!
_O Edu  assim, ele  metido a conquistador. Voc no acha
que ele  bonito?
_No basta ter um rostinho bonito,  preciso muito mais...
_Muito mais o qu ?
_Precisa ter um pouco de "semancol", em primeiro lugar.
_E o que mais?
_Sinceridade, gentileza, inteligncia, responsabilidade, temor
a Deus, eu acho que deveria ter falado esta no incio.  o
princpio de tudo, certo?
_Ser que h algum que voc conhea com estas qualidades?
- Alexandre perguntou sem esconder o interesse.
_Bem... eu... - Ana ficou com uma vontade imensa de dizer
que achava que ele tivesse as qualidades, mas no teve
coragem.
_Voc ainda est procurando?
_ isso, eu estou procurando.
_Tem esperanas de encontrar?
_Eu sei que vou encontrar, ou melhor, talvez ele  que precise
me encontrar... - Ana rapidamente se arrependeu de dizer isso,
mas no dava para voltar atrs.
Eles ficaram em silncio por alguns instantes que pareceram
uma eternidade para Ana. Alexandre ficou olhando para ela e
Ana no desviou o olhar, mas percebeu que estava ficando
corada. Alexandre se aproximou e passou levemente a mo
no rosto dela. Ana estremeceu pois lembrou do sonho, mas
esta reao fez com que ele se afastasse.


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                         Tnia Gonzales


_De-de-desculpe, e-eu a-acho me-me-melhor voltar... passam
das quatro, preciso ajudar a organizar algumas coisas, vo-voc
vem?
_Eu vou ficar mais um pouquinho aqui -disse Ana pois
precisava de alguns minutos sozinha.
_Ento, a gente se v mais tarde.
Ana ficou pensando: " Se eu tivesse ficado bem quietinha, ele
teria me beijado ali? Ser que eu cheguei perto de ser beijada
pela primeira vez? Por que eu no fiquei imvel? Por que
fiquei to envergonhada? O que ser que ele pensou ? Com
certeza que eu sou uma garotinha boba. Ele ficou bem
nervoso desta vez e como gaguejou!"

_Vamos l pessoal! comeou Beth- Ns dividimos vocs em
vrios grupos para que possamos fazer uma atividade
chamada de " Confidncias". Funciona assim: nestas urnas
foram colocados os nomes de cada um de vocs, conforme a
diviso dos grupos. Ento se voc pertence ao grupo A chega
at a urna A e pega um nome, que ser de algum integrante do
grupo B, voc ter que chegar at a pessoa e andar com ela
pela chcara para conversarem durante 1 hora. Ns tomamos
o cuidado de dividir os grupos de acordo com certas
afinidades para ter certeza que a pessoa com quem voc ter
que conversar no  um amigo chegado seu, pois o objetivo 
conhecer melhor o outro. Exemplo : A Carol com certeza no
vai tirar a Ana, por motivos bvios. Entenderam? Eu quero
agradecer a todos os professores da EBD pela ajuda na
diviso dos grupos. Pessoal, levem isso a srio, eu espero que


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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


vocs sejam bem maduros para no fazerem cara feia no
momento que souberem com quem voc dever conversar. E
ateno para a programao: s 19h vamos todos nos reunir
para um caf no refeitrio, leve o seu amigo ou sua amiga; s
20h30min teremos competies acontecendo nas 4 quadras;
pizza s 22h30min, no se esqueam de vir com roupa social
e depois teremos o culto da meia-noite! Vamos comear!
 Ana ficou muito feliz por ter tirado o nome de Simone, era
uma tima oportunidade para conhec-la.
_Eu gostei muito por ter tirado o seu nome, Simone!
_Voc pode at ficar surpresa, mas eu tambm gostei por ter
sido voc.
As duas comearam a se afastar do pessoal que ainda estava
realizando o sorteio, pois cada um que pegava o nome j
deveria sair para conversar.
_O que voc est achando da ICVV?- disse Simone.
_Eu gosto muito da igreja,  sempre to cheia de atividades!
Amo a EBD e os cultos so uma beno.  uma igreja que
nos ajuda a crescer, pelo menos  isso que eu penso. Quanto
tempo faz que voc congrega na ICVV, Simone?
_Uns dois anos. Eu morava em So Bernardo, me mudei e fui
parar l na ICVV, foi uma indicao de uma amiga da minha
me.
Depois de mais alguns minutos conversando, Ana resolveu
fazer uma pergunta mais pessoal para Simone.
_No sei se voc vai gostar da minha pergunta , mas,  que
eu percebi que nas aulas da EBD voc tem uma reao bem,
como eu posso dizer... bem agressiva para alguns assuntos.


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                        Tnia Gonzales


Por qu?
_Agressiva?  eu acho que voc pode dizer assim mesmo ou
talvez : indignao.  talvez esta seja a palavra certa,
indignao. Eu fico louca quando aquelas meninas comeam
com a histria do prncipe encantado. Elas so to ingnuas!
Como que algum pode acreditar que exista um rapaz
maravilhoso, gentil, educado, fino e o que mais? Lindo,
cavalheiro. Por favor, isso no existe!
_Ento estamos todas perdidas! - concluiu Ana.
_Acho que sim. Desculpe, Ana. Eu no quero assustar voc.
Mas  que eu j passei por... situaes que no desejo para
ningum.
_Se voc quiser contar, fique  vontade...
_H coisas que eu no posso te contar, Ana, no  por causa
de voc, no.  que existem coisas muito difceis de dizer-
Simone estava se referindo ao abuso que ela sofreu quando
tinha apenas 9 anos. Um primo que morou com a famlia
durante 2 meses, se aproveitava da ausncia dos pais de
Simone, que iam trabalhar, e tentava seduzir a menina. Ele
trabalhava  noite e durante o dia ficava na casa. Simone ia
para escola de manh e  tarde limpava a casa e com o tempo
que sobrava ficava brincando. O primo ficava conversando
com ela, a abraava e passava as mos em seu corpo de
menina, uma vez chegou at a dar um beijo na boca dela. Ela
no tinha coragem de contar para sua me. Ela s chorava
escondida, sem saber o que fazer, pensando que deveria ser
culpa dela. Foi um grande alvio quando o primo foi
transferido para uma outra cidade. Mas isso era passado e


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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


ningum precisava saber do seu segredo. Mas tinha uma
histria que ela queria contar para Ana- Eu tenho meus
motivos para ser assim to "dura"; eu vou te contar algo que
eu gostaria que ficasse s entre ns.
_Tudo bem, pode confiar em mim.
_Eu no sei por que Ana, mas eu confio em voc. Bem,
quando eu tinha 15 anos, agora eu tenho 18, portanto h 3
anos eu conheci um rapaz chamado Reinaldo que na poca
tinha 22 anos; ele era bonito, estava fazendo faculdade de
Direito, o pai dele era dono de uma pequena rede de
supermercados. Ou seja eles tinham um padro de vida
superior ao meu. E um detalhe: meus pais trabalhavam para
eles. Reinaldo pregava em todos os congressos, ele falava
muito bem. Minha me achava que ele era o mximo, um dia
ela me disse que era uma pena eu ter s 15 anos, pois ele era
um partido! Mas, o partido olhou para mim mesmo eu
tendo apenas 15 anos e minha me ficou encantada,
convenceu meu pai a aceitar nosso namoro. Para mim ele era
um sonho, o meu prncipe! As meninas da igreja me
invejavam. Meu av, que infelizmente morreu h 1 ano,
achava um absurdo, ele dizia que no era certo eu namorar to
cedo e com um rapaz to maduro. Durante 5 meses Reinaldo
foi um verdadeiro prncipe, ele me enchia de presentes, era
to gentil! Mas um dia ele me disse que os pais tinham me
convidado para uma festa na casa deles. Meus pais naquele
sbado tinham ido visitar uns parentes nossos que moravam
em Mogi das Cruzes, s voltariam no domingo, iriam
aproveitar a folga. Como meu av no quis ir eu fiquei com


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                        Tnia Gonzales


ele. Coloquei uma roupa que Reinaldo havia comprado para
mim e prometi a meu av que no chegaria tarde. Quando
chegamos na casa eu percebi que estava tudo muito silencioso
, achei estranho. Ento ele me disse que havia achado um
bilhete dos pais dizendo que tinha acontecido um problema,
por isso eles precisaram sair e pediram desculpas para mim.
Eu pensei que ns amos embora naquele momento, mas ele
falou que ns podamos aproveitar para namorar um pouco.
Ele comeou a me olhar de um jeito estranho, me beijou e
foi deslizando as mos para minhas pernas, ele nunca havia
agido daquela forma. Eu tentei me afastar, mas ele me
abraou com fora ento eu disse para ele soltar pois estava
me machucando. Me desculpe, Ana,  to difcil falar!
_Tudo bem, Simone, no precisa dizer mais nada.
_Eu preciso falar, Ana, eu preciso! Ele continuou me
apertando e passou a mo em meus seios , eu fiquei pasma.
Por que ele estava agindo daquele jeito? Eu disse pra ele
parar e comecei a gritar. Consegui me afastar dele por um
momento, mas ele se levantou e veio com toda a fria, me
disse que ele sabia muito bem o que eu estava querendo e era
exatamente o que eu ia receber. Eu gritei novamente e ele
ficou com tanta raiva que me deu um tapa no rosto. Eu sa
correndo tentando chegar at  porta, foi quando a campainha
tocou. Era o meu av- Simone no conseguiu segurar mais as
lgrimas, Ana a abraou consolando-a e por alguns instantes
elas permaneceram assim.
_Ana, voc no sabe o alvio que eu senti quando vi o meu
av. Reinaldo abriu a porta, disse para eu sair e me ameaou.


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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


Eu no deveria contar nada seno meus pais  que sofreriam
as consequncias. Eu disse para meu av que precisava sair
dali rapidamente e ele no me perguntou nada. Quando ns
chegamos em casa ele disse que estava orando e de repente
sentiu que deveria me buscar com urgncia. Ele me disse que
foi algo muito forte, ele precisava me buscar. Eu contei tudo
para ele, coitado do vov, ns choramos juntos e fizemos
uma orao de agradecimento naquela noite. Quando meus
pais chegaram, vov contou toda a histria, eles ficaram
perplexos, no dava para acreditar, mas eles preferiram o
silncio. Por isso nos mudamos de l e meus pais pediram
demisso. E foi isso. Para mim, Ana,  muito difcil acreditar
novamente, talvez at exista algum sincero, mas eu acho
mais fcil desconfiar,  mais seguro.
_Eu sinto muito, Simone!  to triste saber que algum que
est na igreja, que at prega a Palavra tem a coragem de fazer
uma coisa dessas.  muito triste! Mas voc no deve pensar
que todos so assim, ainda existem pessoas sinceras...
_Obrigada por me ouvir, Ana. Eu precisava desabafar, s
podia conversar sobre isso com meu av. E eu estava pedindo
a Deus por algum em quem eu pudesse confiar, hoje na hora
do almoo voc me deu um sorriso e eu senti que voc seria
esta pessoa, quando a Beth explicou a atividade eu pensei que
se voc tirasse o meu nome era porque Deus havia preparado
voc para ser minha amiga. Pena que foi s eu quem falei.
Mas eu acho que ns teremos outras oportunidades.
As duas ficaram mais alguns minutos ali, sem dizer uma
palavra, s abraadas e permitindo que as lgrimas rolassem


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                       Tnia Gonzales


livremente.
Quando Ana e Simone chegaram ao refeitrio ele j estava
lotado de jovens que animados saboreavam pes, bolos e
muitas outras delcias. Depois foi a hora do esporte, Ana
jogou vlei, seu time fez uma bela partida, e estavam
esperando o resultado do outro jogo para saber com quem
jogariam no prximo dia. Alexandre estava jogando basquete
e Ana aproveitou para ir torcer por ele. Mas infelizmente o
time dele no foi muito bem e acabou perdendo. Ana gostou
de poder v-lo ali na quadra, ele ficava uma graa ,
principalmente quando ia fazer uma cesta.
_Que pena o seu time ter perdido! Mas voc jogou muito
bem, se isso servir de consolo!- disse Ana quando Alexandre
se aproximou todo suado.
_Voc estava torcendo por mim? Diga que sim, me faa
feliz. - brincou Alexandre.
_Engraadinho! E a voc conversou muito no "
Confidncias" ? - perguntou Ana.
_Eu no participei, o Ronaldo precisou de mim . E voc
gostou da atividade?
_Eu gostei, foi muito bom.
_Voc no conversou com o Edu, no ?
_ claro que no! E no gostei da brincadeira! Eu conversei
com a Simone e foi timo.
_Legal! Mas no fique brava comigo.
_No d pra ficar brava com voc!
_Que bom saber disso.
_Al! Chega aqui amigo gritou Tiago, filho do Pr. Jair e


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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


amigo de Alexandre desde que eram crianas.
_Eu preciso ir, mais tarde a gente conversa- disse Alexandre
meio contrariado.
_Tudo bem, at mais.

 s 22h30min o refeitrio estava cheio de jovens bem
vestidos e famintos. As mesas foram muito bem arrumadas,
a equipe havia caprichado. As pizzas estavam deliciosas.

_S! Eu preciso te contar uma coisa  comeou Priscila
puxando Sabrina para um lugar afastado do pessoal.
_Um segredinho? - perguntou Sabrina toda curiosa.
_No sei se  segredo, mas a minha prima Mrcia me disse
que foi ao shopping domingo passado e viu o Al.
_O Al? E da? Qual  a novidade?
_Voc no quer saber com quem ele estava? A minha prima
disse que era com uma garota que ela no conhecia, mas hoje
, de repente, quem ela v aqui no retiro?
_Aqui?
_Voc reparou que a minha prima veio, n sua desligada?
Mrcia no congregava na ICVV, mas sempre quando havia
algum passeio ela gostava de participar.
_Claro, Pri! Mas quem  a garota afinal?
_Voc acha que eu vou falar assim sem fazer um suspense?
_Pri! Para com isso, fala logo!
_Voc no vai acreditar! O Alexandre estava na praa de
alimentao com ... a sua prima Ana!
_O qu? A Ana? No acredito! O Al saindo com a Ana?


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_Pois  amiga, voc no reparou que eles esto sempre
conversando?
_Eu no! A Ana  muito nova pra ele, ela tem quase a mesma
idade da Carol.
_A Mrcia disse que tem certeza que era ela. Mas isso
importa pra voc? Vocs terminaram h bastante tempo!
_Claro que importa! No tem nada a ver o Al com a Aninha!
Se liga!
_, amiga, no sei no! Eu no tinha notado nada, mas depois
que ela me falou eu j peguei os dois conversando duas
vezes.
Sabrina no gostou de saber da novidade, no entrava na
cabea dela a possibilidade de Alexandre se interessar por
Ana. Resolveu ficar de olho, ela tinha que saber se isso era
mesmo verdade.

Mais tarde eles participaram de um culto especial, com muito
louvor, testemunhos, orao e a Palavra que foi ministrada
pelo lder de jovens, Ronaldo.
_Jovens, vamos agradecer a Deus pelo nosso primeiro dia de
retiro, amanh teremos palestras, gincanas e muito mais-
disse Ronaldo para encerrar as atividades do primeiro dia.
Aps a orao todos foram para seus quartos, eram duas horas
da madrugada; o silncio demorou a chegar na chcara,
foram risadas, brincadeiras e muita conversa.




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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!



" A tentao  uma goteira incessante. A santidade  o
compromisso de no se deixar molhar." S.Francisco de Assis

Captulo 8 -Palestra

Ana levantou antes das oito, tomou um banho e foi at a
cozinha para ver se precisavam de uma mozinha, o caf s
seria servido s nove horas. L encontrou a equipe
trabalhando a todo vapor. Alexandre, Tiago, Felipe e duas
garotas que Ana no sabia o nome, estavam arrumando tudo
para o caf da manh.
_Bom dia pessoal! Precisam de ajuda? - cumprimentou Ana.
_Oi, Ana! Se voc quiser ns no vamos impedir- respondeu
Alexandre sorrindo.
_Estamos precisando mesmo de ajuda, tem certas pessoas que
no sabem nem um pouco o que  ter responsabilidade, esto
marcadas aqui- disse Tiago mostrando a escala de trabalho
daquele dia- mas o soninho est muito bom!
Ana entrou na cozinha, deu um empurrozinho em Lipe e foi
lavar as mos. Alexandre estava cortando os bolos e ela
resolveu ajud-lo.
_Tinha que ser a dupla dinmica : S e Pri, no d pra contar
com elas mesmo! - o comentrio foi de Sueli, irm de
Ronaldo.
_Quer um pedacinho? - perguntou Alexandre, que estava com
um pequeno pedao de bolo de fub cremoso nas mos.
_Eu quero! - Ana respondeu brincando, mas antes que ela


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                        Tnia Gonzales


tivesse tempo de alguma reao, Alexandre colocou o pedao
de bolo na boca dela.
_Que coisa mais meiga! Que cena mais tocante! Que lindo! -
Sabrina comentou ao entrar.
_Que eu perdi? - perguntou Priscila que entrou logo atrs de
Sabrina.
_Voc perdeu o Al         colocando um delicioso bolo na
boquinha da minha priminha Aninha! No  lindo? - Sabrina
disse sem disfarar a ironia.
 Ana ficou corada. No sabia o que dizer. Foi salva por Tiago
que aproveitou para dar uma chamada nas duas.
_Muito bem, meninas! Por que as bonitinhas chegaram to
rpido? Podem dormir mais um pouquinho, eu deixo! D
licena, "p" Sabrina , esqueceu que era para voc e a sua
inseparvel amiga virem ajudar? Se no fosse a Ana dar uma
mo! Voc j viu que horas so? Daqui a pouco o pessoal vai
chegar morrendo de fome!
_Pega leve, Tiago! Ns perdemos a hora! Valeu priminha,
voc  to prestativa!
_Bom, eu vou esperar o caf l fora, j que as duas
chegaram ... disse Ana saindo da cozinha.
_Valeu, Ana! - Alexandre fez questo de agradecer e Ana
respondeu com um leve sorriso.
No demorou muito tempo para os participantes do retiro
lotarem o refeitrio. Simone, Ana e Carol estavam sentadas
juntas conversando animadamente, quando Alexandre chegou
com um pequeno prato e ofereceu para Ana.
_Olha aqui, Ana, esto bem quentinhos, como voc gosta,


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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


certo?
 Ana havia contado, no dia que foram ao shopping, que
adorava po de queijo bem quentinho, ela ficou surpresa por
ele ter lembrado e mais ainda por ele estar ali oferecendo
para ela tendo uma plateia curiosa de olho neles.
_Nossa, que rapaz mais atencioso! - comentou Simone.
_Por favor,  pra vocs tambm! - Alexandre tratou logo de
dizer.
_Valeu! Mas a devoradora de po de queijo aqui  a Ana!
_Obrigada, Alexandre! Que delcia! - Ana agradeceu, ficou
encantada com o que ele fez e tambm muito envergonhada ,
pois quem estava por perto comeou a gritar e assobiar.
Sabrina ficou sabendo rapidamente do ocorrido, Mrcia havia
presenciado tudo.
_, a coisa est ficando sria! Tenho que agir, antes que
minha adorvel priminha se envolva mais- disse Sabrina para
Priscila e a Mrcia, quando se afastaram da multido.

 A programao na parte da manh havia sido alterada, agora
a palestra iria acontecer s 16h, por isso at o horrio do
almoo eles teriam o tempo livre, vrios jovens aproveitaram
as 4 piscinas e outros foram jogar futebol, basquete... O
campeonato de vlei s continuaria na segunda, Ana queria
muito conversar com Alexandre, mas sabia que seria bem
complicado. Mas, de repente, ela viu quando ele entrou na
sala onde seria realizada a palestra, resolveu aproveitar a
oportunidade.
_Oi, posso? - perguntou Ana colocando s a cabea para


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                         Tnia Gonzales


dentro da ampla sala.
_Oi, claro, entre Ana! - convidou Alexandre.
_Eu no quero atrapalhar, eu sei que voc deve ter muitas
coisas para organizar antes da palestra, mas eu precisava falar
com voc.
_Que isso, Ana, voc nunca me atrapalha- disse Alexandre
puxando uma cadeira para ela.
_Eu s queria agradecer pelo po de queijo quentinho.
_Voc j agradeceu l no refeitrio.
_Daquele jeito com todo mundo olhando eu fiquei to sem
graa que minha voz nem saiu direito. Estavam deliciosos.
Voc me surpreendeu por ter lembrado do detalhe dos
pezinhos.
_Eu lembro de tudo o que voc me fala. Mas eu acho que no
deveria ter levado ali com toda aquela turma olhando, no foi
uma boa ideia, mas eu nem pensei nisso na hora. E me
desculpe por aquele lance do bolo.
_No, que isso! O problema foi a Sabrina ter entrado bem na
hora.
_A Sabrina no tem nada a ver...
_Bom, vocs dois j...
_Ana, isso  passado, eu no devo nada pra Sabrina.
_Eu posso te fazer uma pergunta?
_Tudo bem, faa.
_Eu queria saber... ...
_Ana, pode perguntar.
_...por que voc e a Sabrina terminaram?
_Esta  a pergunta? Eu acho que a pergunta seria outra: por


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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


que ns comeamos? No era nem pra ter comeado, foi um
erro. Mas, eu no gostaria de falar sobre isso, Ana. Eu acho
que  desagradvel ficar falando sobre ex-namorada.
_Mas ...quem foi que terminou? - insistiu Ana.
_Ana, Ana! Me desculpe, eu no vou falar sobre isso. No me
leve a mal e no fique chateada comigo.
_Tudo bem, se voc no quer falar...  melhor eu ir...
_No, Ana, e-e-espera, no sai assim brava comigo, por fa-
favor.
_Eu no estou brava, voc tem todo o direito de no querer
falar. Eu no deveria ter perguntado. Eu vou pra piscina,
refrescar as ideias. Tchau, mas no se preocupe, est tudo
bem.
Quando Ana saiu Alexandre ficou pensando que este era um
assunto que definitivamente ele no gostaria de falar com
ela.

_Oi, Aninha, at que enfim voc resolveu cair na piscina,
minha gata! - disse Eduardo o que fez Ana se arrepender de
ter resolvido dar um mergulho.
_Oi e tchau! Estou vendo minha prima ... Carol... - Ana
tratou logo de dar um jeito para ficar longe de Eduardo.
_Voc est sendo assediada pelo Edu? Cuidado! - disse Carol
assim que a prima se aproximou.
_Eu j estou sabendo da fama dele. Voc viu o Lipe?
_Ele est dando um show de bola , fez 2 gols.
_Meu irmozinho! Que bom que ele est se divertindo. Ele
estava meio chateado por causa da Larissa.


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                        Tnia Gonzales


_Eu acho a maior fria este negcio de namoro  distncia... E
voc precisa ouvir o comentrio do pessoal sobre aquela
histria do po de queijo!
_Esto comentando?
_Claro! Nossa, que gentil, ele levou pezinhos de queijo para
ela, bem quentinho! Ai que po! Eu tambm quero um po
destes! E por a afora...
_Este tipo de comentrio? Por favor! Ele s quis ser gentil.
_Que gracinha!
_Para com isso, Carol!

O horrio da palestra finalmente havia chegado, o local era
um auditrio com capacidade para 300 pessoas, muito bem
equipado. Ronaldo, o lder de jovens, chamou o grupo de
louvor para um momento especial de adorao; depois
convidou todos para uma orao e em seguida deu incio 
palestra com o tema: " Tentao, como venc-la?"
_Queridos jovens, abram as suas Bblias em Gnesis 39.6-12,
eu quero que vocs faam uma leitura silenciosa- Ronaldo
esperou alguns instantes e continuou- bem, agora ns vamos
assistir  algumas cenas de um filme sobre a vida de Jos,
vocs vero na tela exatamente o que acabaram de ler.
Os jovens viram Jos sendo assediado pela mulher de Potifar
e resistindo  tentao, dizendo que no poderia pecar contra
Deus. A ltima cena foi a de Jos fugindo e a mulher gritando
calnias contra ele.
_Jos, vocs conhecem bem a histria, por causa da inveja de
seus irmos, foi vendido e levado como escravo para o


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                 Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


Egito, l foi comprado por Potifar que era um oficial de
Fara, que vendo a capacidade de Jos, o colocou como
mordomo de sua casa e a esposa de Potifar colocou os olhos
no rapaz. A Bblia diz que Jos era "formoso de porte e de
aparncia". Ela pediu para que Jos se deitasse com ela, olha
a a tentao, jovens! Por muitos dias aquela mulher ficou
fazendo o mesmo convite e ele recusando. At que um dia ele
precisou sair apressadamente, pois ela o havia tocado, a Bblia
diz que ela o pegou pelas vestes, ele acabou por deixar as
vestes l nas mos dela e fugiu. Ela o caluniou. Ele foi parar
na priso, injustiado. Qual foi a sada que Jos encontrou
para no ceder  tentao?- perguntou Ronaldo aos jovens.
_Fugir! - disse Tiago.
_Correto. Ele fugiu. Quantos se sentem to fortes que vo
ficando, ficando... at que no aguentam mais. Jovens, Jos
era de carne e osso, a mulher deveria ser bem atraente, e ela
insistiu muito; Jos estava distante de sua famlia, distante de
sua terra, mas no estava distante de Deus. Note que ele disse:
"...Cometeria eu tamanha maldade e pecaria contra Deus?"9
Vocs podem at dizer que mesmo assim ele foi acusado e
acabou preso, correto, mas ele era inocente e um dia Deus o
honrou. Jovens, todos os dias vocs enfrentam situaes que
exigem uma deciso. Exemplo: o namorado pedindo para a
namorada uma prova de amor, ele insisti, diz que se no for
atendido vai terminar o namoro, o que a moa pode fazer?
_Terminar o namoro  respondeu uma garota.
_Ser? - duvidou outra.
9 Gnesis 39.9

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                         Tnia Gonzales


_Se o cara tiver a cara de pau de me pedir isso, eu mando ele
pastar- disse Elisa uma garota que frequentava a ICVV h
poucos meses.
_Jovens, se vocs estiverem conscientes que o relacionamento
sexual  algo muito especial e que deve ser realizado somente
aps o casamento, vocs tero fora para resistir- acrescentou
Ronaldo.
_ Ronaldo, voc deu o exemplo de um rapaz fazendo a
proposta para uma garota, mas e o contrrio? Porque
acontece, viu? - perguntou Flvio de 19 anos.
_Claro que acontece! H garotas que ficam provocando, que
insistem e se o rapaz recusar elas ficam uma fera! - explicou
outro.
_Vocs esto certos. Mas a questo  como vocs podem sair
de uma situao desta sem pecar? - perguntou Ronaldo- Jos
fugiu e se livrou do erro. Um casal de namorados que passam
muito tempo        juntos    e sozinhos, encontram muitas
oportunidades para carem no erro, qual a soluo aqui?
_Namorar com o pai no meio- sugeriu Cntia e todos riram da
ideia- ou a me se vocs acharem melhor.
_ engraado, mas no  uma m ideia! - disse Ronaldo-
Jovens, evitem ficar tempo demais sozinhos, eu sei que
quando se namora voc quer estar com seu amor o mximo de
tempo possvel e de preferncia sem ningum por perto, mas 
perigoso, porque comeam os abraos, os beijos mais
calientes e a vocs ficam a um passo de cometerem algo que
vo se arrepender depois. E tem outra coisa, porque tem
muitos que fazem tudo, passam a mo em tudo o que  lugar e


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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


depois se dizem virgens. Cuidado, olha a mo boba. Vocs so
inteligentes, esto me entendendo. Deus quer o nosso bem,
Ele criou o sexo para o prazer tambm, mas existe o tempo
certo para tudo. E o tempo certo para o relacionamento sexual
 o casamento. Para muitos pode ser caretice, mas,  o melhor.
Atualmente h uma moda de "anel da virgindade", se a moda
realmente pegar timo! Mas para o cristo isto no  moda, 
uma escolha de vida. Porque antes, aquele que se dizia
virgem era ridicularizado, e muitos nem falavam sobre o
assunto, agora usam at anel para demonstrar para todos a sua
deciso. Jovens, que esta importante deciso esteja no corao
de vocs. Ns estamos falando sobre namoro, mas cuidado, o
perigo no mora somente a; a tentao aparece de diversas
formas. No caso de Jos era uma mulher casada, ento
ateno. E outro aviso, no usem a internet para ver coisas
imprprias, pois se vocs passarem suas horas vagas vendo
pornografia, o que ser que vai ocupar o pensamento de
vocs? A internet  um timo instrumento de pesquisa, de
lazer, etc, mas tambm  um perigo, no  porque voc est
sozinho em seu quarto que voc pode tudo,ningum est me
vendo mesmo, posso ver e fazer o que bem entender. Meus
queridos, Deus tudo v; o famoso pregador D.L. Moody disse
algo interessante:" Carter  aquilo que somos no escuro " ;
e Thomas  Kempis, que foi um monge e escritor alemo,
disse:" O que s aos olhos de Deus,  o que tu
verdadeiramente s." ; acho que estas duas frases dizem tudo,
n? Ento, jovem no ceda, vale a pena se guardar para o
momento especial que Deus reservou para voc. A professora


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                         Tnia Gonzales


Beth vai assumir agora...
_Obrigada, Ronaldo. Vamos continuar com o assunto, eu
quero que vocs prestem ateno  algumas cenas do filme "
O som do corao"- depois de alguns minutos Beth
continuou- este filme conta a histria de um garoto de 11
anos que mora em um orfanato e deseja encontrar os pais;
ento no desenrolar do filme ns ficamos sabendo o que
aconteceu com os pais dele; a cena que vimos mostra um
encontro entre um rapaz e uma moa. Eles acabaram de se
conhecer e j passam a noite juntos; resultado: ela engravida,
mas ele, por algumas reviravoltas na histria, no toma
conhecimento do fato e continua sua vida; acontece um
acidente com ela e o pai aproveita a situao para dizer que
ela havia perdido o beb que na verdade foi dado para adoo.
Os anos passam e o garoto, que est no orfanato, resolve ir ao
encontro dos pais mesmo sem ter a mnima ideia de quem so.
A histria prende, emociona; o garoto  um gnio musical e
isso vai ser revelado aos poucos ; um detalhe: os pais dele so
msicos. Mas, o que eu quero destacar  fato dos dois
pombinhos acabarem de se conhecer e o que eles fazem?
Resolvem se "conhecer" pra valer. No filme fica aquela coisa
linda, que romntico! Mas isso tem outro nome:
irresponsabilidade. Consequncia: uma criana abandonada.
Foram pela emoo e pelo desejo, no houve um momento de
reflexo. " O amor pode esperar para dar; a concupiscncia
 que no pode esperar para receber" , esta frase  do
escritor Josh Mcdowell. Se voc olhar no dicionrio o



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significado de concupiscncia ver: apetite sexual
desmedido.10 O amor, que segundo o apstolo Paulo 
"paciente, no procura os seus interesses e tudo espera"11, no
tem pressa, mas a concupiscncia  apressada, quer tudo na
hora. Se vocs querem o bem da outra pessoa, vo saber
esperar o momento certo. E qual  o momento certo?
_A lua de mel  respondeu Tiago.
_Certssimo. - concordou Beth- Ser que d para esperar
tanto? D! Se vocs no ficarem se provocando, d para
esperar. O namoro  uma fase linda para vocs conhecerem
um ao outro, mas no sexualmente. Sei que as emoes ficam
 flor da pele, j fui adolescente, t? Mas se vocs buscarem o
equilbrio vero que  possvel esperar. A vida precisa ser
vivida completamente, no deixe que um namoro seja o
centro de tudo, pois se ele acabar voc vai precisar de muita
boa vontade para no se acabar tambm. Equilbrio, sempre.
Eu tenho conversado com minhas alunas sobre uma srie
chamada " Crepsculo", por causa do grande interesse delas.
Para quem no sabe  um romance entre uma garota de 17
anos e um vampiro , que  um prncipe encantado,  o
mximo da beleza, etc e tal... e em determinado momento, o
vampiro que se chama Edward, se afasta da garota que se
chama Bella, vai embora afirmando nunca mais voltar para
que ela no corresse mais perigo ao lado dele. Bella que est
completamente apaixonada por ele, fica desesperada, sofre
muito, chega at a ter delrios, ouvindo a voz dele , e ela

10 Mini dicionrio Caldas Aulete
11 1Corntios 13.4,5,7

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                            Tnia Gonzales


percebe que ouve a to amada voz quando corre algum risco,
ou seja quando a adrenalina sobe, ento ela resolve se jogar de
um penhasco ...12
_Fala srio? Quem faria uma coisa destas? - perguntou
Gustavo.
_ uma fico, Gu, mas vocs assistem os noticirios e j
puderam ter uma ideia do que as pessoas fazem por "amor".
Continuando... Bella resolve se jogar de um penhasco s para
ouvir a voz de Edward, ela  salva por um outro rapaz, que
no vamos entrar em detalhes aqui; Edward, por um
equivoco, pensa que seu amor morreu e ento resolve morrer
tambm, mas como ele  um vampiro, isso no vai ser to
fcil, ele resolve provocar alguns vampiros conhecidos na
Itlia, concluso, ele se salva tambm pois Bella aparece bem
na hora...
_Quase que esta histria virou "Romeu e Julieta" - foi o
comentrio de Eduardo.
_Que bom voc comentar sobre a famosa histria de amor.
Trgica histria. Uma fico, tambm, mas podemos aprender
tambm com as fices. Jovens, quando a pessoa amada vira
o centro de tudo, acontecem exageros. Se voc comear a
perceber que tudo na sua vida gira em torno de uma s
pessoa, cuidado!  necessrio equilibrar as coisas. Sua vida
no pode se resumir naquela pessoa, s vale o tempo passado
com ela e mais nada. Deus acima de tudo. Amar a Deus acima
de tudo e no o seu namorado ou sua namorada. Avaliem os
relacionamentos e peam a Deus direo.
12 Livro "Lua Nova", 2 livro da srie de Stephenie Meyer.

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               Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


Se precisarem de ajuda ns estamos aqui para aconselh-los.
Que vocs possam ter relacionamentos sadios. Eu falei sobre
os noticirios, tantas histrias reais de pessoas que acabam
machucando por "amor", outras at matam e dizem que foi
por amor, ou ento se suicidam, porque no havia mais razo
para viver. Perdem a pessoa amada e assim perdem tambm o
motivo para viver. Isso  doena, no amor. Deus quer o
melhor para a vida de cada um de vocs por isso no aceitem
o padro do mundo, vocs so diferentes e no h motivo para
sentirem vergonha disso, pelo contrrio, sintam-se especiais
pois  exatamente isso o que vocs so: jovens especiais,
amados por Deus. Vamos louvar com aquele hino, eu sei que
vocs nem falam mais assim, se preferirem, com aquela
msica que diz:
" Quero que valorize o que voc tem, voc  um ser, voc 
algum to importante para Deus..."13, vamos?
Fizeram um momento de louvor e adorao e aps assistiram
ao filme " Desafiando gigantes" , que conta a histria do
tcnico de futebol americano de uma escola, Grant Taylor,
que passa por problemas em sua vida profissional e pessoal, e
se v totalmente desanimado e sem esperanas para vencer os
gigantes que aparecem em sua vida. Mas , aos poucos ele vai
descobrindo o verdadeiro poder da f em Deus. Os jovens
gostaram muito do filme, se emocionaram com a histria de
perseverana do tcnico Grant. Depois participaram da festa
do hot dog.


13 Hino: Quero que valorize- Armando Filho

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                        Tnia Gonzales


No penltimo dia do retiro o time de vlei de Ana venceu,
com direito a trofu e tudo. Felipe tambm continuou
jogando muito bem, a grande final do futebol seria no dia
seguinte. Ana e Alexandre no conseguiram falar mais a ss.
Naquela noite eles tambm tiveram um culto de orao bem
diferente. Cada participante havia escrito alguns pedidos de
orao que foram distribudos por todos os aposentos da
chcara. Foram divididos vrios grupos de 6 pessoas. Cada
grupo deveria passar pelos quartos, ler os pedidos e fazer
um perodo de 10 minutos de orao. Para ser possvel a
organizao desta atividade, uma parte dos jovens ficou no
auditrio fazendo um perodo de louvor enquanto os outros
jovens iam      orar. E assim com muito louvor e orao
terminou o terceiro dia do retiro.

Finalmente o ltimo dia havia chegado, aconteceria a final do
futebol e no almoo eles participariam de um delicioso
churrasco. O horrio de sada seria s 15h. Depois de tomar o
caf , Ana resolveu aguardar o incio do jogo do irmo
sentada debaixo de uma rvore, aproveitou para enviar um
torpedo para a amiga de Santa F, prometeu conversar com
ela  noite pela net.
_Posso me sentar? - perguntou Alexandre.
_Claro! Senta a.
_Eu no consegui mais falar com voc desde domingo.
_Muita gente, muita atividade... fica difcil!
_Ou voc est me evitando s porque eu no respondi direito
a sua pergunta?


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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


_No, claro que no, e voc no precisa responder tudo o que
eu perguntar. Est no seu direito. Responde se quiser.
_Eu percebi que voc ficou desapontada, mas eu tenho
comigo que no  legal ficar falando de ex-namorada.
Acabou, acabou e chega.  passado.
_Tudo bem! Esquece o assunto.
_Hoje vamos embora e e-e-eu tenho que dizer que vou ...
se-sentir saudades, depois de v-la todos estes dias...
_Voc  to ... - Ana parou arrependida por ter comeado.
_To?
_Esquece...
_No faz isso! Eu abro o meu corao, correndo o risco de
fazer papel de ridculo e voc diz pra esquecer?
_Eu s ia dizer que voc  to... surpreendente!  isso!
_ verdade? No sei no, Ana...
_ isso! Eu no esperava que voc dissesse que iria sentir
saudades, no mesmo!
_E voc? Vai sentir saudades de mim?
_Eu j entendi, voc est me castigando,  isso...
_Castigando?
_ isso mesmo. Eu fiz uma pergunta complicada e agora
voc vem com essa!
_A pergunta que eu fiz  complicada?
_ sim! Se eu responder vou ficar envergonhada!
_Srio? Agora voc vai ter que me responder... voc vai sentir
saudades de mim?
_Depende de voc  brincou Ana.
_De mim, por qu? O que eu posso fazer?


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                         Tnia Gonzales


_Voc pode, por exemplo, me convidar para sair. - ela
mesma no acreditou no que havia dito.
_Ah! Depois sou eu que surpreendo. Voc est convidada!
_Pra qu?
_Pra jantar! Ana, quer sair para jantar comigo amanh?
_Vou ver o que consigo.
_Mas, voc quer? Responda, mesmo que voc no possa ir.
_Eu quero. Aonde ns iramos? Se tudo der certo...
_Em um restaurante muito especial,  segredo. Eu vou ligar
para o seu pai hoje pedindo permisso.
 Ana e Alexandre foram assistir ao jogo de Felipe que fez
mais 2 gols levando o time  vitria. Aps o jogo Ana e Carol
aproveitaram para caminhar um pouco pela bonita chcara,
enquanto aguardavam o horrio do almoo.
_No acredito! Sabrina no tem jeito mesmo... - disse Carol
ao ver a irm aos beijos com Eduardo.
_Quem  aquele?  o Eduardo? - perguntou Ana muito
surpresa.
_ ele mesmo! A Sabrina tem coragem de se envolver com o
Edu? Ele  to paquerador!
_Vai ver ela s quer dar uns beijinhos, sem compromisso...
no  isso que muitos fazem?
_Eu no deveria ficar surpresa. Ana, no comenta isso com
ningum, t?
Ana concordou com a prima e elas foram almoar. O almoo
foi muito animado, mas todos j estavam lamentando por
terem que ir embora. Alexandre queria muito voltar com Ana
no nibus, mas resolveu ter pacincia, no dava para ter tudo,


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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


seria muito complicado trocar de lugar, teriam vrios pares
de olhos neles e com certeza muitos comentrios que fariam
Ana corar.




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                         Tnia Gonzales



"Ah o amor... que nasce no sei onde, vem no sei como e di
no sei porque..." Carlos Drummond de Andrade

Captulo 9 -Beijo e decepo

Roberto j estava esperando quando os 5 nibus estacionaram
em frente  ICVV. Ana e Felipe aproveitaram o percurso at a
casa para contarem sobre o retiro, Roberto ficou todo
orgulhoso dos filhos e falou sobre o fim de semana na igreja,
sobre o almoo que ajudou a preparar. -A vov Tele ajudou
muito na cozinha e eu tive a oportunidade de fazer amizade
com o doutor Afonso e a esposa dele, que tambm
trabalharam no almoo, eles at nos convidaram para comer
na casa deles, vamos combinar. A filha deles  muito
simptica, estava com o marido e as crianas. Foi muito
divertido. S faltou o filho, que foi para o retiro com vocs.
_O Alexandre, eu sa com ele naquele dia, lembra?
_ ele? Alexandre...
 Passava das dez horas quando Alexandre ligou.
_Pensei que voc no ia ligar...
_Tem algum problema? Estou at mais confiante, meus pais
elogiaram tanto o seu! Fizeram amizade na cozinha da igreja.
_Eu j sei disso, meu pai contou, ele tambm gostou muito da
sua famlia.
_S falta ele gostar de mim.
Ana resolveu dar o nmero do telefone fixo para que ele
pudesse falar com Roberto.


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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


_Vou ligar. Tudo est a nosso favor hoje. Amanh jantamos
juntos. Tchau, Ana, boa noite.
  Ana no estava conseguindo segurar a ansiedade. Quais
seriam as condies de seu pai desta vez? No demorou muito
para ela ter a resposta.
_Filha- chamou Roberto batendo  porta do quarto de Ana.
_Oi, pai, entra.
_Eu acabei de receber uma ligao bem interessante.
_Ligao interessante? De quem?- disfarou Ana.
_De um rapaz muito educado convidando a minha filha para
jantar.
_Me convidando para jantar? E qual foi a sua resposta?
_Voc no vai querer saber o nome do rapaz?
_Pai, para com isso, eu sei muito bem quem ligou!
_Ah, bom!
_Fala, pai! E a?
_Calma, filha! Eu concordei. Amanh vocs vo jantar.
_Quais as condies?
_Eu no disse nada, foi ele quem imps as condies.
_Ele? Quais?
_O Lipe vai junto.
_Foi o Alexandre que disse?
_Foi, e vocs vo com o carro dele.
_S isso? Ele disse o lugar?
_Isso  segredo!
_Pai!
_Boa noite! - Roberto deu um beijo na filha e saiu do quarto
deixando-a com uma grande interrogao, mas ela no iria


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aguentar e resolveu ligar para Alexandre.
_Al! Eu sabia que voc no iria resistir. J est com
saudades?
_Para com isso. O que voc falou pra meu pai?
_Eu disse que gostaria muito de levar os filhos dele para
jantar.
_Muito esperto! E ele concordou assim , sem mais nem
menos?
_ isso a! Amanh voc vai conhecer um lugar muito
especial.
_Posso saber aonde ns trs vamos?
_No seja curiosa!  uma surpresa. Eu vou aproveitar para
entrar mais cedo no servio, j que no haver aula, vou dar
um jeito de sair s seis horas.

Quarta-feira s 19h Alexandre chegou para buscar os filhos de
Roberto; Ana estava muito bonita com um vestido azul e
blazer, Alexandre vestia uma camisa verde-oliva e cala
preta, s Lipe estava informal usando um jeans e camiseta.
Ana por um momento ficou pensando se deveria sentar ao
lado dele ou no, mas Alexandre foi logo abrindo a porta para
ela, facilitando as coisas.
_Vai me dizer aonde vamos ou no? - perguntou Ana , assim
que entrou no carro, sem conseguir segurar a ansiedade.
_Calma! Eu s posso dizer que voc vai adorar! Disto eu
tenho absoluta certeza- disse Alexandre piscando para Lipe.
 Depois de quase uma hora chegaram  Rua da Consolao.
_O restaurante do Miguel deve ser aqui perto... espera a... eu


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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


no acredito!  o que eu estou pensando?
_O que voc est pensando? - perguntou Alexandre se
divertindo com a expresso de Ana.
_Ns vamos jantar no " La Sabore" ?
_" La Sabore" ? O que  isso? - disse Felipe entrando na
brincadeira.
_Parem com isso. Estou certa, no estou?
_Est Ana! Vamos jantar no " La Sabore ", hoje voc vai
conhecer a cozinha do famoso chefe Roberto -             disse
Alexandre acabando com o suspense.
_No acredito! O papai sabe? Eu vou conhecer a cozinha do
papai? - Ana no conseguia esconder a felicidade.
_Calma, maninha! O papai j sabe. Foi ideia do Al.
_Que surpresa incrvel, obrigada Alexandre. Como que o
papai reagiu quando voc contou?
_Ele topou na hora, ficou to feliz! Ele me contou que j
estava querendo trazer vocs. Adorou a ideia. Chegamos-
anunciou Alexandre para em seguida entrar com o carro no
estacionamento.
Miguel reconheceu os filhos do seu grande amigo assim que
eles entraram no elegante restaurante italiano.
_Ana, Lipe! Que bom rev-los! Como esto crescidos! E este
rapaz bonito  o seu namorado, Ana?
_No Miguel, este  o Alexandre, ele  um amigo nosso da
igreja- explicou Ana com timidez.
_Oi, Alexandre  um grande prazer conhec-lo. Por favor me
acompanhem reservei um lugar especial para vocs.
_Obrigada Miguel, o seu restaurante  lindo! - elogiou Ana.


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                        Tnia Gonzales


_Voc vai gostar mesmo  da cozinha, que tal irmos ver um
certo chef ? Ele est ansiosssimo!
_Chef Roberto, estes ilustres clientes esto ansiosos para
conhecer sua cozinha.- disse Miguel.
_Filhos! Estou to feliz por vocs estarem aqui! Muito
obrigado Alexandre,  um belo presente! Venham eu vou
mostrar tudo  disse Roberto todo animado.
 Eles foram apresentados para toda equipe de Roberto, Ana
ficou encantada ao acompanhar o pai por toda aquela imensa
cozinha.
_Bom... acho que  melhor vocs irem jantar, eu preparei um
menu especial para vocs-o prato principal ser "Fettuccine
al limone", e a sobremesa ser a preferida de meus filhos
"Tiramiss" - anunciou Roberto todo orgulhoso.
_Me desculpe a ignorncia, "Tiramiss"? Uma sobremesa
com um nome desses em um restaurante italiano?- perguntou
Alexandre .
_ isto mesmo!  uma sobremesa italiana feita com queijo
mascarpone, voc vai gostar -garantiu Roberto.
Aps o delicioso jantar, Alexandre explicou para Ana que eles
iriam ao shopping para depois virem buscar Roberto que s
sairia depois das 23h.
_Ento foi por isso que o papai no veio trabalhar com o
carro, eu nem suspeitei. Vocs pensaram em tudo. - constatou
Ana.
_Eu vou dar uma andada por a, quando estiver na hora de ir
vocs me do um toque - disse Lipe mostrando o celular
assim que chegaram ao shopping.


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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


_E voc quer fazer o qu? Ns temos quase uma hora e meia.-
disse Alexandre.
_Eu no quero ficar andando, podemos ficar sentados s
conversando?- perguntou Ana.
_Gostei da ideia! Vamos encontrar um lugar.
Em poucos instantes eles estavam sentados, o movimento do
shopping naquela noite estava bem tranquilo.
_Eu quero aproveitar para agradecer, foi incrvel! Eu nem
suspeitei, valeu mesmo! - Ana disse com sinceridade.
_Eu adorei a sua reao ao descobrir onde ns amos, voc
ficou to feliz!
_Fiquei mesmo! Foi muito legal! O restaurante  show, a
comida nota 10, bom mas isso pra mim no  novidade! Voc
gostou da sobremesa?
_Gostei de tudo! Mas o principal pra mim  estar agora aqui
com voc. Eu gosto muito da sua companhia Ana, voc  to
agradvel, desde a primeira vez que eu te vi, e-e-eu pensei:
que garota mais linda! E-e-eu ...me desculpa eu tenho este
problema quando fico nervoso, voc j deve ter percebido.
_Eu j! No esquenta, eu acho que voc fica lindo falando
assim...
_Ana! Voc est brincando, n?
_No, estou falando srio! Eu acho que voc fica muito
charmoso....
  Alexandre chegou mais perto e comeou a mexer nos
cabelos dela, depois tocou no rosto com as pontas dos dedos
bem de leve e segurou o queixo de Ana, que ficou imvel,
no querendo estragar aquele momento, ele foi se


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aproximando lentamente, ele estava to prximo que Ana
sentiu a respirao dele. Por um momento ela sentiu vontade
de recuar, seu corao estava disparado, ficou com medo de
fazer alguma coisa errada, era tudo novo para ela, nunca um
rapaz havia chegado to perto. Alexandre tocou no canto dos
lbios dela, isso a fez estremecer e ento ela afastou-se um
pouco .
_Me desculpe, eu no sei como agir nestas horas, eu sou to
boba! - disse Ana.
_Ana, voc no  boba! Eu que no deveria ter comeado...
_No, a culpa no  sua! Eu no sei o que fazer, eu nunca... eu
nunca... voc sabe...
_Ana, o problema  este? Mas voc quer que eu a ...
_Eu quero, mas tenho medo de fazer algo errado.
_Voc no tem como fazer algo errado, no tenha medo,
confie em mim... - ao dizer isso Alexandre se aproximou dela
com todo o cuidado e novamente fez o contorno dos lbios
dela com o dedo, para em seguida toc-los com os seus e de
repente tudo ficou to natural para Ana que ela permitiu-se ser
beijada pela primeira vez. Poucos segundos depois eles
ouviram uma msica, era Michael W. Smith cantando
Friends, o celular de Ana estava tocando. Eles se afastaram
rapidamente.
_Lipe? J est na hora? Certo, ns estamos indo. - disse Ana
tentando se concentrar no que o irmo dizia.
Alexandre e Ana foram ao encontro de Lipe sem dizer uma
palavra, parecia que nenhum dos dois queria perder o encanto
daquele momento especial. Saram do shopping e em poucos


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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


minutos estavam esperando Roberto no estacionamento do
restaurante. Ana resolveu descer e sentar no banco traseiro,
Alexandre ficou observando sem dizer nada.
_Ol! Demorei? - perguntou Roberto assim que entrou no
carro.
_No, ns acabamos de chegar- respondeu Alexandre.
Durante o caminho para casa, Alexandre e Roberto
conversaram bastante, de vez em quando Ana e Alexandre
trocavam olhares pelo retrovisor.
_Alexandre? Ei! - Roberto estava esperando uma resposta de
Alexandre que         aguardando o sinal abrir, acabou se
distraindo olhando para Ana e no havia escutado uma
palavra dita por Roberto.
_Oi, me de-desculpe, Roberto, eu no entendi a pergunta.
_Tudo bem, eu perguntei sobre o trabalho de seu pai.
-Sei, , ento... o meu pai atende em 2 clnicas e 1 hospital.
Ele gosta muito do que faz. Eu sei que sou suspeito, mas ele 
um timo pediatra.
 Ana no conseguia parar de pensar no que tinha acontecido.
Foi to especial e maravilhoso. Seu primeiro beijo foi muito
melhor do que ela podia imaginar, Alexandre foi muito
carinhoso e paciente com ela.
_Alexandre eu te agradeo pelo o que voc nos proporcionou
hoje. Sua ideia foi excelente. Eu vou marcar um dia para voc
vir aqui em casa almoar ou jantar, depois ns combinamos-
disse Roberto assim que Alexandre estacionou o carro.
_Que isso, Roberto, eu que agradeo! Minha me me contou
que vocs vo marcar um almoo l em casa.


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                        Tnia Gonzales


_ isso mesmo, um grande abrao para os seus pais e boa
noite!
_Boa noite, Roberto, Lipe, at mais.
_Valeu Al! Foi show! - respondeu Lipe.
Roberto e Lipe entraram, deixando Ana e Alexandre no
porto.
_Ento, acho que  melhor eu ir, est tarde- disse Alexandre.
_Tem razo, eu s queria mais uma vez agradecer pelo jantar.
_Pelo jantar voc agradece ao chefe- brincou Alexandre.
_Voc tem razo, de novo! - constatou Ana meio sem graa.
Eles ficaram por alguns segundos se olhando, o clima estava
meio estranho, os dois estavam tmidos.
_Melhor eu ir, amanh  dia de aula e muito trabalho.
_Ento, tchau... eu no sei se cheguei a comentar com voc...
mas amanh eu vou comear a trabalhar na papelaria do meu
tio, ele est precisando de ajuda.
_Que legal! ... Ana...
_Eu acho melhor voc ir, antes que meu pai me chame...
 Alexandre se aproximou, deu um beijo no rosto de Ana, em
seguida entrou em seu carro e partiu.
Ana ficou pensando se Alexandre ligaria, mas chegou a
concluso que seria melhor que ele no ligasse, pois os dois
estavam um pouco constrangidos, seria mais apropriado eles
conversarem depois. Naquela noite Ana demorou muito para
dormir, ficava a todo instante relembrando cada momento, se
no fosse to tarde ela teria ligado para amiga Ktia, ela
queria compartilhar o que tinha vivido. Ela e Ktia sempre
conversavam sobre como seria o primeiro beijo, a amiga no


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              Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


havia passado por aquela experincia ainda. Ana no podia
imaginar que a prxima noite tambm seria complicada para
dormir, mas no teria pensamentos agradveis como hoje.

Depois dos cinco dias de folga o dia na escola foi bem
preguioso. Ana preferiu no contar sobre o grande
acontecimento para Carol, pelo menos por enquanto. Aps o
almoo ela foi at a papelaria do tio, seria seu primeiro dia de
servio, passaria a tarde trabalhando ao lado de Sabrina e
mais um funcionrio da loja. Alexandre no dia anterior , ao
chegar em casa, encontrou sua me na maior expectativa
querendo saber detalhes do jantar, contou tudo sobre o
restaurante, mas no satisfez a curiosidade da me a respeito
do relacionamento dele com Ana, preferiu esperar, precisava
primeiro ter uma conversa com a linda garota dos cabelos
negros, decidiu que faria isso at domingo.
_Sabrina, posso fazer uma pergunta? - comeou Ana depois
de alguns minutos que as duas estavam trabalhando na
papelaria.
_Pode, mas se eu vou responder  outra histria!
_ que no retiro... bem... eu vi voc e o Eduardo juntos...
_ isso? Eu e o Edu somos s amigos... que s vezes do uns
beijinhos... nada mais...
_Voc acha certo?
_Aninha, em que mundo voc vive? Isso  normal... so s
uns beijinhos, no pense bobagens! Agora, eu preciso te
contar umas coisas e a sim voc precisa se preocupar...
_Que coisas, Sabrina?


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_Bom, sabe prima,  complicado...  um assunto to chato!
_Que assunto? O que voc tem pra me contar?
_ sobre o Al...
O corao de Ana comeou a bater mais rpido, o que a prima
teria para falar sobre o Alexandre?
_Eu j vou avisando que  um assunto delicado, se prepare...
eu tenho que falar, afinal voc  minha prima e depois o tio
Roberto no vai me perdoar se acontecer alguma coisa...
_Sabrina, fale logo, pare de enrolao.
_"T" bom! Voc sabe que eu e o Al namoramos por um
tempo, ento, como eu percebi que vocs andam conversando
bastante eu pensei que seria melhor contar antes que as
coisas avancem entre vocs. Eu no quero prejudicar o Al,
ele  um cara legal, mas ele tem srios problemas, precisa de
ajuda, mas eu no tenho coragem de contar, o certo era falar
com o pastor Jair ou com o Ronaldo, mas eu tenho vergonha,
eles ficariam muito decepcionados e tambm por causa da
famlia dele, o doutor Afonso j teve comeo de infarto, j
pensou que decepo?
_Sabrina, fala logo!
_Eu terminei o namoro com o Al porque ele queria... uma
prova de amor. Uma vez ele chegou a parar em frente a um...
motel, voc sabe... eu fiquei assustada, perguntei o que ele
estava pretendendo e a ele me disse que para ns
continuarmos eu teria que dar uma prova de amor, eu pedi pra
ele me levar de volta pra casa, ele ficou muito bravo e me deu
um tempo, eu teria uma semana para decidir, seno estaria
tudo terminado.


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               Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


_Sabrina, para com isso...
_ srio, Ana! Eu gostava muito dele mas eu no podia fazer
o que ele queria, eu tinha muito medo. E eu j estava
desconfiada dele. Vrias vezes ele estava no computador e
quando eu me aproximava ele dava um jeito de me afastar,
no deixava eu olhar para a tela. E quando ele permitia que
eu mexesse, eu verificava o histrico e sempre estava limpo,
sempre. Um dia a me dele o chamou e ele precisou sair
rapidamente eu fui dar uma olhada e me assustei... Ana, voc
no imagina as cenas que vi... e o histrico estava cheio de
tudo o que  site de ... pornografia. Eu fiquei horrorizada.
No sabia o que fazer, deveria contar para algum? Quem? E
eu fiquei pensando, ele  o responsvel pelo site da igreja, o
pastor admira tanto ele, os jovens tambm, eu realmente no
sabia o que fazer. Eu vi que ele tinha vdeos, eu dei uma
olhada em dois e no aguentei, que nojo! No contei nada
para ele, fiquei morrendo de vergonha e tambm no disse
para ningum. Eu tenho f que ele vai se arrepender, sabe,
lembra da palestra? O Ronaldo falou sobre o assunto, ele
estava l ouvindo, quem sabe ele confessa. A Bblia diz: quem
confessa e deixa, alcana...
_Misericrdia14- completou Ana sem conseguir acreditar no
que estava ouvindo.
_ isso! Ana ns temos que orar por ele, para que ele seja
tocado, que ele perceba o erro, isso  um vcio, voc sabia?
 Ana no conseguia responder, era muito difcil ouvir aquilo.
Ser que era verdade? Alexandre parecia to sincero, to
14 Provrbios 28.13

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temente a Deus. De repente ela lembrou da histria de
Simone.
_Eu espero que ele no mostre estas coisas pra outros jovens,
sempre tem um l pedindo ajuda... Antes da gente terminar ele
tentou mais uma vez, um dia ele me disse que precisava pegar
um CD na casa do Gu, sabe? O Gu  irmo da Priscila, aquela
que participa da classe da EBD com voc, pois quando ns
chegamos l o Gu disse que ia dar uma sada, mas voltava
logo, eu no entendi nada, ns ficamos na sala da casa do Gu
e eu percebi que no tinha mais ningum. Foi a que o Al me
disse que aquele era o meu ltimo dia, a casa estava vazia e
ns tnhamos 1 hora at que o Gustavo voltasse. Ana, eu
fiquei apavorada, comecei a dizer pra ele que no, que eu no
queria, ele ficou muito bravo e disse j que era assim ento
estava tudo terminado. Me mandou embora eu tive que ir para
casa de nibus, mas pelo menos fiquei aliviada.
_Eu nem sei o que dizer, Sabrina.




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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!




"Uma mentira estraga mil verdades." Provrbio africano

Captulo 10 -Fugindo

Quando chegou em casa Ana foi direto para seu quarto, no
queria conversar com Lipe, estava arrasada. Ela comeou a
pensar no dia palestra, Ronaldo estava falando sobre
pornografia na internet e ela notou alguma coisa estranha no
ar, na hora ela achou que deveria ser s impresso, mas agora
com Sabrina contando tudo aquilo, certas coisas comeavam a
fazer sentido; Ana lembrou que Alexandre deu uma olhada
para Gustavo que abaixou a cabea no mesmo instante, eles
deveriam estar juntos nisso. E tambm tinha o fato de
Alexandre no querer contar o motivo do trmino do namoro.
Ana pensou que iria passar mal, aquilo tudo era muito triste
para ela, era uma pena e tambm uma grande decepo. Ela
olhou para o celular e viu que tinha uma mensagem de
Alexandre:
" Oi Ana, como foi o seu dia? Bjs. "
"Meu dia- pensou Ana- comeou lindo e est terminando
horrvel! "- resolveu tomar banho, mas antes mesmo de ligar
o chuveiro o rosto j estava todo molhado, no dava mais
para segurar as lgrimas.
s 22h o celular de Ana tocou mas ela no atendeu, depois de
alguns minutos, Lipe entrou no quarto.
_Ana, o Al est no telefone, ele disse que tentou ligar no seu


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                         Tnia Gonzales


celular...
_Lipe, me faz um favor? Diz pra ele que eu j estou
dormindo.
_Ana, vou mentir pra ele? Por qu? Vocs dois j estavam
parecendo namorados...
_Por favor, eu me sinto pssima por fazer voc mentir, mas
eu tenho motivo pra isso!
_T bom!
 Ana no estava acreditando em como que as coisas mudavam
to rapidamente. Ontem, ela estava feliz e Alexandre
parecia o rapaz perfeito! O problema era justamente este: era
bom demais para ser verdade, Simone  que estava com a
razo. Algum assim to encantador e especial, simplesmente
no existia, tinha que ter alguma coisa errada; como ela havia
sido ingnua!Imaginar que ele estaria interessado nela? Ele
s queria se aproveitar da situao, como ele deve ter se
divertido com a histria do primeiro beijo! Edward Cullen
no existe, sua menina boba! - pensou Ana deixando as
lgrimas rolarem novamente.
No dia seguinte, Ana estava com os olhos muito inchados,
no daria para ir  escola daquele jeito, por isso disse para o
irmo que no estava bem, mas, ficar em casa s piorou as
coisas, ela no conseguia parar de pensar em tudo o que
Sabrina havia contado. Resolveu lavar roupa, precisava muito
se distrair, colocou um CD e deixou a msica substituir o
silncio que estava insuportvel. Agnus Dei de Michael W.
Smith sempre a fazia se sentir bem, era exatamente disso que
ela estava precisando, da presena do Esprito Santo. S Ele


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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


para dar o consolo que ela tanto necessitava. Quando o irmo
chegou, Ana j estava com o almoo pronto, tinha lavado a
roupa e limpado toda a casa.  tarde foi trabalhar na papelaria
do tio, ficou feliz ao ver que ela passaria aquelas horas com
Carol, no queria conversar com Sabrina.
_Ana voc est melhor? D para trabalhar hoje? - perguntou
Carol sem esconder a preocupao.
_Eu estou bem, prima, foi s um mal-estar.
 Ana ficou feliz com o movimento da loja naquele dia, no
daria para Carol interrog-la, pois a prima havia percebido
que tinha alguma coisa errada. Naquela noite as alunas da
classe da EBD iriam se reunir na casa da professora Beth,
para assistir ao filme " Um amor para recordar"; Ana inventou
uma desculpa, ela no queria sair e muito menos ver um
filme romntico, esta era a ltima coisa que ela gostaria de
fazer.
 Alexandre ligou e mandou mensagens, mas Ana no tinha a
menor condio de falar com ele. Mas ela sabia que no dia
seguinte teria que enfrent-lo, pois estava marcado o ensaio
do grupo de teatro e ela contracenaria com ele na pea da
Pscoa. Carol ligou para ela assim que chegou da casa de
Beth dizendo que Alexandre havia passado l para busc-la e
ficou muito preocupado ao saber que Ana no estava l. Ana
ouviu o celular tocar e nem precisou olhar para saber quem
era. Depois que falou com Carol resolveu deixar o fone fora
do gancho por alguns minutos para no correr o risco dele
ligar no fixo e tambm colocou o celular s para vibrar.
Resolveu no desligar caso o pai ou o irmo precisasse falar


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                        Tnia Gonzales


com ela. Lipe havia sado com alguns garotos do time de
futebol da igreja.
No dia seguinte foi ao ensaio, chegou l duas e meia para no
correr o risco de Alexandre encontr-la em casa, ele havia
mandado um torpedo dizendo que passaria l exatamente
neste horrio. Ele chegou uns 20 minutos depois dela e o
pessoal da pea j estava todo l, por isso ele no teve como
falar com ela, s cumprimentou todo mundo e ficou olhando
para Ana com uma enorme interrogao naqueles lindos
olhos azuis. Beth comeou o ensaio e Ana precisou
contracenar com Alexandre, felizmente conseguiu agir com
naturalidade, havia pedido a Deus foras e sua orao foi
atendida. Depois de quase duas horas, o ensaio terminou. Ana
saiu rapidamente aproveitando que um rapaz estava
conversando com Alexandre, mas quando chegou ao ponto de
nibus percebeu a aproximao de um carro, ela sabia muito
bem quem estava dirigindo.
_Ana, vem, eu dou uma carona pra voc.
_No precisa, o nibus j est chegando  respondeu ela
torcendo para o nibus aparecer.
_Que isso, Ana! Entra no carro. - insistiu Alexandre
 Ana no teve outra alternativa, o ponto estava lotado e a
situao j estava ficando chata.
_At que enfim. Eu j estava ficando com vergonha daquele
pessoal todo me olhando!- disse Alexandre assim que Ana
entrou no carro.
_O que est acontecendo com voc, Ana?
_Nada, eu s estava esperando o nibus.


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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


_Ana, voc est fugindo de mim, eu fiz alguma coisa errada?
_Eu no estou fugindo, estou aqui, no estou?
_Est, mas eu quase precisei descer do carro e implorar para
voc entrar.
_Exagerado!
_Eu liguei, enviei mensagens ... eu disse que a buscaria para
o ensaio.
Ana no sabia o que dizer, por isso ficou em silncio.
_Posso te levar para algum lugar, para conversarmos?
_No, eu preciso ir pra casa, meu pai no sabe...
_Eu ligo pra ele ...
_No, me deixa em casa, por favor!
_Ana, o que est acontecendo? O que eu fiz de errado?
_Eu no quero conversar hoje, por favor.
_Eu no vou ficar insistindo, mas no estou entendendo
nada...
Depois disso eles ficaram em silncio, Alexandre ligou o CD
e a msica "You are the love of my life " de Michael W.
Smith, s deixou o clima mais tenso, uma msica romntica
naquele momento fez Ana sentir uma vontade imensa de
chorar, mas, conseguiu segurar as lgrimas. Ela ficou
pensando se ele teria colocado aquela msica de propsito.
_Obrigada pela carona- disse Ana saindo rapidamente do
carro.
_No por isso, tchau!
_Tchau!

Ana resolveu faltar  aula da EBD naquele domingo, ela


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                         Tnia Gonzales


gostava muito das aulas da professora Beth, mas no queria
encontrar Alexandre; disse ao irmo que no estava bem e
ficou debaixo do edredom sem querer se levantar, ela estava
muito desanimada. Mas ficou surpresa ao ouvir a voz do pai,
no sabia que ele estaria de folga naquela manh, seria mais
complicado ter que explicar para ele a sua indisposio.
_Minha filha, o que est acontecendo com voc? Est
doente? - perguntou Roberto colocando a mo na testa da
filha.
_No pai, eu s estou indisposta, sabe?
_Entendi! Eu e o Lipe vamos  igreja, voc vai ficar bem?
_Podem ir, eu vou ficar legal.
_Ns temos um convite pra almoar hoje, voc faz uma
forcinha para ir?
_Convite?
_O Dr. Afonso e a esposa nos convidaram para almoar na
casa deles.
_Hoje? Eu pensei que seria outro dia...
_ hoje, querida! Por favor...
_Tudo bem, pai, eu dou um jeito.
 Ana no podia acreditar no que estava acontecendo, ela teria
que ir at a casa dele almoar com toda a famlia, a menos que
ela arrumasse alguma desculpa convincente... mas isso com
certeza desapontaria seu pai. Ainda ficou deitada por algum
tempo, mas, aps olhar para o relgio, ela levantou-se e
resolveu se arrumar, o pai chegaria em breve.
_Ana, chegamos!- avisou Roberto assim que entrou.
Chegaram  casa do Dr. Afonso poucos minutos aps a uma


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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


hora da tarde. Foram muito bem recebidos pelos pais de
Alexandre. Era um sobrado muito bonito, que tinha uma rea
livre nos fundos muito convidativa, com churrasqueira,
piscina e brinquedos para os netos. Lusa foi logo justificando
a ausncia do filho que precisou ir buscar a irm e os
sobrinhos, o marido estava viajando com o carro dela, pois o
dele havia quebrado.
_Fiquem  vontade, estou to feliz em t-los aqui! S estou
um pouco nervosa, ouviu Roberto? Fazer almoo para um
chef de cozinha no  nada fcil- declarou Lusa.
_Que isso, Lusa, fique tranquila, sei que voc cozinha muito
bem, deu para comprovar isso l na cozinha da igreja-
Roberto tratou logo de tranquiliz-la.
_Ana, eu sei que voc tambm  tima na cozinha! - disse
Lusa.
_Eu no, s fao o trivial, mas eu gosto bastante de cozinhar-
informou Ana.
_Olha s quem chegou! - disse Dr. Afonso ao entrar a neta
Melissa- Vem aqui dar um abrao no vov.
 Em seguida entrou Joyce com o pequeno Lucas no colo , ela
cumprimentou todos com muita simpatia e logo entregou o
menino para os braos estendidos do vov. Poucos segundos
depois Alexandre entrou cumprimentando a todos.
_Bom, agora que esto todos aqui podemos almoar-
anunciou Lusa.
_J est tudo pronto? - perguntou Joyce.
_Tudo pronto! Eu no fui  igreja hoje. Voc acha que eu ia
arriscar com um chef aqui em casa? Vai que ele resolve tomar


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                          Tnia Gonzales


conta da minha cozinha! - brincou Lusa.
Todos riram e acompanharam Lusa at a sala de jantar. Ana
no estava se sentindo  vontade por estar ali, o que era uma
pena, pensou ela, eles eram to simpticos! O almoo foi
muito animado, todos conversaram bastante, com exceo de
Ana e Alexandre que s respondiam com monosslabos. Ana
ficou pensando se os outros haviam percebido o pssimo
clima entre eles.
_Eu tinha razo- comeou Roberto- Afonso, voc tem uma
esposa muito simptica, com todo o respeito, e uma excelente
cozinheira! Parabns, Lusa!
_Me segura! Fui elogiada por um chef de restaurante italiano!
No  pra qualquer uma! - disse Lusa se divertindo.
_Ningum vai aguentar ! Cuidado com o orgulho, me! -
falou Joyce entrando na brincadeira.
Depois que terminaram o almoo Alexandre chamou Lipe at
o seu quarto para mostrar um jogo que ele tinha no
computador. Ana ficou brincando com Lucas e Melissa,
agradeceu a Deus por ter duas crianas ali, elas salvaram o
seu almoo, ela havia se oferecido para ajudar na cozinha mas
Lusa no aceitou dizendo que ela era visita e coisas do tipo...
Alexandre desceu sozinho aps uma hora dizendo que Lipe
havia ficado em seu quarto jogando, o que deixou Ana muito
preocupada, ela no gostava de sequer              imaginar a
possibilidade do irmo ficar exposto  certas coisas...
_Tia Ana- disse a pequena Melissa- voc  "namolada" do tio
Xande, no ?
_No... ns somos... amigos- Ana teve dificuldade para dar a


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              Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


resposta , Melissa olhava para ela com aqueles olhinhos
infantis cheios de curiosidade.
_Amigo no! Namolada! - insistiu a menina.
_Me-menininha do titio- Alexandre comeou com certo
nervosismo mas conseguiu se recuperar rapidamente- pare
com isso, a Ana vai ficar triste.
_Voc vai, titia Ana?
_Eu no vou ficar triste com voc, querida!- ao dizer isso
lanou um olhar de reprovao para Alexandre.
_Vem aqui, tio Xande! Senta com a tia Ana- enquanto falava
Melissa puxava a mo do tio.
_Meli, solta o tio- pediu Alexandre chamando a menina pelo
apelido dado por ele- eu preciso ver o Lipe.
_" T muito braba"- disse a menina fazendo uma careta.
 Alexandre subiu as escadas rapidamente e Joyce foi logo se
desculpando com Ana, ela havia acompanhado tudo.
_Tudo bem, Joyce! A Melissa  uma graa! Voc vai  igreja
hoje?- perguntou Ana olhando para Melissa- Eu vou ficar
ajudando na classe das crianas de 4 a 6 anos.
_Legal! Eu tenho 4 anos vou ficar com voc, o Lu no!
_Que bom que voc vai ajudar, eu fico s vezes, elas sempre
precisam de mais algum para cuidar das crianas.

Quando saram da casa do Dr. Afonso eram quase cinco
horas, Lipe ficou, Alexandre o levaria depois, o que muito
desagradou Ana.
_Pai, voc no deveria ter deixado o Lipe l, ele vai se atrasar
para o culto- disse Ana assim que ficaram sozinhos no carro.


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                         Tnia Gonzales


_Alexandre prometeu traz-lo logo, Ana pare de implicar, eu
fico feliz que o seu irmo faa amizade com ele,  um bom
rapaz, estuda, trabalha,  esforado na igreja, muito educado,
boa famlia. Eu s no estou entendendo vocs dois...
_Como assim?
_Voc e o Alexandre, eu perdi alguma coisa? Estou com a
impresso que vocs tiveram algum problema, estou certo?
_Que problema, pai?
_No sei, gostaria muito de saber. Eu estava at pensando
que o Alexandre ia pedir permisso pa...
_Pai  interrompeu Ana- ele no vai pedir nada, voc tem
cada ideia! Podemos mudar de assunto? O almoo estava
delicioso, n?
E assim Ana conseguiu evitar o assunto que ela tanto temia.
Ouvir o pai falar daquele jeito sobre Alexandre fez ela se
sentir mais triste ainda, que decepo eles teriam!
Alexandre trouxe Lipe uns trinta minutos depois da chegada
de Roberto e Ana em casa, no quis entrar dizendo que j iria
para igreja, tinha algumas coisas para resolver com o pastor.
Ana ficou com as crianas de 4 a 6 anos, Melissa estava toda
animada e no desgrudou dela o tempo todo. Simone tambm
ajudou na mesma classe de Ana, o que foi muito agradvel
para ambas.
_S voc, Ana, para me convencer a fazer isso, mas bem que
eu estou gostando, estas crianas so to divertidas e sinceras,
faz bem estar no meio delas- confessou Simone bem baixinho
no ouvido de Ana.



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              Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


Naquela noite, Ana ficou pensando em tudo o que havia
acontecido no almoo, se no existisse aquela histria... teria
sido perfeito, a famlia ali toda reunida e se dando to bem,
era mesmo uma pena. Ela ficou imaginando se haveria um
jeito de ajudar Alexandre, ser que ela deveria contar para
algum? Mas quem?

 O ms de maro estava voando, Ana ia trabalhar na papelaria
do tio todas as tardes, s vezes ficava com Sabrina que nunca
mais havia mencionado o assunto, outras vezes com Carol,
que sempre dava um jeito de perguntar sobre Alexandre, mas
Ana desconversava. Os dois s se viam nos fins de semana na
igreja sempre com muitas pessoas ao redor, o que era timo
para Ana. A pea da Pscoa estava bem adiantada, ela e
Alexandre faziam as partes com se nada tivesse acontecido,
mas depois era como se existisse uma parede entre eles.
Alexandre, estava muito magoado, preferiu no insistir apesar
de no estar entendendo o porqu de tudo aquilo.
 Ana passava o seu tempo livre lendo, ela no suportava ficar
sem nada para fazer, pois sempre acabava chorando. Como
seria bom se sua me estivesse ali, Ana tinha certeza que teria
contado para ela e a me certamente saberia o que fazer. Ela
aproveitou para terminar " Lua Nova"15 o segundo livro da
srie " Crepsculo "16, que Carol havia emprestado. Apesar de
no gostar de histrias sobre vampiros, ela se interessou pelo
livro. Ana admirava o protagonista da histria, Edward

15 Autora:Stephenie Meyer
16 Autora:Stephenie Meyer

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                          Tnia Gonzales


Cullen, no pelo fato dele ser forte, veloz, lindo, etc; mas pelo
amor que ele sentia por Bella, pela sinceridade dele, pelo
sacrifcio que ele fazia para estar ao lado dela e pelo sacrifcio
que fez ao se afastar dela ao perceber o quanto era perigoso
para Bella conviver com sua famlia. Ana sempre lembrava
das aulas de Beth, em uma delas, a professora falou a respeito
do quanto Edward se sacrificava para ficar ao lado de Bella,
ele enfrentava sua prpria natureza s para ficar ao lado da
amada. E Ana achava muito interessante as comparaes que
Beth fazia. O cristo, dizia Beth, tambm precisa ir contra a
sua natureza pecaminosa, veja o exemplo do apstolo Paulo,
" porque no fao o bem que prefiro, mas o mal que no
quero, esse fao, mas, se eu fao o que no quero, j no sou
eu quem o faz, e sim o pecado que habita em mim." 17.
Edward no escolheu ser o que , mas ele se esfora todos os
dias para no ser um monstro, existe uma fora dentro dele
que pede algo, mas ele diz no, para dizer sim  fora do amor
e este amor prevalece. Ns tambm podemos dizer sim 
fora do amor de Deus e dizer no ao pecado, e um detalhe
importante, temos um aliado nesta batalha, o Esprito Santo
de Deus que nos ajuda em nossas fraquezas. Ana admirava
muito a professora Beth, ela era uma professora diferente. Ela
no dizia: " meninas vocs no podem ler este tipo de livro ou
assistir a este tipo de filme "; mas sempre tinha uma lio
para dar, sempre falava sobre a importncia de ser equilibrado
em tudo. E Ana achou muito interessante o fato de Beth ler os
livros para poder conversar com elas com propriedade. Ela
17 Romanos 7.19,20

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               Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


gastou horas lendo para falar com um grupo de meninas
adolescentes, s porque descobriu o interesse delas pelo
assunto. Ana sabia muito bem que aquilo tudo era uma obra
de fico, mas gostava de pensar que poderia ser possvel
existir algum to sincero e apaixonado quanto Edward
Cullen. Ana no queria algum perfeito, mas ela gostaria que
existisse      algum capaz de passar horas conversando,
querendo saber mais sobre ela, algum que realmente se
importasse. Mas, seria mesmo possvel? Depois da histria de
Simone e de tudo que Sabrina lhe havia contado era muito
difcil acreditar.
Ana tambm leu um livro indicado por Beth chamado "Em
seus passos, que faria Jesus?"18; que conta a histria fictcia
do reverendo Maxwell, que aps a visita de um estranho ,
resolve propor aos membros          de sua igreja que        se
comprometam por um ano a no fazer nada sem antes
perguntar o que Jesus faria se estivesse na mesma situao.
Ana gostou muito do livro, achou-o desafiador.
Alexandre passou o ms de Maro estudando muito, no
trabalho havia muitos programas para serem desenvolvidos, o
que era timo. O distanciamento que Ana havia imposto era
muito difcil para ele, por isso ocupar a mente era a melhor
sada. Tambm aproveitou as horas livres para entrar no
mundo da leitura, Ronaldo havia comentado sobre um
interessante livro chamado " Em defesa de Cristo"19 ; o autor,
um jornalista ex- ateu, relata sua busca pela verdade sobre a

18 Autor: Charles M. Sheldon
19 Autor: Lee Strobel

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                         Tnia Gonzales


existncia de Jesus. O livro tem uma srie de entrevistas com
autoridades sobre o assunto. Alexandre estava achando o livro
fascinante.

Um dia, a v de Ana havia feito um bolo de cenoura e foi
levar para os netos, como Ana estava sozinha, aproveitou para
perguntar algo que a estava incomodando.
_Aninha, eu preciso te fazer uma pergunta.
_Tudo bem, v, pode falar.
_Querida, eu tenho notado uma tristeza to grande em voc. O
que est acontecendo?
_Comigo? Nada, v!
_No tente me enganar, por favor! Voc pode se abrir comigo.
_V Tel, no est acontecendo nada...
_Ento, eu tenho que ser mais direta; Aninha, eu percebi que
voc e o Alexandre estavam to ... como eu posso dizer...
prximos,  isso mesmo, to prximos. Ele at levou voc
para jantar no restaurante onde Roberto trabalha, eu cheguei a
pensar que vocs estavam namorando.
_No, v, a senhora se enganou... eu o conheo h to pouco
tempo!
_Voc acha que eu no percebo as coisas? O que aconteceu,
minha neta?
_V, no se preocupe eu estou bem. No quero que fique
pensando essas coisas...
_No tente me enrolar, voc no est bem! Ser que a
Sabrina tem alguma coisa a ver com isso?
 O corao de Ana disparou, a v saberia da histria?


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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


_No, v!
_Eu acho que ela tem tudo a ver com essa histria! Querida,
quando a Sabrina e o Alexandre comearam namorar eu
fiquei feliz e ao mesmo tempo muito apreensiva. Alexandre 
um timo rapaz, amo aquele menino como a um neto, que
rapaz trabalhador! Temente a Deus e ainda por cima ele  um
gato, como dizem vocs- ao falar assim V Tel deu um largo
sorriso- mas eu logo vi que no ia durar, a Sabrina  uma
moa linda, muito atraente, mas no tem juzo, vai  igreja por
obrigao e no por amor. Quando eles terminaram ningum
ficou surpreso, pois era algo que todos esperavam. Quando
eu percebi a aproximao de vocs eu fiquei feliz, pois voc 
to interessada nas coisas de Deus,  uma menina de ouro e
pensei, agora sim tem tudo para dar certo. Querida, me diga a
verdade, a Sabrina est envolvida nisso, no est ?
_V, esquea isso, vamos tomar um cafezinho?
_Vamos sim, mas nossa conversa no acabou. Eu tenho
certeza que a Sabrina fez alguma coisa para vocs se
afastarem, tenho certeza!
_V linda, pare de se preocupar...
_Eu estou orando por vocs, Aninha! Eu sei que existe algo
para ser esclarecido e Deus vai te guiar. Tenho certeza. Se
voc quiser se abrir comigo, fique  vontade, seno eu vou
entender e vou continuar te ajudando em orao, querida!
Neta e v se abraaram e compartilharam um delicioso bolo
de cenoura com caf. Depois que a v foi embora, Ana ficou
pensando em como a v Tel era observadora e esperta, mas
ela no iria contar, Ana sabia o quanto a v admirava


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                         Tnia Gonzales


Alexandre, com certeza seria um duro golpe para ela.

 "A verdade  doce e amarga: quando  doce, perdoa; quando 
amarga, cura." Agostinho

Captulo 11 -Esclarecimentos

No ltimo sbado de maro, Ana foi ao ensaio da pea e
quando terminou Beth pediu para ela esperar pois queria
muito conversar com ela.
_Ana, eu preciso muito ter uma conversa com voc, mas no
aqui, eu gostaria que voc fosse  minha casa, poder ser?
_Tudo bem, Beth, eu s preciso ligar para o meu pai.
Durante o caminho para a casa de Beth Ana ficou pensando
qual seria o assunto da conversa e se preocupou com a
possibilidade de ter alguma coisa a ver com Alexandre. Beth
morava com a me, a irm Maria, em um bonito apartamento
bem prximo  igreja. Passaram alguns minutos conversando
com ela e saboreando um caf com pezinhos caseiros que a
me de Beth fazia com o maior carinho. Depois foram ao
quarto de Beth.
_Ana, eu vou direto ao assunto, eu quero te ajudar. Eu sei que
est acontecendo alguma coisa sria entre voc e o Al, s no
sei o que . Eu percebi, me desculpe se estou sendo indiscreta,
que vocs dois estavam sempre prximos um do outro,
principalmente no retiro, e eu s estava esperando o momento
que vocs iriam oficializar o namoro.
_Beth, eu e o Alexandre...no tem nada a ver.


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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


_Ana, por favor! Eu no quero te forar a falar, voc  livre
para dizer o que quiser ou no dizer nada, mas eu percebi h
algumas semanas que vocs s conversam o essencial,
participam do grupo de teatro, contracenam o tempo todo,
vocs esto trabalhando muito bem na pea, eu no tenho
razo para reclamar, mas eu percebo uma tristeza to grande
em voc e o Al est to diferente! Ana eu estou aqui como
uma amiga que quer muito ajudar, confie em mim...
Neste momento Ana no aguentou mais e comeou a chorar,
Beth a abraou e elas ficaram por alguns instantes em
silncio.
_Beth, eu preciso mesmo desabafar com algum, outro dia eu
fiquei pensando na minha me e de como ela me faz falta, se
ela estivesse aqui eu no precisaria ficar guardando tudo... 
to difcil! Como eu sinto saudades!
_Ana, eu imagino o quanto di a ausncia dela, mas Deus
sempre nos envia algum para ajudar, hoje eu estou aqui,
pode contar comigo. Antes que voc comece eu gostaria de
compartilhar uma experincia bem desagradvel que eu tive.
Quando eu tinha 24 anos, conheci um rapaz de 26 anos
chamado Srgio, eu gostei dele desde o primeiro dia, ele foi
convidado pelo lder de jovens da poca para cantar em um
culto. A voz dele era belssima, os hinos tocavam
profundamente. Ele era simptico, extrovertido, divertido e
ainda por cima muito bonito. Ele tinha um sonho de um dia
gravar um CD, fazia teologia, trabalhava em um instituio
bancria e havia cursado a faculdade de administrao.
Comeamos a namorar depois de 3 meses. Tudo era


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maravilhoso, Ana, as famlias se davam bem, ele sempre
estava na ICVV, mesmo sendo de outra igreja, sempre dava
um jeito de estar l pelo menos para me buscar. Depois de 3
anos de namoro ficamos noivos e comeamos a procurar um
apartamento, escolher mveis e outras coisas mais. Um dia
ele me ligou, fazia 5 meses que estvamos noivos, disse que
no dava mais para continuar com o noivado e me pediu
desculpas por todo o transtorno que iria causar. Eu disse pra
ele que no era assim, que ns deveramos conversar, que
precisvamos dar uma explicao para a famlia, mas ele me
informou que naquela noite viajaria para Recife, iria morar l.
Ana, eu no queria acreditar , o que teria acontecido? Fui at a
casa dele mas ele j havia partido, os pais dele pediram mil
desculpas, at choraram dizendo que estavam envergonhados
com a atitude do filho mas no poderiam fazer nada. Depois
de alguns meses eu descobri que ele havia se casado com a
filha de um grande empresrio l de Recife, que veio passar
as frias aqui em So Paulo um ano antes, eles se conheceram
atravs de uma prima dele e comearam a conversar pelo
telefone e internet. E foi isso. Eu fiquei abismada, se j estava
conversando com ela h um ano porque ficamos noivos?
Como foi difcil aceitar o fato e enfrentar o questionamento
de todos...
_Sinto muito, Beth! No para entender certas atitudes.
Pessoas que se dizem crists fazer uma coisa dessas!
_Eu sei, Ana. Sabe, o que mais me di  ele ter terminado
tudo pelo telefone; ele no teve sequer a coragem de me
encarar. Ento eu sei que  muito difcil confiar nas pessoas,


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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


porque quando voc pensa que as conhece, de repente pode
ter uma desagradvel surpresa. Quer falar agora? Est pronta?
 Ana concordou e passou a contar sobre a conversa que teve
na papelaria com Sabrina.
_Ana, isso  muito srio! Mas  tudo muito estranho, pois eu
lembro bem que depois que os dois terminaram o namoro, a
Sabrina sempre ficava atrs de Alexandre, todos sabiam que
ela queria voltar, isso era to bvio! Agora ela conta esta
histria, alguma coisa est errada. Se o que ela contou 
verdade, por que ela iria querer reatar o namoro? Voc
concorda?
_, voc tem razo! Eu no sei, estou to confusa! Eu gostaria
tanto que tudo isso fosse mentira. Eu no quero prejudicar o
Alexandre.
_Eu acho to difcil acreditar no Alexandre tendo este tipo de
atitude. Eu o conheo desde pequeno, eu lembro quando ele
tinha 5 anos e eu era uma adolescente. Eu sei que ele 
homem e tambm sei muito bem que as aparncias enganam,
mas mesmo assim, Ana. Tem alguma coisa muito errada nesta
histria. Eu no posso falar agora, mas esta parte que ela
contou sobre pornografia na net... eu conheo uma histria, eu
acho que deve ser a mesma.
_O que voc sabe, Beth?
_Eu no posso falar agora, Ana, eu vou conversar com o
Alexandre, ele merece ter uma oportunidade para se explicar.
Fique tranquila, confie em Deus. Tudo vai ser esclarecido.
Beth ainda conversou com Ana por alguns minutos e depois a
levou para casa. Ana estava bem mais tranquila, conversar


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                         Tnia Gonzales


com Beth ajudou bastante. A professora no quis esperar para
comear a esclarecer tudo, ligou para Alexandre e combinou
encontrar-se com ele no shopping.
_Al, eu tenho um assunto delicado para conversar com voc,
eu at pensei se no seria melhor contar tudo para o Ronaldo e
ele ter esta conversa com voc, mas como a Ana confiou em
mim, eu achei melhor assim.
_Beth voc est me assustando! Que assunto  este?
_Calma, eu vou explicar tudo, acho que eu no preciso ter
vergonha de voc, a gente se conhece h tanto tempo, n?
Bem, eu conversei com a Ana hoje, porque eu percebi que
existia alguma coisa errada entre vocs dois. Eu estava
esperando a qualquer momento receber a notcia que vocs
estavam namorando. Pelo jeito dos dois se olharem e tratarem
um ao outro, voc sabe!
_ Beth, eu tambm pensei! Era exatamente isso que eu ia
fazer, eu j tinha decidido pedi-la em namoro no final de
semana aps o retiro, mas no sei por qu tudo mudou...
_Eu sei o que aconteceu, mas primeiro eu gostaria que voc
me contasse qual o motivo do trmino do namoro entre voc e
a Sabrina, por favor seja sincero!
_Beth, eu... no queria falar sobre isso, acho que  um
assunto muito ...
_Al, eu preciso saber, s assim eu posso contar o que est
acontecendo com a Ana.
_Est certo... a Ana me fez a mesma pergunta e eu no
respondi e eu sei que ela no gostou, mas  muito chato falar
sobre isso... bom... eu comecei namorar a Sabrina e confesso


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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


que foi s pela aparncia dela, ela  muito bonita, eu me senti
atrado por ela. Poucos dias depois eu percebi que tudo o que
ela tinha era s aparncia mesmo, desculpe Beth eu acho bem
desagradvel falar estas coisas mas voc que pediu; eu vi
que nosso namoro no ia dar certo, a Sabrina  to desligada
da igreja, no tem responsabilidade, s quer curtir e eu no
queria isso pra mim. Bom , eu fui levando, depois de uns trs
meses de namoro, ela comeou com uma histria de que o
nosso relacionamento era muito morno... - ao dizer isso
Alexandre fez uma pausa, para escolher melhor as palavras-
que ela queria algo mais, ela me disse que as amigas dela
contavam umas coisas que elas faziam ... no namoro e ela
no queria ficar s nos beijinhos, foram as palavras que ela
usou, Beth.
_Tudo bem, Al, no fique constrangido.
_Eu desconversei e ela ficou muito brava, dizia que eu a
estava desprezando e os meus amigos iriam saber que eu no
tinha coragem, coisas do tipo... depois daquele dia eu sempre
procurava fazer de tudo para no ficar sozinho com ela, eu
sou homem, Beth, eu no queria ficar to perto da tentao.
Uma garota ... me de-desculpe...mas, uma garota se
oferecendo assim,  complicado.
_Al, estou entendendo o porqu de voc no querer falar
sobre isso com a Ana.
_ bem deselegante um homem falar sobre outra mulher
assim, pelo menos  o que eu acho.
_Claro que ! Voc tem toda a razo.
_Um dia eu cheguei na casa dela e ela me disse que o


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                        Tnia Gonzales


Gustavo      havia acabado de ligar dizendo que estava
precisando de uma ajuda com o PC dele que estava com um
vrus e queria que eu fosse at l, eu concordei na hora.
Quando ns chegamos l, o Gustavo ia me mostrar o
computador, de repente ele disse que precisava dar uma sada
rpida para comprar alguma coisa a pedido da me dele e j
voltava. Eu fui olhar o PC dele, a Sabrina chegou perto de
mim dizendo que estava tudo certo com o computador que
era s uma desculpa para ns irmos para casa dele, que
estava vazia, pois os pais e a irm dele, a Priscila, estavam
viajando e s voltariam no outro dia. Ela me contou que era
uma tima oportunidade para ns dois... eu disse para ela que
seria melhor ns irmos embora, ela ficou insistindo e
comeou a me beijar e ... eu me levantei e falei pra ela que
isso no era certo que se a gente fizesse alguma coisa ali
depois ela ia se arrepender. Ela ficou muito brava, disse que
eu no era homem... foi bem desagradvel. Eu aproveitei e
disse pra ela que queria terminar o namoro, ela ficou falando
umas coisas e eu resolvi sair e deixei ela l.
_Al, Al! Isso explica muita coisa...
_O que a Sabrina andou contando pra Ana?
_Eu vou te contar tudo, se prepara...
Beth contou toda a histria da conversa das duas primas
naquela tarde na papelaria, Alexandre ficou muito
desapontado, parecia no acreditar no quanto Sabrina havia
mentido.
_Mas que absurdo! disse Alexandre com indignao assim
que Beth terminou o seu relato- como que a Sabrina teve a


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              Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


coragem de inventar tudo isso? No d pra acreditar! Agora
d pra entender a fuga da Ana. Ela estava fazendo de tudo
para ficar bem longe de mim. D pra entender, para aceitar 
que no d, a Ana podia ter aberto o jogo comigo, ns
conversamos tanto! Por que ela no me disse nada?
_Al, voc precisa concordar que  tudo muito complicado
para Ana, voc acha que ela teria a coragem de falar esse tipo
de coisa pra voc? E pense bem, ela te conhece h pouco
tempo.
_A histria sobre os sites voc lembra bem, no ?
_Eu lembro, o Gustavo se libertou mesmo disso, n?
_Sim , ele diz que nunca mais olhou esse tipo de coisa, eu
acredito nele.
Eu lembro que na poca o pai dele pediu pra voc dar um
jeito para impedir que ele entrasse nos sites imprprios.
_Eu ajudei , mexi no PC, fiz uma bela limpeza em primeiro
lugar. O Ronaldo conversou muito com ele. Gustavo est
bem, Beth. Ele est se esforando para conservar a mente
pura. Agora A Sabrina vem e desenterra essa histria a troco
do qu?
_Ela usou uma histria verdica s mudou o protagonista.
_Ela s ficou sabendo porque sempre frequentou a casa,
ficava horas l conversando com a Priscila, em um daqueles
dias ela entrou no quarto dele, o PC ficava l antes do pai dele
descobrir o que Gustavo andava fazendo, e viu por onde ele
navegava, ela acabou usando isso para convenc-lo a me
deixar sozinho com ela na casa dele. O Gustavo, depois que
ficou sabendo que ns terminamos o namoro, me contou


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                         Tnia Gonzales


tudo.
_Isso no pode ficar assim, Al, o qu voc acha de uma
reunio com todos os envolvidos?
_No sei Beth, eu no gostaria de envolver o Gustavo nesta
histria, ele no precisa passar por toda essa exposio e
muito menos a Ana.
_O Gustavo eu acho que at d pra dar um jeito, mas a Ana...
_Eu acho que ela no deveria participar da reunio.
_Eu vou conversar com a Lgia , quero saber a opinio dela,
o que voc acha? - perguntou Beth, mencionando a esposa do
pastor Jair.
_Concordo, depois ela mesma fala com Pr. Jair.
_Al, no fale com a Sabrina, vocs vo acabar brigando,
tenha pacincia.
_Voc tem razo, mas a vontade  de ir at a casa dela...
_Eu sei, mas isso s iria atrapalhar.
Beth prometeu falar com Lgia no dia seguinte, garantiu
que daria um jeito apesar de que teriam um domingo bem
diferente, pois ela iria para o centro de recuperao em
Suzano, um nibus sairia da igreja. Alexandre disse que
tambm iria passar o dia na chcara. Ele foi para casa e ficou
aliviado por no ter ningum l, os pais tinham ido visitar uns
amigos. No queria explicar nada, no hoje, estava muito
magoado. Beth resolveu ligar para Ana e contar tudo. Ela
ficou aliviada e ao mesmo tempo se sentiu pssima por ter
acreditado em Sabrina. Aps a conversa com Beth, chorou
muito e lamentou precisar sair no dia seguinte logo cedo, pois
os olhos com certeza estariam inchados; Roberto e os filhos


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              Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


tambm iriam aproveitar para conhecer o centro de
recuperao da igreja, ele havia se oferecido para ajudar na
cozinha; no daria para Ana arrumar uma desculpa.            Os
trabalhos de domingo da ICVV seriam normais, pois s um
nibus iria para chcara. Beth seria substituda por Vera em
sua classe e ficou feliz por saber que Lgia, esposa do Pr. Jair
tambm iria  chcara.
Ana entrou no nibus, os primeiros lugares j estavam
ocupados, achou um lugar nos fundos, sentou-se e reservou a
poltrona ao lado para seu pai. Roberto entrou com o filho e
Alexandre subiu logo em seguida.
_Oi , Alexandre, graa e paz- cumprimentou Roberto.
_Roberto, graa e paz, e a Lipe, tudo bem?- respondeu
Alexandre ao mesmo tempo que olhava ao redor para saber se
Ana tambm estava l.
Roberto logo viu a filha que fez um sinal para ele, se
aproximou mas no sentou ao lado de Ana, apontou a
poltrona para Alexandre dizendo:
_Alexandre, eu vou te pedir um favor, eu preciso sentar com
meu querido filho, quero trocar umas palavrinhas com ele,
voc sentaria com a Ana?
_E-e-eu? Se ela concordar...
_Claro que sim, no  filha?
_ claro, pai...
Roberto sentou-se trs fileiras  frente de Ana e Alexandre, o
nibus no estava cheio por isso eles ficaram um pouco
afastados dos demais. Beth entrou e logo percebeu a situao,
mas sentou-se ao lado de Lgia que havia reservado um lugar.


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                        Tnia Gonzales


_Voc est bem? - perguntou Alexandre assim que o nibus
andou.
_Estou.
_E a Carol ?
_Ela bem que queria ir para a chcara tambm, mas meus tios
iam ter visita hoje para almoar, uns parentes que h muito
tempo eles no viam, meu tio queria que a famlia estivesse
completa.
_No so parentes seus tambm?
_No, so primos do tio Rubens.
_Entendi. Eu no sabia que voc viria.
_E se soubesse voc viria assim mesmo?
_Sim, eu preciso ver o Carlinhos. Ana, eu j sei o motivo do
seu... distanciamento- disse Alexandre em um tom mais baixo.
_Eu sei... e peo desculpas. Sinto muito- Ana falou olhando
diretamente para os olhos azuis, em seguida desviou o olhar e
abaixou a cabea.
Por alguns minutos eles permaneceram em um silncio
insuportvel, at que Alexandre reiniciou a conversa.
_Por que voc no me contou? Eu fiquei todos estes dias sem
resposta, no entendia a razo de voc me evitar. Voc
deveria ter falado comigo, como pde acreditar na Sabrina?
Voc entendeu agora porque eu no queria lhe responder
sobre o trmino do namoro com ela, entendeu?
  " Ele est furioso"- pensou Ana- " Est mesmo bravo
comigo e no gaguejou , agora eu descobri que isso s
acontece quando ele fica com um certo nervosismo, por
timidez,  isso, mas como  que eu posso chegar a esta


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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


concluso em um momento como este? S eu mesmo".
_Ana, responda!
_Entendi, me desculpe, eu sei que errei, voc no merecia,
mas eu me sinto aliviada por tudo isso ser uma grande
mentira. Eu fiquei pensando que decepo as pessoas teriam,
voc  admirado por muitos e ...
_Eu no estou preocupado com a admirao das pessoas, eu
s queria que voc confiasse em mim, depois de todas as
nossas conversas, depois do nosso pri...
 Alexandre no continuou mas Ana sabia o que ele queria
dizer, ele estava se referindo quela noite que eles foram ao
restaurante de Miguel e depois ao shopping... quele
momento to especial do primeiro beijo deles.
_Eu me senti to mal com a distncia que voc colocou entre
ns, fiquei pensando se eu tinha feito alguma coisa errada, ou
falado algo ... eu no sabia o que pensar, estava tudo indo to
bem entre ns.
_Eu sei que errei, voc no merecia isso. Mas eu fiquei to
confusa...
_A Beth vai marcar uma reunio com todos os envolvidos,
mas eu no quero que voc participe.
_Por qu? Por causa da minha idade? No posso participar de
uma reunio como esta?
_Pare com isso, Ana! Eu acho melhor assim, sua famlia toda
envolvida nisso...
_Mas eu estou envolvida, eu tenho que assumir o meu erro...
_ melhor ns conversarmos depois, j chegamos- avisou
Alexandre.


                                143
                         Tnia Gonzales


A manh foi dedicada para conhecerem a chcara, pois a
maioria estava ali pela primeira vez. Era um lugar muito
agradvel, tinham pomar, horta, quadras de esportes, piscina,
uma pequena biblioteca, refeitrio, um salo para realizao
dos estudos e cultos. A casa tinha 5 espaosos quartos, cada
um com 6 camas; cozinha e sala bem amplas e havia 3
banheiros dentro e mais 2 do lado de fora da casa. Eles
ficaram sabendo que havia um quarto reservado para os
visitantes guardarem seus pertences. No momento eles
estavam com 21 jovens morando ali.
Ana ficou muito feliz por ver Carlinhos, demorou um pouco
para reconhec-lo estava muito diferente do dia em que ele
apareceu no ensaio do grupo de teatro. Era um rapaz bonito e
muito simptico. Os pais de Carlinhos e sua irm Cntia,
ficaram muito felizes em rev-lo, foi emocionante v-los
abraados.
Beth aproveitou a oportunidade e foi dar uma caminhada pela
chcara com Lgia. Ana aproveitou para ajudar seu pai na
cozinha.
_Precisando de ajuda, chefe? - perguntou Carlinhos ao
aparecer na cozinha.
_Uma ajuda  sempre bem-vinda. Vou apresentar minha
equipe: esta  minha filha Ana, e esta outra eu sei que voc
conhece bem,  a que manda aqui!- Roberto estava se
referindo  irm Elisa, responsvel pela cozinha da chcara e
esposa do Pr. Lus que era o diretor da chcara- este  Paulo,
meu companheiro de aula na EBD, ele  xar do meu irmo
que  pastor em Santa F.


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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


_Prazer em conhec-los, Ana eu no lembro de voc l na
igreja, eu tenho certeza que se eu tivesse visto voc alguma
vez eu no teria esquecido- disse Carlinhos.
Neste momento Alexandre entrou na cozinha e foi logo
esclarecendo.
_Ela j o viu uma vez, mas voc no estava em condies...
_Ah! Foi naquele dia em que eu sujei sua linda camisa, no
foi?
_Exatamente.
_Meu maninho do corao, s voc pra aguentar  dizendo
isso Carlinhos deu um abrao em Alexandre.
_Ento Ana, eu estou diferente daquele dia? - perguntou
Carlinhos com curiosidade.
_Com certeza, eu nem te reconheci hoje. Voc est timo.
Fico muito feliz por isso.
_ Jesus quem faz estas coisas na vida da gente. Ele  tudo na
minha vida.
_E a, vocs vieram aqui pra ajudar ou conversar? - perguntou
Roberto rindo.
E assim at Alexandre deu uma mozinha na cozinha; Beth
depois da rpida conversa com Lgia tambm entrou na
equipe de Roberto. No cardpio: arroz  grega, um
feijozinho bem temperado, carne assada com batatas, vrios
tipos de salada com folhas e legumes fresquinhos, sucos e
refrigerantes para aqueles que no conseguiam manter
distncia dos engarrafados nem em uma chcara. O almoo
foi muito divertido, os jovens do centro de recuperao
estavam muito animados com a visita daquele domingo.


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                         Tnia Gonzales


Pastor Lus, responsvel pelo trabalho ali, fez uma orao
especial de agradecimento a Deus por todos os presentes.
  tarde depois do devido descanso do almoo, eles assistiram
uma partida de futebol entre os 2 times da chcara, Lipe
entrou em um dos times e fez um belo gol, o que deixou
Roberto todo cheio de orgulho.
Lgia aproveitou para conversar com Ana e assegurou que
tudo seria resolvido da melhor maneira possvel para no criar
atritos entre as famlias envolvidas.
Eram 17h quando o Pr. Lus iniciou o culto na chcara. Houve
um momento especial de louvor e depois todos puderam ouvir
testemunhos de alguns jovens em tratamento. Carlinhos foi
dos que falaram.
_Eu estou muito feliz por ter a oportunidade de passar um dia
inteiro com a minha famlia, se vocs me perguntarem qual
foi a ltima vez que isso aconteceu eu no saberia dizer,
porque eu andei to perdido que no via mais ningum na
minha frente. S a droga da droga! Era s ela que eu via, e ela
 to exclusivista e egosta que no te permite olhar para
mais ningum. Eu peo desculpas a meus pais, minha irm, eu
sei que os fiz sofrer muito, me perdoem por toda vergonha
que eu os fiz passar. Eu tambm peo perdo  minha famlia
do corao, vocs tambm sofreram junto conosco, eu amo
todos vocs. Pr. Jair que no pde vir hoje, mas sempre est
aqui conosco com todo seu carinho e sabedoria, ele  uma
beno; Pra. Lgia, quantos conselhos vindos de Deus saram
diretamente da sua boca; Pr. Lus e a irm Elisa, vocs
moram no meu corao, como so dedicados no trabalho de


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               Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


Deus! E eu agradeo em especial ao meu maninho do
corao, Al, que  um presente de Deus na minha vida, " eu
preciso de ti querido irmo, precioso s para mim querido
irmo"20! Eu te amo Jesus!Te agradeo pela minha liberdade!

Foi um momento inesquecvel para todos, muitas lgrimas e
glrias foram dadas ao Deus que s faz maravilhas. O culto
terminou com todos louvando:" Te agradeo por me libertar e
salvar, por ter morrido em meu lugar, Te agradeo, Jesus te
agradeo, eu te agradeo, Te agradeo... "21
Ana estava muito feliz por no ter permitido que toda aquela
histria de Sabrina interferisse em sua ida  chcara, com
certeza ela teria perdido muito, pois foi uma grande beno
para todos. Ela entrou no nibus e sentou-se no mesmo lugar,
imaginando se Alexandre iria sentar-se ao lado dela
novamente. Ana observou que Lipe sentou-se com Samuel,
um amigo da classe da EBD, ento logo chegou a concluso
de que quem sentaria ao seu lado seria seu pai, mas ficou
surpresa quando viu o pai entrar e dar passagem para a
professora Beth, que sentou-se para em seguida Roberto se
posicionar a seu lado. Ana achou a situao interessante.
Alexandre foi quase o ltimo  entrar. O corao de Ana
estava batendo muito rpido, a expectativa era grande, pois
havia alguns lugares vagos no nibus e            pensar na
possibilidade dele manter distncia... Ana ficou aliviada
quando viu que Alexandre se aproximava.

20 Louvor: " Corpo e famlia"
21 Louvor: " Te agradeo"- Diante do Trono.

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                            Tnia Gonzales


_Posso me sentar aqui com voc novamente ou eu sou "
persona non grata "22 ?
_Voc  " persona grata "23, sempre! - respondeu Ana com
um sorriso, ao perceber que ele estava de bom humor.
_Gostei, principalmente do " sempre ".
_Eu pensei que voc havia gostado do meu latim.
_Tambm! Bom , acho que eu nem preciso perguntar se voc
gostou do dia na chcara, n?
_Amei! Eu estava aqui pensando como foi bom no deixar
que certas coisas atrapalhassem...
_ verdade. Muito legal o testemunho do Carlinhos...
_ mesmo! Foi lindo!
_A pastora Lgia falou alguma coisa sobre aquele assunto?
_Ela s disse que tudo vai ser esclarecido, a reunio vai ser
marcada; eu fiquei pensando que seria melhor j contar para o
meu pai, o que voc acha?
_, talvez seja melhor mesmo, mas no se esquea de no
mencionar o nome do Gustavo.
_Quanto a isso voc pode ficar tranquilo.
_O que voc estava ouvindo? - perguntou Alexandre
apontando para o fone de ouvido do celular de Ana.
_Quer ouvir? - perguntou Ana passando o celular para ele.
_Tome um pra voc, vamos ouvir juntos...
Eles ficaram em silncio um ao lado do outro, enquanto
escutavam: " Eu sou como vento passageiro, que aparece e


22 Latim: pessoa que no  bem-vinda.
23 Latim: pessoa que  bem-vinda.

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              Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


vai embora, como ondas no oceano, assim como o vapor..."24
_Eu gosto muito desta msica- disse Ana- ela me faz pensar
em como a vida  curta, mas eu no penso com tristeza, sabe?
Ela me coloca no meu devido lugar, porque s vezes a vida
vai passando sem que voc se d conta do quanto ela 
preciosa e nica. O tempo passa to depressa que voc
precisa dar valor a que realmente tem valor. Nos dias que
estamos vivendo as pessoas ficam perdendo tempo com
coisas passageiras, como por exemplo o apego ao dinheiro, se
voc morrer no vai poder levar nada. Deixam de passar
momentos com a famlia para estar no meio de um monte de
gente que nem se importa com elas. Outro exemplo  a
preocupao exagerada com a aparncia, o culto ao corpo. 
um tal de no estou satisfeito com isso, no estou satisfeito
com aquilo. Muitos no param para pensar que todas estas
coisas so passageiras, se preocupam tanto com este corpo
que um dia vai acabar e se esquecem de cuidar do seu interior.
Ns temos que lembrar que esta vida  como o vapor, para
no perdermos o foco, Tiago diz isso, n?
_Tem razo pastora Ana! Deixa eu procurar pra voc, vamos
aproveitar bem o seu momento filosfico- brincou Alexandre
para em seguida pegar a Bblia que estava em sua mochila e
ligar a luz, pois j passava das 20h- vejamos... Tiago... no
fuja de mim... achei, eu no queria passar vergonha com uma
garota to Bblia ao meu lado!
_Para com isso!
_Tiago 4.14 : " Vs no sabeis o que suceder amanh. Que 
24 " Quem sou eu? " PG

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a vossa vida? Sois, apenas, como neblina que aparece por
instante e logo se dissipa."
_ isso a!
_Eu j entendi! Voc  muito esperta, Ana!- constatou
Alexandre rindo muito.
_O que foi, o que  to engraado e por que eu sou to
esperta?
_Voc fica me dizendo estas coisas, daqui a pouco voc vai se
referir ao versculo : " No se ponha o sol sobre a vossa
ira"25 ; e a voc vai dizer: Alexandre no  sadio guardar
mgoa, libere o perdo... pois a vida  passageira, no vale a
pena...
_Engraadinho! Voc pensa que eu falei estas coisas de
propsito, voc acha que foi tudo calculado?
_Eu acho! - Alexandre estava se divertindo.
_Nossa... se voc pensa assim... ento eu s estava sendo ...
uma boba...
_Desculpe, Ana! Eu s estava brincando. No devia ter feito
isso, a conversa estava to boa. Eu pensei na hora, sabe,
depois que eu li o versculo, mas eu no acho que voc esteve
manipulando tudo, foi brincadeira, s pra descontrair um
pouco, voc estava em um momento to solene!
_Tudo bem, eu no vou me estressar, afinal voc merece se
divertir um pouco comigo, depois do que eu fiz...
_No, para com isso. Eu gosto muito de conversar com voc
Ana. Voc sempre tem algo a dizer. Por isso que foi to difcil
ficar quase um ms sem falar com voc. Ana, voc me fez
25 Efsios 4.26

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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


muita falta, mas do que eu gostaria de admitir.
_Eu sinto muito, eu tambm sofri. Eu criei uma imagem to
linda e de repente algumas palavras mentirosas tiveram fora
para desfazer.
_Eu quero conversar com voc depois que tudo ficar
esclarecido. Que pena Suzano ser to perto, estamos
chegando- avisou Alexandre.




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                        Tnia Gonzales




"Ama a verdade, mas perdoa o erro." Voltaire

Captulo 12 -Namoro

Quando chegou em casa naquela noite, Roberto ficou sabendo
de toda a histria inventada por Sabrina.
_Por isso que vocs dois estavam to estranhos!- constatou
Roberto- Depois daquele dia do jantar eu estava s esperando
o Alexandre vir falar comigo, tinha certeza que ele ia pedir
para namorar...
_Pai! No  bem assim...
_Aninha, voc acha que eu no vou perceber o que est claro
diante dos meus olhos? Voc deveria ter falado comigo, filha,
eu sei que  um assunto delicado, mas que bom que voc se
abriu com a Beth, ela foi muito sensata e demonstrou ser uma
grande amiga.
_Voc est certo, pai. Eu s deveria ter conversado com ela
antes, pelo menos no teria ficado quase um ms nesta
angstia!
Antes de adormecer Ana ficou pensando sobre o dia passado
na chcara, recapitulou tudo em sua mente, principalmente
cada palavra dita por Alexandre; como era bom poder
conversar com ele novamente.

Ana estava abrindo a porta de casa, ao voltar da aula na
segunda-feira, quando o telefone contou, era Beth avisando


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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


que o Pr. Jair havia marcado a reunio para quarta-feira s
21h, se no tivesse problema para Roberto, pois ele fazia
questo da presena dele; Beth tambm informou que j havia
adiantado o assunto para sua tia Isabel e que todos se
reuniriam na casa do Dr. Afonso.
Carol no conseguiu segurar a curiosidade e foi at a casa de
Ana para saber o que estava acontecendo, mas Ana a
convenceu que seria melhor esperar pelo dia da reunio.
A quarta-feira chegou rapidamente e com ela toda a
expectativa daquela reunio especial. Rubens combinou com
Roberto para irem juntos, ento foram todos no carro dele, o
que criou uma situao um pouco constrangedora. S
Roberto e Rubens falavam, e o assunto era o preferido pela
maioria dos homens: carros.
_Agora que estamos todos aqui eu gostaria de convid-los
para uma orao- iniciou Pr. Jair.
 Na espaosa sala da famlia, estavam Dr. Afonso, sua esposa
Lusa e Alexandre; Pr. Jair, sua esposa Lgia e Beth; Roberto e
Ana; Rubens, sua esposa Isabel e Sabrina.
 Aps orar, Pr. Jair pediu para que todos se sentassem e ento
continuou a reunio.
_Em primeiro lugar eu gostaria de agradecer ao Dr. Afonso e
esposa por terem cedido sua casa para esta reunio. Eu sei que
todos j tm conhecimento do assunto a ser tratado, vou ler
um versculo em Provrbios 18.21 diz " A morte e a vida
esto no poder da lngua; o que bem a utiliza come do seu
fruto". O poder da lngua no pode ser negligenciado por ns,
precisamos ser cuidadosos quanto ao seu uso. Com uma


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                          Tnia Gonzales


palavra voc anima aquele que est desanimado, voc levanta
aquele que est cado, mas tambm com uma palavra voc
destri os sonhos, acaba com a esperana, mancha a
reputao de algum. Sabrina falou algumas coisas bem
desagradveis a respeito de Alexandre para sua prima Ana.
Ns no estamos aqui hoje para ficar levantando a questo,
lembrando de cada palavra dita, no  este o nosso objetivo;
o importante aqui hoje  que as famlias envolvidas fiquem
em paz, pois a estratgia preferida de nosso inimigo  atacar
as famlias, porque ele sabe que isso mexe com a igreja, pois a
igreja  feita de qu? De famlias. Mas ele no vai sair
vitorioso, ns vamos colocar um ponto final nesta histria,
hoje. Sabrina, eu gostaria de passar a palavra para voc, por
favor filha, fique  vontade, no precisa se levantar fique onde
est.
_Eu... s queria pedir perdo... eu sei que errei, no deveria
ter inventado aquela histria.  tudo mentira, o Alexandre no
falou ou fez nada do que eu disse. Eu tive a infeliz ideia de
inventar e depois eu me arrependi, mas fiquei com vergonha
de falar com a Ana. Eu sinto muito Alexandre, Ana, enfim
todos.  isso.
_Como o maior prejudicado desta histria  o Alexandre, eu
gostaria que ele falasse agora- disse o pastor.
_Eu confesso que fiquei muito magoado com toda esta
histria, mas  como o pastor disse, devemos colocar um
ponto final nisso tudo. Tudo bem Sabrina, voc est
perdoada. Eu no quero que esta histria interfira            na
amizade que h entre nossas famlias.


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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


_Obrigado, Alexandre. Algum mais quer falar alguma coisa?
Eu pergunto agora, porque eu espero que tudo acabe aqui, eu
no quero ouvir comentrios depois - pediu Pr. Jair.
_Eu gostaria de falar- disse Ana.
_Ana voc no precisa dar nenhuma explicao... - interferiu
Alexandre.
_Alexandre deixe que ela fale,  melhor que tudo seja
esclarecido aqui- pediu o pastor.
_Eu preciso dizer algumas coisas. Sabrina, eu no vou
guardar mgoas de voc, eu tambm te perdoo. Eu tambm
errei por ter acreditado, se eu tivesse conversado com a
professora Beth antes, esta conversa j teria acontecido h
algumas semanas. Esta histria toda me machucou muito, e eu
sei que voc ficou magoado-confessou Ana olhando para
Alexandre- me faltou coragem para conversar sobre isso com
voc- - Sinto muito, voc no merecia - e olhando para os pais
dele- vocs tm um filho maravilhoso...
_Muito bem, Ana! Eu tenho certeza que o Alexandre
entendeu. Agora, eu gostaria de agradecer a algum que
cuidou de tudo com muita sabedoria. Obrigado Beth, voc
ajudou muito. Vamos orar agradecendo a Deus por tudo estar
em paz novamente. Amm?
_Amm, mas depois da orao eu vou trazer um cafezinho-
anunciou Lusa.
Pastor Jair fez a orao e depois Isabel foi ajudar Lusa com
o caf. Os outros comearam a conversar, Roberto aproveitou
para contar sobre o dia que passaram no centro de
recuperao. S Alexandre, Ana e Sabrina que no estavam


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                         Tnia Gonzales


participando da conversa, cada um permaneceu isolado
entregue a seus prprios pensamentos.
Rubens teve uma conversa muito sria com a filha assim que
chegaram em casa; no outro dia Ana ficou sabendo por Carol
que Sabrina estava de castigo por tempo indeterminado,
poderia ir nos trabalhos da igreja e na papelaria, qualquer
outro programa ela deveria pedir permisso ao pai.         No
sbado, Sabrina foi ao ensaio da pea da pscoa, ela havia
entrado no lugar de Carla que iria fazer o papel de Sara, a
esposa de Abrao, mas teria que viajar com os pais no feriado.
Sabrina aproveitou que faltavam alguns minutos para o incio
do ensaio para conversar com Alexandre, ela precisava dizer
algo muito importante.
_Al, eu preciso falar com voc.
_Sabrina, tem certeza disso?
_Eu preciso,  bem rpido, mas precisa ser em particular.
Alexandre e Sabrina saram da sala enfrentando alguns
olhares curiosos.
_Pode falar agora, mas eu no acho que seja uma boa ideia,
voc lembra do que o pastor disse?
_Eu sei, mas eu preciso te agradecer, seria bem desagradvel
o meu pai ficar sabendo de tudo, voc foi bem legal por no
ter contado o motivo de nosso namoro ter acabado. Valeu
mesmo!
_Tudo bem, foi melhor assim. No ia fazer bem pra ningum,
muito pelo contrrio. Vamos esquecer isso, t?
_A Ana ficou sabendo de tudo, no ?
_Ela precisava saber, mas no contou pra ningum.


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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


_Ento, valeu mesmo! Voc  legal!
O ensaio foi bem produtivo, conseguiram fazer a pea toda
duas vezes. Faltava s uma semana para a apresentao. Era
uma histria bem contada, comeando por Gnesis, sobre a
oferta de Caim e Abel, passando por Abrao e Isaque, at
chegar no "cordeiro que tira o pecado do mundo". Ana fazia o
papel de uma garota que no conhecia o verdadeiro sentido da
Pscoa e Alexandre era o amigo que daria todas as
explicaes para ela, os outros participantes encenavam vrias
passagens bblicas, enquanto ele ensinava para a garota o
verdadeiro significado da Pscoa crist.
_Eu posso dar uma carona pra voc? - perguntou Alexandre
assim que terminou o ensaio.
_Tudo bem. - Ana respondeu um pouco envergonhada.
_Voc est muito bem no papel de Lcia, sabe mesmo
encenar- elogiou Alexandre ao entrarem no carro.
_Valeu pelo elogio, voc tambm nasceu pra isso!
_Sabe naquela hora que Deus pede Isaque em sacrifcio? Eu
fiquei imaginando Abrao fazendo uma proposta : " Deus,
no poderia ser Sara?"
_Engraadinho! Voc no  mau assim, no combina com
voc.
_Brincadeirinha, eu no resisti, foi s isso! A Sabrina at me
agradeceu por ter omitido algumas partes mais
comprometedoras.
_Legal da parte dela, ento foi por isso que vocs saram
antes do ensaio comear...
_Ficou com cimes? Voc ainda no aprendeu o quanto 


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                         Tnia Gonzales


perigoso este sentimento?
_Como algum est animadinho hoje!
_Posso?
_Claro! Voc tem todo o direito!
_Mas ficou ou no ficou?
_Fiquei o qu?
_Com cime!
_Para com isso! Eu fiquei curiosa,  s isso...
_Voc  to m... me faria feliz saber que voc ficou com um
pouquinho de cime...
_" T " bom, eu fiquei... s um pouquinho.
_Ah, legal! Garota dos lindos cabelos negros.. eu queria te dar
um gelo. Queria te colocar na geladeira por um tempo, mas eu
estou com raiva de mim mesmo por no conseguir fazer isso,
que raiva! Voc bem que merecia!
_Eu tenho que concordar com voc!
_Mas eu no consigo. Hoje, por exemplo, eu deveria ignor-
la;    oferecer carona? Nem pensar! convid-la para sair?
Muito menos!
_Convidar para sair?
_O qu? Voc me ouviu? Estou perdido!
_Eu amo o seu senso de humor! - revelou Ana.
_S isso que voc ama em mim?
_Eu no ouvi a pergunta.
_Voc  mesmo muito m! Mas voc quer sair comigo hoje?
Estamos quase chegando em sua casa...
_Aonde ns iramos?
_Bom, eu acho que seria melhor algum lugar distante do


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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


Tatuap, eu no quero correr o risco de encontrar algum
conhecido, o que  bem provvel, sabado, sem
compromissos na ICVV...
_Tudo bem, mas eu preciso...
_J sei, ligar para o chefe...
_Voc deve achar...
_Eu acho isso timo, voc est certa, precisa avisar seu pai.
Sabe, Ana eu sei que hoje  um tpico dia em que o Roberto
vai chegar bem tarde, voc poderia muito bem sair comigo e
ele nem iria saber, mas isso no  o correto,  sempre bom que
os nossos pais saibam onde estamos. Eu no estou sendo o
menino bonzinho, querendo fazer um tipo pra voc, 
realmente o que eu acho. Eu vou avisar para minha me
tambm, a Joyce vai l hoje com as crianas e o meu cunhado
para comerem pizza.
_Se voc quiser ns podemos ir pra l.
_Hoje no,        eu preciso conversar com voc sozinho,
oportunidades no vo faltar para voc comer uma pizza l
em casa.
_Eu vou ligar, mas aonde ns vamos?
_Eu acho melhor irmos em um shopping porque  mais
seguro, apesar de tudo. Vamos em um que voc ainda no
conhece.Um dia eu quero lev-la para o parque Ibirapuera
andar de bicicleta, o que voc acha, j esteve l?
_No, mas eu adoro andar de bicicleta, em Santa F ns
fazamos isso sempre, eu, a Ktia, meus primos, o Lipe,
minha me e at o meu pai , quando tinha uma folga,
participava dos passeios. Eu sa muito pouco desde que


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                         Tnia Gonzales


cheguei aqui.
_Ento eu vou ser o seu guia turstico aqui em Sampa.
Ana e Alexandre avisaram aos pais sobre o passeio, que
ficaram bem satisfeitos pelos filhos estarem novamente se
entendendo.
_O que voc quer fazer primeiro? Comer, assistir um filme,
andar por a?- perguntou Alexandre assim que chegaram ao
shopping.
_No ria, mas eu estou com fome!
_Tudo bem, voc manda! Vamos jantar, senhorita?
_Hoje voc vai esquecer que eu tenho um pai que  "chef" e
ns vamos comer... hambrguer, batata frita, etc, etc... certo?
_Ok, garota dos lindos cabelos negros!
Foram at a praa de alimentao e comeram exatamente o
que Ana havia sugerido.
_Uau, voc estava mesmo com fome, eu precisei at esconder
as minhas batatinhas!
_Exagerado!
_Eu achei interessante o seu pai no exigir            nenhuma
condio para nossa sada hoje.
_ verdade, desta vez ele no disse nada. Acho que  porque
ele te conhece um pouco melhor agora.
-Que bom! Ana, naquele dia que ns fomos jantar no
restaurante " La Sabore", bem, ns... bem..... e-e-eeu...
_Lindo!
_O qu?
_Eu acho que voc fica lindo quando aparece esta sua ligeira
gagueira.


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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


_Ana!
_ verdade. E eu notei, naquele dia na chcara, que quando
voc est bravo a gagueira no aparece, ela s entra em cena
quando voc fica ... como eu posso explicar... quando voc
fica meio nervoso e envergonhado ao mesmo tempo,  isso. 
um nervosismo porque voc est com vergonha. Deu pra
entender?
_Ana s voc mesmo. Voc notou isso?
_Eu sou muito observadora diante do que me interessa.
_Uau! Agora eu vou flutuar...
_Engraadinho!
_Diante do que me interessa! Gostei! Ento eu desperto um
certo interesse em voc , desculpe a redundncia, mas isso 
muito interessante!
_Acho que j falei demais...
_Ento, quem vai falar agora sou eu, Ana, eu achei incrvel
voc ter pedido a palavra l na reunio, voc foi muito
corajosa.
_Eu tinha que falar, era o mnimo que eu deveria fazer. Pelo
menos ter a coragem de me desculpar.
_Tudo bem, agora vamos deixar esta histria no passado,
lembra que o pastor Jair disse? Sem comentrios. Eu s queria
que voc soubesse o quanto eu admirei a sua atitude. Com
essa coisa toda ns perdemos um ms e  por isso que eu no
coloquei voc na geladeira, eu no quero perder mais tempo,
Ana, naquela fatdica semana eu tinha decidido fazer algo que
foi adiado por causa da distncia que foi colocada entre ns.
Depois do nosso... eu vou conseguir...  s respirar fundo....


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bem ... depois do nosso primeiro e nico beijo eu tinha
decidido fazer uma pergunta, e eu vou faz-la agora...
_Me desculpe interromper, no fique bravo comigo, mas voc
pode esperar um pouco para fazer a pergunta?
_Por qu?
_Eu preciso ir ... ao banheiro, desculpe.  que eu bebi muito
refrigerante e eu tambm quero aproveitar para um rpido
momento de higiene bucal. Desculpe...
_Ana, s voc mesmo, tudo bem, eu vou aproveitar tambm,
sabe, o momento de higiene bucal.- disse Alexandre
sorrindo.
_Demorei muito? - perguntou Ana ao retornar.
_No. Mas aquela pergunta vai ficar para depois, voc acabou
com todo o clima que eu levei horas pra criar, quando eu
estava no auge da minha inspirao voc joga um balde de
gua fria. Eu disse fria? Gelada, congelada!
_Sem comentrios.
_O que voc quer fazer agora? Eu acho melhor voc se
distrair para no morrer de curiosidade!
_Que tal um filme?
_Ok, vamos ? - perguntou Alexandre oferecendo sua mo
para Ana.
Ana sentiu-se um pouco envergonhada por andar de mos
dadas com ele, mas ao mesmo tempo feliz, era uma sensao
muito boa caminhar pelo shopping assim com Alexandre.
_E ento, o que vamos assistir?- perguntou Ana.
_Hoje eu posso assistir qualquer um que no vai fazer a
mnima diferena, eu sei que vou ficar olhando mais pra voc


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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


do que pra tela, com certeza.
_Voc existe mesmo?
_Quer que eu a belisque?
_No precisa, eu j percebi que  tudo real. Mas voc vai me
deixar assistir ao filme, no vai?
_Ei, voc est pensando o que de mim? Vamos logo, temos
pouco tempo, o filme vai comear em poucos minutos 
avisou Alexandre olhando para o relgio.
Ter Alexandre ao seu lado naquela sala de cinema parecia um
sonho para Ana. Ela ficou pensando em o quanto ele estava
descontrado. Ana estava amando cada minuto daquele
passeio.
O filme era bem interessante... mas Alexandre estava
fazendo exatamente o que tinha previsto, olhava muito mais
para Ana do que para imensa tela. Estavam na metade do
filme, quando Alexandre sussurrou nos ouvidos dela :
_Ana, voc quer ser minha namorada?
 Ana, apesar de estar bem concentrada na histria, virou-se e
ficou olhando para ele por um breve momento, em seguida
aproximou-se dos ouvidos dele e respondeu com um
sussurro:
_Eu quero muito!
Alexandre segurou o rosto dela com ambas as mos, por uns
instantes ficou acariciando bem levemente as bochechas dela,
depois tocou com um dedo os lbios contornando com
bastante cuidado, foi se aproximando bem devagar para
finalmente comprimir seus lbios nos dela.
_Agora voc pode assistir- disse Alexandre aps o to


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esperado momento.
_Ser que eu consigo?
_Eu prometo que vou ficar bem quietinho.

_Eu vou contar um segredo- revelou Alexandre assim que
saram da sala de cinema- Aquela sala  perigosa!
_Perigosa?
_, sim! Ela tem o poder de transformar as pessoas.
_Alexandre, do que voc falando?
_H duas horas eu entrei l como um rapaz livre e
desimpedido e sa comprometido!
_Alexandre! Voc no tem jeito! - disse Ana dando um
tapinha no brao dele.
_ que eu estou muito feliz, tenho uma namorada linda,
sabe?
_Eu tambm estou feliz. Voc  um menino crescido,  isso o
que voc !
_E o que voc acha de ns irmos pra minha casa, a Joyce
ainda deve estar l  props Alexandre quando estavam
saindo.
_Acho melhor no, vai ficar muito tarde...
_Eu deixo voc em casa antes da meia-noite.
_Melhor no abusar. Voc j quer apresentar sua namorada
para famlia, ?
_Eu quero.
_Mas antes de falar para o meu pai?
_Voc est certa, vou falar com ele amanh mesmo.
_Calma...


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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


_Ana, voc quer esperar? Por mim eu j oficializava tudo.
_Eu estava pensando, a gente se conhece h pouco tempo,
mas parece que eu te conheo to bem,  engraado. Mas eu
prefiro esperar alguns dias, tivemos a reunio na quarta-feira
e a domingo aparece o casal de namorados na igreja, vai at
parecer provocao.
_Voc se preocupa demais, eu espero, se  isso que voc
deseja.
_No fique com essa carinha triste- pediu Ana dando-lhe um
beijo no rosto.
_Eu estava um pouco triste, agora estou muito, muito triste
mesmo. Adivinha onde voc deve beijar agora? - provocou
Alexandre apontando para sua boca.
-Voc  to...irresistvel!- depois de dizer isso Ana o beijou.




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"Quanto mais conhecemos, mais amamos." Leonardo da Vinci

Captulo 13 -Ibirapuera

Eram oito horas da manh quando a campainha da casa de
Ana tocou, foi Lipe quem atendeu o entregador da floricultura
que carregava um lindo arranjo de mini-rosas vermelhas.
_Ana,  para voc! - informou Lipe entregando-lhe as flores.
_Que lindas! - exclamou Ana e em seguida leu o pequeno
carto em formato de corao, onde estava escrito: " Para
minha namorada "- que fofo!
_Coraes apaixonados! O amor est no ar! - brincou Lipe.
_Cuidado, maninho, no conte pra ningum, t? Ns vamos
esperar uns dias...
_Esperar o qu? Vai me dizer que  por causa da Sabrina?
_Mais ou menos; so s uns dias. Est tudo to recente, 
melhor assim.
_Para com isso, Ana! D licena. A Sabrina fala um monte de
bobagens e agora voc e o Al precisam esperar para
namorar?
_Lipe, ns estamos namorando, mas vamos esperar para
oficializar,  s isso.
_No concordo.
A conversa de Lipe e Ana foi interrompida pela buzina do tio
Rubens, j estava na hora de irem para escola bblica. No
caminho para igreja, Ana enviou um torpedo agradecendo


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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


Alexandre pelas flores.

_Meninas, hoje vamos falar sobre o rapaz ideal- assim Beth
iniciou a sua aula- Vamos formar as equipes, nesta caixinha
esto os nomes de cada uma de vocs. Eu vou tirar um
papelzinho e l-lo em voz alta, sero equipes de 4
componentes. Beth formou as equipes para em seguida
entregar algumas revistas onde havia fotos de atores e
cantores famosos, pediu para cada equipe escolher os dois que
elas achavam mais gatos, deveriam chegar a um acordo. Em
seguida a professora analisou as escolhas de cada equipe e
revelou para todas.
_Muito bem, meninas! Eles so demais! So lindos, sem
dvida! Mas o ideal est s na aparncia?
_Claro que no, professora! No basta s ter um rostinho
bonito,  preciso muito mais... precisa ser gentil, carinhoso,
fiel, trabalhador, porque rapaz preguioso no d, n? - disse
Cntia.
_Inteligente, educado, simptico - Enumerou Priscila.
_Ter uma conversa legal, ser criativo, sensvel, sem exageros,
 claro!  outra garota continuou.
_Romntico, divertido e que ame a Deus acima de tudo. 
completou Ana.
_Coitada de vocs! Eu sinto at pena! Vocs acham mesmo
que exista algum homem assim? - perguntou Simone- Caiam
na real: prncipes no existem!
_Calma, Simone, ainda h esperana!  claro que um
homem com todas estas qualidades  difcil de encontrar. Se


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                         Tnia Gonzales


voc conseguir achar duas qualidades destas em um garoto,
fique feliz. Uma qualidade muitas vezes depende ou faz parte
da outra. Exemplo : ele ama a Deus, ento vai se esforar para
ser fiel. Uma das coisas que vocs devem notar  exatamente
o interesse que ele tem pelas coisas de Deus. Em nossas aulas
falamos muito sobre o protagonista do livro " Crepsculo ",
Edward Cullen. Nas minhas pesquisas pela internet, eu
constatei que as meninas que leem o livro se encantam por
ele. Ele  o modelo de homem ideal. Vrias garotas revelam
que s mergulham na leitura por causa dele. Entrando na
histria  bem fcil entender o porqu de tanto interesse,
afinal ele  o mximo. E tem um fato que certamente chama
muito a ateno de vocs: em determinado momento Edward
diz que estava esperando por ela h muito tempo, h dcadas,
certo? E ento, d para deduzir que Bella foi a nica garota
que ele beijou em toda a sua longa existncia. Sbado eu fui 
locadora e peguei, " Um amor para recordar", que eu sei que
todas vocs j assistiram mais de uma vez. At j assistimos
juntas! Eu fiz algumas comparaes que eu quero
compartilhar com vocs. Ser que existe algo em comum em
histrias to diferentes? Separei algumas partes, vamos ver?
Durante 15 minutos as alunas viram algumas cenas do filme
referido por Beth.
_Muito bem, meninas!  um filme muito bonito, sem dvida,
mas vamos analisar. Duas histrias bem diferentes, porm
as duas contam sobre um romance. Um lindo casal
apaixonado. S que " Um amor para recordar",  uma histria
que pode acontecer na vida real, enquanto a outra 


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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


totalmente improvvel. Mas, quem era Landon Carter no
incio do filme? Me ajudem!
_Um rapaz irresponsvel, rebelde... - resposta dada por Carol.
_Isso mesmo. Depois que ele conheceu a Jamie houve uma
mudana incrvel nele. Antes ele andava com a turminha
irresponsvel, mas, ele foi obrigado a conviver com Jamie,
uma garota toda certinha, temente a Deus, filha do reverendo
e por isso mesmo ridicularizada. Esta convivncia foi uma
beno para vida de Landon, ele acabou se apaixonando por
ela, o que parecia totalmente improvvel. Landon Carter se
transformou em um Edward Cullen para Jamie. Com a
ajuda dela, ele simplesmente se tornou em um rapaz
encantador. Todo preocupado em agrad-la, mesmo antes de
saber sobre a doena dela. Lembra da lista de coisas que ela
gostaria de fazer? Landon at ajudou Jamie concretizar
algumas delas. Ele foi um prncipe, vocs concordam?
_ verdade! Eu achei que ele foi um fofo quando pediu para
me ensin-lo a danar s para poder danar com a Jamie.-
disse Cntia.
_Vocs querem um Edward Cullen prontinho, mas s vezes
so vocs que vo faz-lo aparecer. As qualidades esto l,
escondidas, necessitando de um estmulo, eu no estou
dizendo para vocs sarem por a atrs de um rapaz
desajustado, irresponsvel. No  isso!Eu estou falando
daquele rapaz que est aqui na igreja, que voc olha
superficialmente para ele e j diz: "No mesmo! Sem
chance!" , ele pode ser o seu Edward Cullen, o seu prncipe,
s est precisando que voc seja uma Jamie para ele. Que


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                         Tnia Gonzales


voc acredite nele, consiga enxergar as qualidades que esto
passando desapercebidas, e por qu? Talvez voc no goste
dos cabelos dele ou do jeito como ele se veste, ou da maneira
que ele fala, anda...
_Professora, sua teoria tem um problema - disse Priscila-
Querer mudar um garoto  encrenca, ele vai logo cair fora
dizendo que precisa gostar dele do jeito que ele  e coisas do
tipo.
_Priscila eu no estou falando para vocs que a mudana vai
ser assim num piscar de olhos, no  para vocs chegarem
com tudo e dizer:" olha eu no gosto disso, voc precisa
mudar tal coisa".  atravs da convivncia. A Jamie mudou o
Landon porque ela foi sincera e enxergou o valor dele. 
muito fcil ficar exigindo, mas, e voc? Voc pedi muito, mas
tem algo para oferecer? Voc gostaria que ele fosse
inteligente, mas se ele conversar com voc vai perceber que
voc tambm ?  necessrio que vocs a cada dia tenham
vontade de ser uma pessoa melhor. Eu quero algum fiel, mas
eu serei fiel?
_Professora, eu pensei uma coisa: Se o Landon fosse Edward
Cullen, a Jamie no teria morrido. Assim que ele soubesse da
doena dela ele a morderia e ento ela se transformaria em
uma vampira! E eles seriam felizes para sempre! O que vocs
acham? - Priscila apresentou sua maravilhosa ideia
provocando risos em todas.
_Priscila, voc  impagvel. Um dia podem at inventar um
filme romntico fundindo e confundindo vrias histrias. Bom
meninas ,  isso! Fiquem atentas, de repente voc j pode ter


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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


tropeado em seu Edward sem saber.
Depois que terminou a aula, Ana e Carol aproveitaram para
conversar enquanto o culto da manh no iniciava.
_Voc que tem sorte, j encontrou o seu Edward, n? - disse
Carol.
_Eu encontrei! Ele  muito mais especial porque ele  real, 
de carne e osso ! Tem os olhos azuis mais lindos do mundo !
Aprecia o mesmo tipo de comida que eu e  quentinho!-
brincou Ana.
_Nossa! Que amor! Uau!Agora eu fiquei emocionada! - disse
Carol entrando na brincadeira. Enquanto elas conversavam
Eduardo se aproximou, sentou-se ao lado de Ana e foi logo
dizendo:
_Ol, menina linda! Tudo bem? Oi, Carol. Aninha, minha
princesa, eu preciso te fazer um convite, eu quero mudar a
imagem errada que voc teve de mim l no retiro. Vamos sair
hoje? Voc escolhe o lugar...
_Oi, Eduardo, eu estou bem, mas...
_Ela j tem compromisso hoje e amanh tambm- avisou
Alexandre que havia se aproximado sem que eles
percebessem.
_Al, eu acho que ela  que precisa responder, certo Ana?
_Eu... o Alexandre est certo, j tenho compromisso.
_T legal, mas eu no desisti, tchau gata!
Alexandre sentou-se no lugar que Eduardo havia ocupado 
poucos instantes e sussurrou no ouvido de Ana.
_Voc quer esperar  isso o que acontece! Ele no sabe que
voc tem namorado, nem d para culp-lo. A culpa  toda sua.


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                        Tnia Gonzales


_Confesso, sou culpada! E a propsito qual o compromisso
que eu tenho hoje?
_Vamos ao parque do Ibirapuera; eu estou sabendo que voc
vai almoar sozinha hoje, um certo irmo gmeo me contou
que vai almoar na casa do Samuel; o seu pai est
trabalhando... ento vamos almoar juntos.
_Est bem informado, estou impressionada.
_Eu passo na sua casa depois do culto, para voc no precisar
dar explicaes v embora com seu tio. At mais- explicou
Alexandre com um sorriso e saiu.
O culto foi iniciado e Carol no teve chance para comentar
com a prima o ocorrido, pois o pastor foi logo chamando o
grupo de adolescentes para louvar. Aps o culto, Ana foi para
casa e ficou esperando por Alexandre.
_Voc chegou rpido  comentou Ana assim que entrou no
carro de Alexandre.
_No quero perder nem um minuto, temos que voltar para o
culto, lembra?
_Certo! Eu quero te agradecer pelas mini-rosas, to lindas e
delicadas!
_Eu no resisti, eu tinha que mandar algo, mas eu no vou te
enganar dizendo que me deu o maior trabalho, que eu fui em
uma floricultura ontem  noite ou hoje bem cedinho. Graas 
tecnologia eu escolhi sentadinho no conforto do meu quarto,
mas na prxima vez, o carto ser escrito com meu prprio
punho. Voc no vai receber aquelas frias letras digitadas, e
ainda por cima por algum que nem sabe que voc  a
namorada mais linda do mundo.


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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


_Gracinha, mas tudo bem, o que vale  a inteno. E eu
adorei!
  Almoaram em um restaurante self- service, no muito
distante do parque e depois foram curtir a imensa rea verde
do Ibirapuera.
_Voc quer andar de bicicleta? Eles alugam as bikes. O que
voc acha? -perguntou Alexandre.
_Hoje no, ns temos pouco tempo vamos aproveitar e s
ficar sentados  sombra de uma rvore.
_Gostei! Vamos procurar um lugar bem especial...
Depois de alguns minutos caminhando, encontraram um lugar
e aproveitaram para ficar juntos abraados como um
verdadeiro casal de namorados.
_ to bom estar aqui com voc, Ana.
_Eu tambm acho maravilhoso estar com voc.
_E ento qual o dia que eu vou enfrentar o sr. Roberto chefe?
_Daqui a alguns dias.
_Voc viu o que aconteceu hoje? O Edu todo confiante te
convidando para sair, eu no gostei disso, no mesmo!
_Calma, so s uns dias, poucos dias.
_Quantos?
_Voc  to impaciente! - Uma semana! Nada mais do que
isso. _Seu pai trabalhou hoje, ento no prximo domingo ser
a folga dele, certo?
_No prximo domingo voc est convidado para almoar em
casa.
_Gostei, mas o que significa isso? - perguntou Alexandre
limpando algumas lgrimas do rosto dela.


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                         Tnia Gonzales


_No  nada.
_Ei, garota dos cabelos negros, voc acha que me engana?
_Eu s estava pensando o quanto minha me iria gostar de
conhecer voc.  uma pena mesmo. Ela ficaria muito feliz
por eu ter encontrado algum to especial. E voc tambm iria
gostar dela.
_Disto eu no tenho dvida. Ela me deixou um lindo presente
sem nem mesmo me conhecer. Ana, voc pode ficar  vontade
para falar sobre sua me pra mim, quantas vezes voc quiser.
Eu gostaria que voc me mostrasse fotos de sua famlia. Outro
dia eu li uma frase que achei muito interessante  de Olavo
Bilac: " Saudade...presena dos ausentes...", pensei em voc e
na sua me.
_Que lindo, gostei... " Saudade... presena dos ausentes"... eu
vou mostrar o lbum de casamento dos meus pais e as minhas
fotos e do Lipe, mas quero ver as suas tambm.
_Certo. Quase que eu estava me esquecendo- disse Alexandre
tirando uma cmera digital do bolso de sua jaqueta- Vamos
tirar a nossa primeira foto juntos?
_Voc  inacreditvel! Lembrou de trazer a cmera... mas
espera a , vou arrumar os meus cabelos...
  Alexandre tirou algumas fotos de Ana e depois dos dois
juntos. Ana quis tirar pelo menos uma dele sozinho, mas ele
no concordou.
_Domingo eu vou pedir a sua mo em...
_Voc no vai pedir a mo...
_Em namoro!
_Ningum fala assim: " Sr. Roberto, hoje eu estou aqui para


                             174
             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


pedir a mo de sua filha em namoro" !
_E se eu quiser falar assim? Voc no vai me impedir, garota
linda! E voc tambm no vai impedir o beijo que eu vou te
dar agora!
_Voc acha que eu ia querer impe...
Ana no teve tempo de completar...
Quando estavam no caminho para casa, conversaram sobre o
evento que haveria no prximo sbado, seria o ch de panela
de Laura, noiva de Ronaldo, o lder dos jovens, que estavam
com o casamento marcado para o dia 1 de maio. O ch seria
s 15h no salo de festas da igreja, s com as mulheres, mas 
noite teriam uma festa para todos os jovens.
Depois do culto noturno as alunas da professora Beth se
reuniram na casa de Cntia para comemorar o aniversrio
dela, at Carlinhos, seu irmo, veio do centro de recuperao
com o pastor Lus para prestigiar a irm, assim eles tambm
tiveram a oportunidade de participar do culto. Alexandre teve
que se conformar em ficar longe da namorada, pois seria uma
festa s com as amigas de classe e a famlia.
_Algum te paquerou? - perguntou Alexandre quando Ana
ligou aps chegar da festa.
_ claro que no. Praticamente s havia meninas na festa.
_Voc falou muito bem, praticamente. Mas quem estava l,
alm delas?
_Voc vai mesmo ficar me interrogando? No foi pra isso que
eu liguei.
_Ei, eu s quero saber,  s curiosidade. No precisa ficar
brava comigo.


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                         Tnia Gonzales


_T bom! O Carlinhos estava l, o que no  surpresa, afinal 
o irmo dela; o pais, o que  bvio, o Pr. Lus e  claro que a
professora Beth tambm foi. Satisfeito agora?
_Voc no gostou. Me desculpe. Eu no sou do tipo
controlador, eu s...
_Tudo bem. Esquece isso. Eu liguei s pra conversar um
pouquinho, queria te ouvir.
_E e-e-eu estraguei tu-tudo...
_Para com isso, est tudo bem, esquea.
_ to difcil deixar voc sair assim, me d uma vontade de
ficar pertinho de voc. Ana, Ana, o que voc fez comigo?
_ Agora eu estou feliz por falar com voc. Eu tambm fico
com vontade de t-lo bem pertinho.




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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!




"Como o caminho terreno est semeado de espinhos, Deus
deu ao homem trs dons: o sorriso, o sonho e a esperana."
                                                      Immanuel Kant

Captulo 14 -Preparativos para Pscoa e acidente

Seis horas da manh, Ana se levantou e verificou que havia
uma mensagem de Alexandre em seu celular, dizendo: "
Tenha um timo dia, me perdoe por ontem. Bjs." - Ela enviou
uma resposta bem carinhosa e foi se arrumar para ir  escola.
No intervalo das aulas, Simone comentou com Ana que havia
recebido um convite para sair.
_Que legal! Quem te convidou?
_Tiago, o filho do pastor Jair. Que garoto mais atrevido!
_Ele toca teclado to bem! Por qu atrevido, Simone? Ele
quer sair com voc,  isso. No vai me dizer que voc
recusou?
_Ana,  lgico que eu disse um no bem redondo! Se liga!
Voc acha mesmo que eu vou sair com o filho do pastor?
_Simone, d uma chance para ele e para voc tambm. Voc
no pode permitir que a atitude errada daquela pessoa, que
voc sabe quem, te impea de ser feliz.
_No vem com esta conversa mole, pra o meu lado no , Ana,
por favor!
_Eu s acho que voc deveria pensar melhor. Quem sabe ns
podemos sair todos juntos, hein? Eu e o Alexandre, voc e o


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                        Tnia Gonzales


Tiago. Eles so amigos de infncia, no  legal? Eu posso
perguntar algumas coisas sobre ele para o Alexandre, assim
como quem no quer nada...
_Ana, no viaja; eu espero que o Alexandre seja um cara legal
mesmo, espero que ele no apronte com voc. E a, quando
vocs vo oficializar o namoro?
_Ele vai falar com meu pai domingo.
_Legal, mas esquea esta histria sobre o Tiago.
Ana recebeu um torpedo de Alexandre assim que o sinal
tocou anunciando o trmino das aulas, ele dizia que a estava
aguardando prximo  lanchonete ao lado da escola.
_Tchau prima, hoje voc tem uma companhia especial- disse
Carol ao saber da mensagem.- Vamos Lipe, a Ana no vai
com a gente ...
_Hum! Nem vou perguntar nada, ou melhor s uma coisinha,
tem comida pronta?
_ s aquecer, mas podemos ir todos juntos...
_Tchau, Ana! At mais tarde... se  que voc vai aparecer na
papelaria hoje...
_ claro que eu vou! - respondeu Ana gritando para prima
que j havia se afastado com Lipe.
_Oi, no vai entrar? - perguntou Alexandre
_Claro! Que surpresa voc me buscar aqui...
_Voc gostou ou ficou pensando assim: " Que namorado
grude que eu arrumei!"
_ lgico que eu gostei, mas voc no foi pra aula hoje?
_Espera um pouco, tem alguma coisa errada aqui, e o meu
beijo?


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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


_Est bem aqui...
_Agora sim... voc perguntou se eu faltei hoje e a resposta 
no, sa mais cedo pra dar tempo de te pegar. Hoje eu vou
entrar mais tarde no servio sem horrio para sada. Estamos
com uma suspeita de invaso em um sistema que precisa ser
verificado e pra garantir vamos desenvolver um sistema mais
avanado. Eu logo calculei que seria impossvel v-la hoje 
noite, mas eu no queria ficar sem te ver, ento, aqui estou.
_Tudo bem, quais so os seus planos? S no se esquea que
eu preciso estar na papelaria s duas horas.
_O que voc acha de almoar l em casa?
_Alexandre... eu no sei...
_Vamos... eu at j dei um al pra minha me...
_Voc ... tudo bem, vamos l!

_Oi, Ana, que bom te ver- Lusa a cumprimentou sorrindo,
deu-lhe dois beijos e um forte abrao.
_Obrigada. Eu no quero incomodar, foi ideia do Alexandre...
_Ana, nem pense nisso! Quando o Xande disse que talvez
vocs almoariam aqui hoje, eu adorei a ideia. Voc  sempre
bem vinda. E o Xande est to feliz por...
_Me, mezinha... olha, ns no podemos demorar, preciso
deixar a Ana antes das duas na casa dela.
_Tudo bem, j est tudo pronto.
_Precisa de ajuda? - perguntou Ana.
_Obrigada Ana, mas est tudo pronto mesmo, j podemos
almoar.
Ana se sentiu muito bem ali almoando com Alexandre e sua


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                        Tnia Gonzales


me, que era muito simptica e estava muito feliz por receber
a namorada do filho, Lusa fazia questo de no esconder
isso.
Alexandre deixou Ana no horrio combinado e em seguida foi
para seu trabalho. Na tera-feira eles s se falaram pelo
telefone e combinaram sarem no dia seguinte.
_Eu esqueci, mas eu tinha combinado com a Carol, a Simone
e o Lipe de irmos ao shopping amanh, ns vamos comprar
os presentes do ch da Laura e o Lipe precisa comprar um
tnis,
vamos depois das sete. Me desculpe... - explicou Ana pelo
telefone.
_Eu vou chorar! Minha namorada est me dispensando...
_No fala assim...  que eu no queria desmarcar com eles,
voc entende?
_Ana,  claro que eu ... no entendo. Estou brincando com
voc. Eu busco vocs, t?
_No precisa, voc vai chegar cansado...
_Ana, eu vou pra casa, tomo um banho e fico todo cheiroso...
janto e depois vou at o shopping, assim eu aproveito para
comprar os ovos de pscoa dos meus sobrinhos...
_Combinado.

Na quarta-feira    encontraram com Alexandre s 22h, j
tinham comprado tudo o que precisavam e aproveitaram para
ajudar Alexandre na escolha dos ovos de chocolate, menos o
de Ana pois ele j havia comprado e estava bem guardado
em sua casa.


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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


_Voc est com uma carinha de cansado! Voc deveria ter
ficado em casa descansando- disse Ana assim que entraram
no carro.
_E perder a chance de ver este rostinho lindo? Nem pensar!
_Que meigo! - brincou Lipe.
_ Lipe, no  fcil ficar perto de namorados to
apaixonados... haja pacincia, meu amigo, mas voc ainda
vai passar por isso! -disse Alexandre participando da
brincadeira.
_Eu? Nem pensar!
_Voc fala isso agora, um dia voc vai virar para o lado e ...
encontrar aquela que far o seu corao bater rapidamente... -
continuou Alexandre.
_Para com isso! " T" fora!
_Por qu, Lipe? E a Larissa? - perguntou Carol.
_Chegamos  concluso que  melhor ficarmos s na
amizade mesmo.  muito complicado... Santa F  muito
distante daqui...
_Voc tem razo. Mas com certeza vai conhecer algum
especial... - disse Carol.
_No tem como escapar. Olha s o meu exemplo, eu vi esta
linda garota de cabelos negros e me apaixonei, cara!  assim
meu amigo -disse Alexandre acariciando o rosto de Ana.
_O amor  lindo! - concordou Lipe.
Depois de deixar todos em suas respectivas casas, Alexandre
se despediu de Ana combinando se encontrarem no dia
seguinte na igreja, pois quinta-feira era o dia de orao dos
jovens e adolescentes.


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                        Tnia Gonzales


_Oi, filha! Este rapaz est mesmo apaixonado, no perde uma
oportunidade para v-la- constatou Roberto ao ver a filha.
_Oi, pai! - disse Ana cumprimentando o pai com um beijo-  ,
parece que sim.
_Vocs esto se entendendo bem, no ?
_Estamos sim. Eu gosto de estar com ele e ns conversamos
bastante. Lembra que uma vez voc disse que  muito
importante em um relacionamento os dois dialogarem muito?
_Com certeza. Sabe, se voc estiver com algum s porque
ele agrada  seus olhos, isso no vai durar muito, porque vai
chegar uma hora que a aparncia no vai ser to boa, pela
idade , alguma doena ou outro acontecimento, e a? Por isso
que  importante voc conhecer bem a pessoa e amar o que
ela  por dentro, pois isso permanece.
_Domingo ele vem almoar aqui para falar com voc, t?
_O que ser que ele tem para me dizer...

Depois do culto de orao da quinta-feira o grupo de teatro
participou do penltimo ensaio para a pea que seria
apresentada no domingo de Pscoa e Beth marcou o ltimo
ensaio para o dia seguinte que seria o feriado de sexta-feira
santa, pois sbado seria um dia cheio de eventos na ICVV
por conta do ch de panela de Laura e a festa que teriam 
noite. O final de semana prolongado seria bem agitado para
Ana e Alexandre, pois alm de todos os eventos que seriam
realizados na igreja, havia o almoo especial quando
Alexandre conversaria com Roberto. Alexandre estava bem
ansioso pois a partir daquele domingo ele poderia estar com


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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


Ana oficialmente como seu namorado. Aps o ensaio do
feriado eles aproveitaram para sair.
_Ento amanh vocs vo fazer a maior baguna no ch de
Laura, eu t sabendo!- falou Alexandre caminhando com Ana
no shopping.
_Voc est com inveja, s porque os homens esto proibidos
de aparecer por l- brincou Ana.
_Eu, hein! Vou na hora boa dos comes e bebes. Eu vou chegar
l pelas nove, t bom, n?
_Pode chegar antes, o ch est marcado para as 4 horas e eu
acho que at s 7 a Laura j terminou de abrir os presentes.
_O Gustavo me pediu para ir com ele at Guarulhos amanh 
tarde levar o carro de um cliente, voc sabe que o pai dele tem
uma oficina mecnica, no ? Eu vou dirigindo o carro do
Gustavo, ele no quer voltar de nibus depois.
_Tudo bem, mas no vai demorar para chegar na festa, t?
_No, meu amor, fique tranquila, voc no vai ficar longe de
mim por muito tempo...

Finalmente havia chegado o sbado, Ana acordou muito
disposta, seria um dia muito especial com os eventos
relacionados  Laura e Ronaldo, eles estavam to felizes e no
era pra menos, pois a data do casamento deles estava se
aproximando. Ana ficava imaginando como deveria ser
emocionante passar por tudo aquilo, com todos os
preparativos; mas ela sabia que seu dia tambm chegaria,
agora ela precisava curtir cada momento de seu namoro com
Alexandre que, a partir do dia seguinte, seria oficial. Ana


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                        Tnia Gonzales


ficou pensando em como o pessoal da igreja reagiria ao saber
da novidade; principalmente as suas amigas de classe da
EBD. Antes de ir para o ch, Ana conversou com Alexandre
pelo celular, ele avisou que j estava chegando em Guarulhos;
combinaram de se verem  noite na festa de despedida de
solteiro dos noivos.
O ch de cozinha de Laura foi muito divertido, as meninas
fizeram muitas brincadeiras. A noiva acertou poucas vezes,
por isso precisou pagar muitos castigos, mas tudo em um
ambiente bem descontrado e amigvel.
Passava da sete horas e Ana resolveu ligar para saber se
Alexandre j havia voltado, mas ela no conseguiu falar com
ele. Ento ela foi dar uma ajuda para as meninas que estavam
trabalhando nos ltimos detalhes da organizao da festa.
Joyce, a irm de Alexandre tambm estava l, ento as duas
aproveitaram para conversar enquanto arrumavam as mesas.
_Eu tentei falar com o Alexandre mas no consegui, o celular
dele deve estar fora de rea. - comentou Ana.
_Pode ser. Mas ele j deve ter voltado de Guarulhos, so
quase oito horas- constatou Joyce.
_Daqui a pouco eu vou tentar novamente.
Os rapazes comearam a chegar na hora marcada por
Ronaldo, que tambm j estava ocupando o seu lugar de
anfitrio. Ana tentou por vrias vezes falar com Alexandre,
mas foi em vo, havia ligado na casa dele tambm, mas no
havia ningum l.
-Joyce,  estranho, j passam das nove e nada. Voc tem o
celular do Gustavo?


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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


_Tenho. Eu vou ligar para ele e tambm para o celular da
minha me.
Depois de algumas tentativas, Joyce informou a Ana que no
havia conseguido falar com nenhum dos dois, o que fez Ana
ficar muito preocupada.
_Ser que aconteceu alguma coisa sria? O Alexandre no iria
ficar sem dar notcias, ele sabe que eu estou esperando aqui.
J so quase dez horas.
_Calma, Ana! Meu celular est tocando...  o meu pai... pai, oi
pai, espera um pouco que eu no estou te ouvindo, eu vou me
afastar do pessoal- disse Joyce saindo do salo seguida por
Ana.
-Pode falar, pai! O qu? Como assim? Ele est bem? Onde?
Meu Deus... t bom, eu estou calma, pai, o Celso est em casa
com as crianas. Voc o avisou? Est bem, fica com Deus.
Tchau.
_O que aconteceu? - perguntou Ana com ansiedade.
_Calma, vamos sair daqui e ir para casa de meu pai. Eu te
explico tudo l.
_Aconteceu alguma coisa com o Alexandre, no ? Diz logo,
por favor, Joyce! Eu sabia... eu...- Ana comeou a chorar.
_Ana, calma, vamos sair daqui antes que o pessoal perceba..
meu pai j conversou com o seu, ele tambm j est l.
_Meu pai est na casa dos seus? Ento a coisa  grave. O
Alexandre ...ele... est vivo?
_Ana, vem comigo,  claro que ele est vivo. Vamos para o
meu carro, voc fica l sentadinha, eu s vou voltar e explicar
para o Ronaldo ou a Laura.


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                        Tnia Gonzales


_E a Carol e o Lipe?
_Deixa comigo...
 Ana ficou esperando por Joyce dentro do carro . Ela sabia
que havia acontecido algo muito grave e pedia a Deus para
no levar Alexandre para longe dela. Lgrimas rolavam sem
parar, ficou pensando nos momentos que Alexandre havia
proporcionado para ela. " Ele no pode ter partido, no pode!
Ele no, por favor, Deus! Ele no! Eu o amo! E ainda nem
disse isso pra ele. Ser que no h tempo? No, ele no!"
_Agora podemos ir; Ana calma! Vai dar tudo certo- disse
Joyce tentando tranquiliz-la.
_Mas... o que aconteceu? Me conta, por favor, eu no
aguento isso...
_Ana, fique calma... o Alexandre e o Gustavo se envolveram
em um acidente, calma, eles esto vivos... esto em um
hospital recebendo todos os cuidados.
_Voc est mentindo, ele morreu, no morreu?
_Ana, no! O que eu te falei  a verdade...
_Voc no quer me dizer...
 Ana comeou a lembrar do dia que recebeu a notcia sobre o
acidente de sua me. Para poup-la no vou falado
diretamente que a me j estava morta, apesar dela ter
morrido no local do
acidente; por essa razo era muito complicado para Ana
acreditar agora.
_Chegamos. Voc vai ver que eu falei a verdade.
Na casa do Dr. Afonso estavam Roberto e Celso, marido de
Joyce, que havia deixado as crianas na casa de sua me.


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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


_Pai, me conta a verdade, ele est morto, no est? Pai... -
implorou Ana.
_No, filha, o doutor Afonso acabou de ligar, o Alexandre
est passando por uma cirurgia.
_O que aconteceu?
_Filha, ns no sabemos detalhes, mas olhe pra mim, eu estou
te falando que Alexandre est vivo! Acredite em seu pai, por
favor!
Joyce preparou um ch para ajudar Ana a se acalmar e todos
ficaram aguardando a ligao do Dr. Afonso que s aconteceu
bem prximo  meia-noite.
_Pai, entendi... eu falo sim, t bom, pai. Um beijo. Fica com
Deus.
Assim que desligou, Joyce informou que a cirurgia j havia
terminado e tudo estava bem. Ele havia operado a perna
esquerda, por causa de uma fratura         na fbula . Ganhou
alguns pontos na testa, pois com o impacto ele chegou a bater
a cabea e teve tambm algumas escoriaes pelo corpo.
Agora ele estava na U.T.I, o que era um procedimento normal.
Joyce informou tambm que o pai havia pedido que Celso
buscasse Lusa para descansar, pois s ele passaria a noite
no hospital. Ana ficou insistindo dizendo que queria ver
Alexandre, mas eles a convenceram de que no seria possvel,
ento ela concordou com relutncia ir para casa com o pai.
Lipe j havia chegado l. Aquela noite foi terrvel para Ana,
quase no conseguiu dormir, passou horas chorando e pedindo
a Deus por Alexandre. No outro dia o resultado foi um par de
olhos totalmente inchados. O pai ficou com ela por um bom


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                         Tnia Gonzales


tempo, sem dizer nada, s a consolando com o seu abrao.

_Algum j ligou, pai? - perguntou Ana ainda descendo as
escadas do sobrado.
_Filha, por que voc j levantou? Ainda so oito horas, vai
dormir mais um pouquinho.
_No consigo, eu preciso de notcias...
_Tenha pacincia, minha filha.
Naquela manh de domingo no haveria atividades na ICVV,
o pastor Jair havia deixado os membros da igreja livres para
preparar o almoo de Pscoa; mas  noite eles teriam um culto
especial. Era o dia da apresentao da pea que Alexandre e
Ana tinham uma participao bem ativa.
_Ele estava to ansioso pelo dia de hoje, pai. Nosso almoo
especial... eu no deveria ter pedido para ele esperar uma
semana, no deveria... ele queria falar com voc semana
passada, pai... eu que...
_Filha, no pense nisso agora, ele vai falar comigo, s no vai
ser hoje.
Neste momento o telefone tocou e Ana foi depressa atender
ansiosa em ter notcias de Alexandre, mas era a professora
Beth, que conversou com ela tranquilizando-a, dizendo que
todos estavam orando por ele e que com certeza Alexandre
ficaria bem. Ela tambm disse para Ana no se preocupar com
a pea da Pscoa pois ela j estava dando um jeito,
reescrevendo a parte deles para um casal de narradores.
Assim que Alexandre estivesse bem eles variam uma nova
apresentao com a verso original. Ana ficou aliviada pois


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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


no tinha certeza se ia conseguir fazer a sua parte. Roberto
resolveu ligar para o doutor Afonso para saber como
Alexandre havia passado a noite e tambm para saber qual o
horrio que poderia levar Ana at o hospital.
_Filha, o Alexandre dormiu quase a noite inteira, ele est
reagindo bem. E ns vamos at l logo aps o almoo. Est
bem assim?
_Por mim iria agora mesmo.
_Eu sei querida, mas tenha pacincia, voc vai v-lo hoje.
 Alexandre conversou com o pai e sua vontade era de no
receber a visita da namorada, ele preferia esperar pelo menos
mais um dia.
_Filho, voc no precisa se preocupar com sua aparncia, est
com o rosto at corado!
_Com um corte na testa e inchado. Pai, diga para a Ana
esperar at amanh, por favor...
_No faa isso com ela. Sua irm me contou o quanto a Ana
ficou angustiada; ela queria v-lo ontem mesmo...
_D uma olhada e v se est tudo a... - pediu Alexandre
apontando para sua perna esquerda.
_Claro que est tudo a, no tiraram nem um pedao, filho. E
a perna direita est doendo? Ela tambm foi atingida, mas
no  nada srio.
_Um pouco, mas logo vem algum aqui aplicar mais uma
daquelas injees...
_Meu filho, eu agradeo a Deus por voc estar vivo, agora 
s se recuperar.
_E o Gustavo?


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                         Tnia Gonzales


_Ele vai ter alta hoje mesmo. S ficou algumas horas em
observao. Foram s escoriaes; ele queria v-lo mas o
mdico no deixou. Vocs estavam em alta velocidade...
_Pai, eu no quero falar sobre isso agora.
_O Gustavo estava dirigindo em alta velocidade, eu sempre
achei que este menino no volante... graas a Deus que mais
ningum foi atingido...
Foram interrompidos por uma leve batida na porta. Era Lusa
que estava ali para substituir o marido. Ela ficou muito
aliviada por ver que o filho estava acordado e conversando
normalmente.
Roberto levou a filha at o hospital. Ana estava muito ansiosa,
esperar havia sido uma tortura para ela.
_Que bom que vocs chegaram!  disse Lusa ao ver Ana e
Roberto entrando no quarto.
_Oi, Lusa, como ele est? - perguntou Ana notando que
Alexandre estava com os olhos fechados.
_Ele est bem, mas passou a maior parte da manh bem
sonolento. Est dormindo h uma hora mais ou menos. Vou
deixar voc aqui com ele e aproveitar para tomar um caf
com seu pai.
Ana sentou-se em uma cadeira bem prxima de Alexandre e
ficou observando-o dormir. Passaram-se alguns minutos, ele
abriu os olhos bem devagar e logo notou que ela estava ali.
_Oi, como voc est? Est doendo alguma coisa? - perguntou
Ana sem conseguir disfarar a ansiedade.
_Ei, garota dos lindos cabelos negros, calma! Eu estou bem.
Agora no est doendo nada, tambm com tanto remdio e


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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


injees! E voc?
_Agora eu estou bem. Mas ontem sem saber o que tinha
acontecido, foi uma sensao horrvel...
_Meu amor, eu sinto muito por fazer voc passar por isso, me
desculpe pelo furo de ontem e por hoje tambm, eu no pude
ir ao almoo... - brincou .
_O seu humor est timo...
_ porque voc est comigo, apesar de que por mim voc no
entraria aqui hoje...
_Por qu? Que maldade!
_Eu no queria que voc me visse assim.
_Voc continua lindo pra mim. Eu tinha que v-lo hoje...
_Voc pelo jeito no dormiu nada, n? Ficou molhando o
travesseiro...
_D pra notar, n? Sua aparncia est melhor que a minha.
_No mesmo, voc est linda como sempre. Como foi a festa
ontem?
_At eu ficar desesperada sem saber de notcias suas, foi
tima, estava muito divertido. A Laura estava to feliz, mas
sofreu... precisou pagar tanto mico!Foi muito legal. A Beth
me contou que depois que eu fui embora com a Joyce, o
Ronaldo informou o que havia acontecido e eles oraram por
voc e o Gustavo.
_Que bom! Falando na Beth, e a pea, hein?
_Est tudo certo. Ela fez uma mudana nas falas e colocou
dois narradores para fazer a nossa parte, mas ela disse que
quando voc ficar bem, vai haver uma reapresentao com o
elenco completo.


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                         Tnia Gonzales


_Legal.
_O que aconteceu? Voc lembra?
_Eu prefiro no falar sobre isso, no hoje, t?
_Tudo bem. S a perna esquerda mesmo foi atingida?
_A direita tambm, foram s alguns cortes sem gravidade. O
problema mesmo foi na esquerda. Eu no estou sentindo
nada... pelo menos agora.
_Muito medicamento por isso voc no est sentindo dor. Eu
vou passar a noite aqui...
_No mesmo. Esquece isso, amanh voc vai pra aula, pensa
que eu me esqueci que voc tem a semana inteira de provas,
eu bati a cabea mas no estou com amnsia.
_Eu quero ficar com voc...
_Ana, no quero mais falar sobre isso. Vamos para um
assunto agradvel: meu almoo com o chefe Roberto, fui
obrigado substituir pela comida do hospital, isso no  justo.
_E eu com a histria de esperar uma semana! Eu no deveria
t-lo impedido de falar com meu pai.
_Tudo bem, a vida  assim. Traamos planos que s vezes no
podem ser realizados. Ns no temos o controle de tudo,
Ana. Mas foi s um adiamento.
_A culpa  minha. Fiquei pensando como eu fui boba, que
diferena faria? Eu fiquei imaginando se voc tivesse partido,
eu teria perdido a oportunidade de dizer que eu te amo, por
isso eu estou dizendo agora e no me importo se estiver
fazendo papel ridculo. Eu sei que o amor cresce aos poucos,
mas eu j posso dizer que eu te amo e mesmo que voc pense
assim: "Esta menina nem sabe o que  isso, est a toda


                             192
              Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


emocionada", no faz mal. Eu pedi a Deus pra que Ele no
levasse voc. Eu falei: " Deus eu sei que ele  muito precioso
para Ti, mas ele faz parte da minha vida, no o leve, por favor.
Eu j perdi a pessoa que eu mais amava neste mundo.... no
leve ele tambm...- Ana conseguiu dizer estas palavras entre
lgrimas, enquanto Alexandre enxugava as dele.
_Eu tambm te amo, Ana. Eu queria muito falar isso, mas
tinha vergonha. Achei que voc poderia pensar que seria
muito cedo pra fazer este tipo de declarao. E sabe de uma
coisa? Se eu no estivesse em um leito de hospital,
impossibilitado de andar , eu chegaria bem perto de voc e a
beijaria.
_Eu posso chegar at voc  disse Ana j se aproximando.
_Eu estou com um gosto amargo na bo...
Ele no teve tempo de completar...
_Ei! Vocs lembram onde esto? - perguntou Lipe ao entrar
no quarto.
_Oi, maninho, voc ainda no aprendeu que se deve bater na
porta?
_Aprendi maninha, s que acontece que eu bati mais de uma
vez...
_Oi Lipe, vai desculpando a sua irm  que ela no consegue
resistir a um homem indefeso, porm charmoso, como eu.
_Engraadinho! Voc percebeu que ele est timo, n, Lipe?
_"T" vendo. E a cara que pancada, hein?
_ amigo, foi dureza! Mas estou me recuperando...
Ana ainda ficou por vrias horas fazendo companhia a
Alexandre. Lusa passou a noite no hospital com o filho.


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                       Tnia Gonzales



No culto , logo aps a apresentao da pea, pastor Jair
falou sobre " A Verdadeira Pscoa"; ele enfatizou que
aqueles que recebem         Jesus como Salvador e Senhor
compreendem o verdadeiro sentido da Pscoa crist. Explicou
que no domingo de Pscoa comemoramos a ressurreio de
Jesus. Fez a leitura em Lucas 24. 1-12.




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              Edward Cullen no existe! Prncipes existem!




" Se te mostras fraco no dia da angstia, a tua fora  pequena."
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Capitulo 15 -Desnimo

Ana foi para aula meio contrariada, o que ela queria mesmo
era estar ao lado de Alexandre no hospital, mas justamente
naquela semana ela no poderia faltar, pois teria vrias
provas. Tio Rubens dispensou os servios dela durante alguns
dias para que ela pudesse visitar Alexandre todas as tardes.
Naquela segunda- feira ela aproveitou para levar algumas
fotos da me e de toda a famlia, atendendo um pedido de
Alexandre.
_Nossa, como voc se parece com ela!- disse Alexandre
olhando as fotos do casamento de Snia e Roberto.
Ana foi folheando o lbum com ele e informando os nomes de
cada membro da famlia. Depois ela tambm mostrou
algumas fotos dela.
_Que menininha mais linda, aqui voc deveria ter ... acho que
um aninho, certo?
_Certo, um aninho e alguns meses.
_Olha o Lipe, que gracinha! Que ele no me oua!
Assim passaram a tarde olhando as fotos e conversando
muito. Ana saiu do hospital no final da tarde contente por
Alexandre estar animado.  noite, Joyce foi at a casa de Ana
para entregar uma cesta de Pscoa que Alexandre havia


                                 195
                         Tnia Gonzales


comprado para ela.
_Obrigada, que cesta mais linda! - agradeceu Ana assim que
entrou no quarto de Alexandre no hospital- aqueles ursinhos...
s voc mesmo... ursinhos de Pscoa.
_Voc me disse que gostava de ursinhos, a eu pensei por que
preciso colocar coelhinhos? Quem vai me impedir de fazer
uma cesta com pequenos ursinhos?
_Uma famlia de ursinhos! To fofos! Os chocolates
deliciosos, mas o que eu amei mesmo foi o carto; desta vez
voc escreveu...
_No falei que o prximo seria com meu prprio punho?
_" Ana, Feliz Pscoa..."
_Voc trouxe o carto?
_Espera, deixa eu ler... " Ana, Feliz Pscoa. Neste carto eu
vou declarar o que estou com uma certa vergonha de fazer
pessoalmente. Eu te amo!Pode parecer at precoce, mas eu
estou sendo sincero. Fao isso pela primeira vez e para ter
coragem precisei escrever, mas eu ainda vou dizer isso bem
pertinho do seu ouvido. Eu te amo! Bjs. Alexandre." - Voc
acabou me dizendo primeiro pessoalmente. Eu tambm te
amo...
_I love you! Agora sai at em outro idioma. - brincou
Alexandre.

E assim a semana passou bem rapidamente, o sbado chegou
e Ana aproveitou para arrumar a casa, mas,  tarde foi ver
Alexandre. Domingo ela passou o dia inteiro com ele que
recebeu muitas visitas, como o pastor Jair e sua esposa,


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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


Ronaldo e a noiva Laura, Beth e at a v Tele fez questo de
ir visit-lo juntamente com Rubens, Isabel e Carol; Sabrina
deu uma desculpa qualquer para no ir. Gustavo tambm
aproveitou para visitar o amigo.
_E a, amigo? - O que eu fui fazer... - disse Gustavo ao entrar
no quarto de Alexandre
_Ei, como voc est?
_Eu estou aqui em p, era eu que deveria estar a no seu lugar.
Cara, me perdoa, bem que voc avisou... voc dizia o tempo
todo para eu diminuir a velocidade...
_Calma, voc no est em um tribunal!
_Eu me sinto pssimo... voc a nesta cama... eu sou um
idiota! Que brincadeira mais boba e sem sentido.
_Tudo bem, Gu. Voc errou, mas no precisa ficar deste jeito.
_Preciso... preciso tomar vergonha na cara. Voc foi me fazer
um favorzo, pleno sbado, deixou de ficar com sua
namorada e eu o que fiz? Fui dar uma de piloto...
_Deu alguma complicao pra o seu lado?
_Bom, estou sem carta, meu pai me proibiu, por tempo
indeterminado.
_Ah...
_Mas ele est certo. O que eu fiz com voc, meu amigo, 
imperdovel.
_Para com isso, j aconteceu. Agora  s eu me recuperar e
tenho certeza que voc aprendeu a lio. Dirigir exige muita
responsabilidade.
_Tem razo, Al.
 Alexandre recebeu alta na segunda-feira e precisou de uma


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                         Tnia Gonzales


cadeira de rodas para se locomover. No dia seguinte, ele
recebeu muitas visitas em casa, pois era feriado de 21 de
abril; alguns jovens da classe da escola bblica vieram com o
professor, os avs de Alexandre, que moravam em Rio Preto,
tambm vieram para ver o neto e passariam uma semana na
casa do filho, o Dr. Afonso. Ana ficou encantada com os avs
do namorado, eles eram simpticos e amveis e eles tambm
aprovaram a escolha do neto.
Na sexta-feira foi o primeiro dia de fisioterapia , Ana queria
acompanhar Alexandre, mas ele foi contra dizendo que ela
no poderia perder aula. Aquele dia foi para Alexandre
conhecer Rogrio, o fisioterapeuta, que s deu uma
examinada nas duas pernas e explicou sobre as sesses, que
seriam trs vezes por semana.
Na semana seguinte Ana continuou passando todas as tardes
com Alexandre, ficavam conversando, assistindo algum filme
em DVD ou at jogando vdeo game. Alexandre compareceu
s sesses de fisioterapia.
Sexta-feira, feriado de 1 de Maio, seria o casamento de
Ronaldo e Laura em uma chcara em So Roque, onde os pais
de Ronaldo moravam. Ana j havia decidido no ir para fazer
companhia a Alexandre.
_Ana, voc precisa ir, no tem necessidade de voc ficar aqui,
a minha me vai ficar comigo  disse Alexandre um dia antes
do casamento.
_No quero ir sem voc e chega deste assunto, eu j me
decidi.
_No seja teimosa, vai ser legal. Vo sair vrios nibus da


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              Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


igreja; a Laura e o Ronaldo vo ficar felizes; pensa no que
voc vai perder.
_Eu j conversei com a Laura e o Ronaldo e eles
entenderam. Eu vou ficar aqui com voc, eu at j combinei
com sua me que eu vou fazer o almoo.
_Teimosa!
_Teimoso!
_At seu pai vai...
_Chega...
 Alexandre no conseguiu convenc-la e eles passaram o dia
1 de maio juntos. Roberto e Lipe chegaram do casamento
quase nove horas da noite e foram buscar Ana. Eles
contaram alguns detalhes da cerimnia e mostraram as fotos
tiradas por Lipe. No final de semana Ana tambm passou a
maior parte do tempo com Alexandre, mas desta vez ela
participou do culto de domingo  noite. Naquela semana ela
voltou a trabalhar na papelaria do tio, mas saa s seis horas e
ia direito para casa de Alexandre.
Alexandre foi s trs sesses de fisioterapia marcadas para a
semana e em cada uma delas voltou desanimado. No sbado
ele teve uma conversa sria com o pai.
_Minha perna esquerda no responde aos estmulos. Eu no
estou conseguindo coordenar os movimentos. Eu quase no
consigo mex-la, est to pesada!
_Filho, tenha pacincia.         Foram poucas sesses de
fisioterapia;  assim mesmo, progressos bem lentos.
_Pai, eu no tive progresso, na verdade eu no fiz nada nas
sesses...  to frustrante!


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                         Tnia Gonzales


_Filho, est tudo to recente! Ainda vai fazer um ms que
aconteceu o acidente.
_E se eu no conseguir? Pai...
_Confie em Deus, meu filho. Voc no pode ter este tipo de
pensamento, que histria  esta de no conseguir? Acho que
chegou algum, deve ser a Ana, ento mude esta expresso de
derrotado, ela ficaria muito triste.
_Tudo bem.
Assim que olhou para Alexandre, Ana percebeu que ele no
estava nada bem. Tentou conversar, mas ele s respondia com
monosslabos.
_Nossa conversa hoje vai ser assim? Se  que se pode chamar
isso de conversa.
_Eu... no estou com vontade de conversar...- explicou
Alexandre com uma voz quase inaudvel.
_Bom, j melhorou...
_Ana, me desculpe, mas eu acho melhor voc ir embora, v
pra casa ou sai com alguma amiga, quem sabe com a sua
prima. Sbado  tarde e voc aqui comigo neste tdio? No,
isso no est certo. Voc no precisa ficar aqui nesta ...
monotonia.
_Pelo menos agora voc est falando, mesmo que seja um
monte de bobagens.  melhor do que : sim, no, , sei...
_Estou falando srio. Desde o acidente o que voc tem feito?
Passado horas e horas com o Alexandre. Vai pra escola,
depois para a papelaria e Alexandre. E ainda por cima precisa
cuidar das coisas na sua casa. Que rotina  esta? Me diz? Isto
 justo? Voc s tem 17 anos!


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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


_Terminou?
_No. J que voc quer ouvir minha voz, eu vou falar mas
voc no vai gostar. Ana, voc precisa viver a sua vida. Eu 
que estou impossibilitado e no voc. Eu agradeo todo o seu
carinho, a sua ateno, eu agradeo muito, mas  melhor voc
modificar a sua rotina. No momento eu no sou uma boa
companhia pra voc.
_Chega. Eu estou aqui porque quero estar ao seu lado. Voc
fala como se fosse um empecilho na minha vida.
_ isso mesmo, eu sou um empecilho na sua vida...  isso que
eu sou,  assim que eu me sinto, como um grande obstculo 
sua frente, atrapalhando...
_Amor, no fala assim. Voc no me atrapalha. Eu venho aqui
para ficar com voc porque eu te amo- dizendo estas palavras
ela se aproximou dele e o abraou com muito carinho.
_Amanh eu quero que voc participe da escola bblica,
combinado? - pediu Alexandre.
_Combinado.

No dia seguinte Ana foi para a aula de Beth, e pediu para que
a professora lhe concedesse alguns minutos.
_Obrigada, Beth- comeou Ana- Em primeiro lugar, eu
gostaria de agradecer a todas vocs que tm orado pelo
Alexandre. Eu quero compartilhar algo com vocs. Eu e o
Alexandre somos namorados, ns amos oficializar no
domingo de Pscoa, mas todas vocs sabem o que aconteceu.
Ele est precisando muito que vocs o apresentem em orao,
mais do que antes, pois est entrando em uma fase de


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                         Tnia Gonzales


desnimo. No  fcil ficar sem poder fazer nada, vocs
sabem o quanto ele era ativo. Outro dia eu fiquei pensando
sobre uma aula em que ns enumeramos as vrias qualidades
de Edward Cullen. Se ele sofresse um acidente, o que
aconteceria? Sairia sem nenhum arranho, no ?              O
Alexandre tem muitas qualidades, eu posso dizer que ele  o
meu Edward, no tenho vergonha de falar isso, mas
infelizmente, ele no tem o poder de sair ileso em um
acidente. Mas ele continua sendo o meu Edward, o meu
prncipe. Ontem, ele queria que eu aproveitasse o sbado,
saindo com as amigas, por exemplo, mas eu preferi ficar com
ele, ento ele me fez prometer que eu participaria da aula hoje
e aqui estou eu. Ele est preocupado com o fato de eu passar
horas da minha vida l com ele, mas para mim no tem nada
melhor do que estar ao lado dele.  lgico que eu gostaria que
ele estivesse bem, mas mesmo ele estando impossibilitado de
sair comigo em um sbado  noite, por exemplo, eu o amo. Eu
quis dizer estas coisas para vocs, amigas, porque achei
importante. Nestes momentos difceis, em que ns no
sabemos o porqu, Deus nos ensina o que  o verdadeiro
amor; 1 Corntios 13 diz: " O amor  paciente,  benigno...
no procura os seus interesses...tudo sofre, tudo cr, tudo
espera, tudo suporta."  exatamente nestas horas que ns
conseguimos compreender pelo menos um pouquinho do
significado destas palavras.
Todas as alunas ficaram em p e aplaudiram, muitas estavam
com os olhos marejados. Ana recebeu um forte abrao da
amiga Simone.


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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!



Pastor Lus, veio do centro de recuperao, com Carlinhos,
participaram do culto da manh e  tarde foram visitar
Alexandre.
_Que bom te ver, meu amigo. Me desculpe por no ter vindo
antes. Estas coisas no dependem de mim, eu preciso
obedecer ordens- disse Carlinhos ao ver Alexandre.
_Eu entendo, como voc est?
_Estou bem, graas a Deus. O pastor Lus, que est
conversando com seu pai, disse que em pouco tempo eu vou
receber alta. No  uma beno?
_Com certeza, amigo, fico feliz por voc.
_E voc? Foi uma bela pancada, hein?
_Foi mesmo. Eu estou aqui sem poder fazer nada. Virei um
come e dorme.
_Al, no esquenta, logo voc vai estar em p, retomando
suas atividades.  necessrio pacincia. Confie em Deus. Eu
sei bem o que  ter que parar com tudo,  claro que por
motivos bem diferentes. E voc nem teve culpa, quanto a
mim... bem voc conhece minha histria. Aproveite estes
momentos para aprender algo de Deus. E estou sabendo que
voc tem uma namorada linda,  mais um motivo para se
levantar desta cadeira!
_Coitada da Ana, est sempre aqui comigo...
_Agradea a Deus por ter algum to especial...
_Eu agradeo, mas ela merece algo melhor do que isso...
_Isso? Voc  um cara excepcional, amigo de verdade , a
Ana sabe muito bem porque te escolheu.


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                        Tnia Gonzales



Mesmo recebendo tantas palavras de estmulo, Alexandre no
conseguia se animar, achava que era um peso para Ana, e at
lembrou que certa vez havia dito para a namorada que seria o
guia turstico dela em So Paulo, e isso o deixava mais
desanimado, pois agora dependia dos outros para se
locomover.




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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!




 "A provao vem, no s para testar o nosso valor, mas para
aument-lo; o carvalho no  apenas testado, mas enrijecido
pelas tempestades." Lettie Cowman

Captulo 16 -Rompimento

As sesses de fisioterapia novamente foram motivo de
desnimo para Alexandre, ele sentia muita dor em sua perna
esquerda, no conseguia passar por nenhuma etapa dos
exerccios necessrios. Sexta-feira, ele encontrou com um
rapaz de 23 anos que tambm havia sofrido um acidente, e
depois da conversa com ele, se            sentiu ainda mais
desanimado.
_E a, colega, h quanto tempo est fazendo fisioterapia?-
perguntou Alexandre.
_Quatro meses e estou na mesma, estou at achando tudo isso
uma perda de tempo.- respondeu o rapaz- E voc?
_Esta  minha quarta semana. Por quatro meses e nada?
Bom, meu nome  Alexandre e o seu?
_Vitor. O que aconteceu com voc, Alexandre? O meu foi
acidente de moto.
_Acidente de carro. Eu precisei operar a perna esquerda.
_Eu fraturei o fmur. A minha do at hoje, vai se
acostumando, quando eles te abrem, cara, nunca mais voc 
o mesmo. Voc vai sentir muita dor ainda, se prepara...
_Eu no estou obtendo progresso algum.


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                         Tnia Gonzales


_Fraturou o qu?
_A fbula.
_ como eu falei, andar normalmente nunca mais. Agora eu
preciso ir. Tchau cara.
_Tchau.
Dr. Afonso tentou conversar com o filho durante o caminho
para casa, mas Alexandre permaneceu calado pensando em
tudo o que Vtor havia lhe falado.
_Oi, filho, e a como foi hoje? - perguntou Lusa.
_Como todas as outras vezes... progresso zero.
_Querido, tenha pa...
_Pacincia? Me, hoje eu conversei com um rapaz que
fraturou o fmur, est na fisioterapia h 4 meses e me falou
que no teve melhora alguma. Ele disse que no adianta
nada...
_Em primeiro lugar, no foi o fmur que voc fraturou e voc
prefere dar ouvidos  pessoas pessimistas, por qu? Eu
pesquisei na internet e...
_Eu no quero ouvir, me desculpe... o que eu sei que j fiz um
ms de fisioterapia e nada. Eu sinto uma dor horrvel e no
consigo...
_Filho, o seu maior problema no est na perna, est na
cabea...
_Pronto, o que a senhora quer? Quer que eu me encha de
pensamentos positivos do tipo: Eu vou conseguir, eu sou
vencedor! Me, para com isso...
_Voc est se esquecendo que Deus  que nos fortalece; voc
est focado no problema...


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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


_ Chega, eu vou deitar; me faz um favor, liga para Ana e diz
para ela no vir aqui hoje.
_Eu no vou fazer isso...
_Me, por favor, no quero falar com ela hoje...
Lusa resolveu no ligar, pensou que a presena de Ana o faria
se sentir melhor.
_Oi, como meu amor est hoje? - Ana se aproximou e deu um
beijo no rosto do namorado.
_O que voc est fazendo aqui?
_Que tal dizer um oi em primeiro lugar?
_Eu disse que no era para voc vir hoje...
_Voc no me disse nada...
_Minha me...  claro que ela no ligou.
_Nossa, voc no queria me ver hoje?
_ isso mesmo!
_O que aconteceu? Como foi a fisioterapia?
_Esta pergunta... voc tinha que perguntar isso? Quer mesmo
saber? Eu fui e no aconteceu nada, como em todos os outros
dias. No sei o que vou fazer l,  s perda de tempo...
_Voc est errado,  preciso ter pa...
_No! No diga esta palavra. Todo mundo me diz que 
preciso ter pacincia. Pois eu no tenho! Est surpresa?  isso
mesmo, Alexandre no tem pacincia; eu quero me levantar e
andar com as minhas duas pernas e quero fazer isso
normalmente, sem ajuda de ningum.
_Isso vai acontecer, mas leva um certo tempo.
_Eu no quero esperar. Voc j pensou na possibilidade de
seu namorado depender de uma muleta para o resto da vida?


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                        Tnia Gonzales


_Alexandre, voc est exagerando,  tudo to recente! Voc
vai se recuperar totalmente...
_E se eu no me recuperar?
_Por que pensar assim? Sua me me contou sobre o rapaz
que conversou com voc. Pelo que ela me disse o problema
dele  outro e mesmo que no fosse, cada caso  um caso, a
recuperao varia de pessoa para pessoa. Amor, onde est a
sua confiana em Deus? Por que este desnimo todo?
_Porque eu estou cansado. Eu tenho que estudar, trabalhar...
eu no consigo fazer nada... minha cabea do, minha perna
do...
_Por que voc no conversa com o mdico? Talvez uma
mudana de medicamento.
_No. Eu ... quero que voc v embora.
_Tudo bem, eu vou deixar voc descansar... volto amanh.
Vamos fazer algo diferente amanh...
_No, voc no entendeu. No venha amanh. Eu quero que
voc viva a sua vida... chega de cuidar de mim. Eu ...
_O que voc est falando?
_Eu estou terminando o nosso namoro. Pelo menos eu no
falei com seu pai ainda...
_O qu?
_ isso. A partir de agora voc est livre deste ... fardo.
_Voc no est bem mesmo!
_Ana, eu estou falando srio, o nosso namoro acabou. Voc
precisa de algum que possa cuidar de voc, de algum que
possa te convidar para sair sem depender de mais ningum...
_Para com isso... voc est aumentado o tamanho da


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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


dificuldade. Isso virou um gigante...
_Ana, eu agradeo todo o seu carinho, toda a sua ateno,
voc  uma garota incrvel que merece ser feliz, eu no sou
bom o bastante pra voc... eu me sinto pssimo. Eu nem
consigo orar...
_Eu ajudo...
_No, eu ... eu estou bravo com Deus, Ele no vai me ouvir,
eu disse que foi muito injusto da parte dele permitir que isso
acontecesse comigo, eu fui fazer um favor e voltei em uma
ambulncia, isso no  justo; eu ia me encontrar com voc, eu
ia falar com seu pai...
_Amor, eu sei... olha isso vai passar... voc est desanimado,
no tenha vergonha disso; Deus compreende, Ele conhece a
nossa estrutura. Isso que voc est sentindo  natural. Deus
no o ama menos por isso, Ele entende!
_V embora. Eu quero que voc viva como uma garota de 17
anos; voc j sofreu tanto, no merece isso, me perdoe... no
queria ser responsvel por mais este sofrimento na sua vida...
_Alexandre, eu te amo. Eu no venho aqui por obrigao...
_Se voc quer realmente me ajudar, v embora e considere o
nosso namoro terminado. Eu vou me sentir melhor se voc
aceitar isso. Eu ... imploro! Por favor!
_Amor...
_No quero ser grosso com voc... mas se for preciso...
_Alexandre...
_Acabou. No me li-li-gue, e-e-eu no vou que-querer
atender. O melhor mesmo  que voc nem pergunte por mim,
no queira saber como eu estou... agora saia, eu preciso


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                        Tnia Gonzales


descansar.
Ana percebeu que no ia adiantar discutir com ele naquele
momento, ento saiu em silncio.
_Ana, est tudo bem? - perguntou o doutor Afonso assim que
a viu saindo do quarto de Alexandre.
_No ... - foi s o que ela conseguiu dizer, para em seguida
desfazer-se em lgrimas.
_Querida... - disse Lusa abraando-a.
_Ana, ele est deprimido, seja o que for que ele disse, no
leve em conta- pediu Afonso.
_Ele... ele... terminou o namoro.
_Ana,  como eu disse, ele no sabe o que est dizendo... ele
s quer poup-la... - explicou Afonso- Vou lev-la para sua
casa.

Ana no conseguiu dormir, as palavras de Alexandre no lhe
saam da mente; preferiu no contar para ningum o que havia
acontecido. Roberto chegou quase meia-noite e ela resolveu
fazer que estava dormindo. Levantou-se s 8h, o pai j havia
sado; ento ela aproveitou para colocar a casa em ordem;
Lipe acordou s 11h e logo percebeu que a irm no estava
bem.
_Oi, maninha, que cara  essa? Nem parece que dormiu...
_No dormi...
_Aconteceu alguma coisa?
_O Alexandre terminou o namoro comigo... ele acha que
atrapalha a minha vida...
_Terminou? Maninha... o que eu posso fazer por voc?


                            210
             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


_Lipe... ele est to amargo... se entregou totalmente ao
desnimo...
Naquela tarde Ana resolveu ligar para a amiga Ktia e contou
tudo o que havia acontecido. Aquela conversa fez bem para
Ana, era bom poder desabafar com a amiga. Ktia prometeu
pedir orao para os irmos da pequena igreja pastoreada pelo
tio de Ana em Santa f do Sul.
Lipe conversou com a prima Carol e contou o que havia
acontecido com Ana para que ela desse uma fora para sua
irm, pois ele no era muito bom neste tipo de coisa, nunca
sabia o que dizer, seria muito melhor que a irm se abrisse
com uma mulher.
_Oi, Ana, o Lipe me contou sobre o trmino do seu namoro,
ah prima! Posso fazer alguma coisa pra ajudar?
_Ore por ele. O desnimo tomou conta.
_Ana, como  triste ver o Alexandre assim , justo ele que foi
sempre to animado!
_... eu sinto tanta falta do senso de humor dele! Estava
sempre fazendo alguma gracinha.
 As primas passaram a tarde de sbado conversando;  noite
Carol conseguiu convencer Ana para ir ao culto especial de
misses; viriam alguns missionrios que eram sustentados
pela ICVV e com certeza teriam testemunhos maravilhosos.
Aps o culto, no salo de festas, teriam um rodzio de pizzas,
para arrecadao de fundos para misses.
 Ana ficou feliz por ter aceitado o convite da prima, realmente
foi um culto maravilhoso. Puderam conhecer detalhes sobre o
dia a dia de um missionrio e ao ouvir todas aquelas


                                211
                         Tnia Gonzales


experincias, Ana se animou, sabia que se tivesse ficado em
casa estaria com os olhos inchados de tanto chorar; ali ela
tambm chorou mas foram lgrimas por sentir a gloriosa
presena de Deus, ela pensou que era disto que Alexandre
estava precisando, sentir a presena de Deus.
_Ana, que bom v-la aqui! - disse Joyce ao final do culto.
_Oi, Joyce, graa e paz... - cumprimentou Ana.
_Graa e paz, minha amiga... como voc est?
_Agora, depois de ter participado deste culto, que foi uma
beno, estou bem. E o seu irmo?
_Tem certeza que voc quer saber?
_Quero sim.
_Ele ficou o sbado todo trancado no quarto, quase no se
alimentou; conversar com ele  impossvel, simplesmente no
responde. No quis receber visitas, alguns jovens foram l v-
lo e ele pediu para minha me dizer que estava dormindo. E
j avisou que no vai mais  fisioterapia. Meu pai vai chamar
um mdico para v-lo segunda-feira. O problema maior no 
a perna,  maneira como ele est reagindo a tudo isso. Ele est
deprimido.
_Como  complicado! Eu sei que Deus vai nos indicar um
caminho para poder ajud-lo. Joyce, ontem eu sa da casa dos
seus pais arrasada, chorei muito, conversei com minha amiga
de Santa F, que tambm ia pedir orao na igreja que ns
congregvamos. Carol me deu a maior fora e me convenceu
a vir ao culto, o que me fortaleceu. O Alexandre vai sair
dessa...
_Com certeza! E agora, que tal agora ns comermos uma


                             212
             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


pizza? O Celso j est l com as crianas.
Foram participar do rodzio de pizza; Ana passou momentos
timos com Melissa e o pequeno Lucas. Aproveitou tambm
para ter uma conversa com o pastor Jair. O pai de Ana
tambm apareceu l, havia sado mais cedo do restaurante.
Roberto conversou bastante com Beth, Ana percebeu que os
dois se davam muito bem, achou isso interessante.
No dia seguinte, Ana participou da escola bblica e do culto da
manh, depois foram todos almoar na casa do tio Rubens,
para aproveitar a folga de Roberto. Aps o almoo, vov Tel
conversou com Ana sobre Alexandre. Sabrina ouviu parte da
conversa e descobriu que Ana e Alexandre no estavam mais
namorando.
_Que sorte a sua, Ana! - disse Sabrina.
_Sabrina, voc estava ouvindo a nossa conversa? - Vov
perguntou sem esconder a decepo.
_No, v, eu s estava passando e ouvi, foi sem querer... mas
 como eu disse, Ana, sorte sua.
_Sabrina, isso  l maneira de falar com sua prima, ela no
est nada feliz com isso!
_Pense bem, Aninha, agora voc est livre! J imaginou se o
Alexandre depender de uma muleta para andar?
_Sabrina, como voc pode dizer uma coisas dessas? -
perguntou Ana com indignao.
_Eu estou certa! Todo mundo pensa isso, mas ningum tem a
coragem de dizer! Ana, voc quer um namorado que no vai
poder te levar pra sair? Ou vocs vo precisar usar o
transporte coletivo ou ento depender de outros para lev-los.


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                         Tnia Gonzales


Se bem que logo, logo voc vai completar dezoito anos, n?
A voc tira sua carta...
_Sabrina! Pare com isso! Como voc pode ser to insensvel?
- perguntou a av- Voc sequer foi visit-lo!
_V, eu sou sincera e prtica. Ana, voc deve agradecer a
Deus pelo Alexandre ter terminado o namoro, ele fez um
favor para voc, que passava horas paparicando ele.  isso
que voc quer de um namorado? Ele precisa de uma
enfermeira, isso sim!
_Voc no entende, no ? Isso  porque voc precisa tirar
vantagens dos relacionamentos, sempre! Um dia voc vai
gostar realmente de algum, a ento voc vai compreender o
que  se doar, querer cuidar de algum com carinho... estar
perto, conversar e compartilhar tudo, at mesmo os momentos
difceis.
_Aninha, para com isso! Tchau pra vocs, cansei...
_Querida, no ligue para Sabrina... - Vov Tel abraou a neta
e continuaram a conversa por alguns minutos.
Quando voltaram para casa, ela e o pai tiveram uma longa
conversa. Ana pensou em como era bom poder contar com a
ajuda da famlia e dos amigos, tudo parecia mais fcil. Ela
estava sentindo que Deus a estava guiando. Algumas ideias
surgiram em sua mente e ela comearia a pr em prtica
imediatamente. Foi ao culto de domingo  noite e teve uma
conversa com Tiago, o filho do pastor; o nico problema foi
que Simone viu e foi logo tirando suas concluses.
_Ana- comeou Simone assim que a viu sozinha- O que voc
est inventando? Pensa que eu no vi voc conversando com


                             214
            Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


o Tiago?
_Calma, Si, no  o que voc est pensando. Eu falei com o
Tiago sobre o Alexandre. Relaxa, t? Mas se voc quiser...
_Pode parar...
 Ana tambm falou com Beth. E ao chegar em casa fez um
pedido especial para o irmo.




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                        Tnia Gonzales




 "Quando a dor tem que ser suportada, um pouco de coragem
ajuda mais do que conhecimento; um pouco de simpatia
humana, mais do que coragem, e a menor migalha de amor de
Deus mais do que tudo." C.S.Lewis

Captulo 17 -O.R.A.D

Alexandre, assim que viu seu pai naquela manh de segunda-
feira, informou-lhe que no iria  fisioterapia e que no ia
adiantar insistir, pois era uma deciso dele e que no iria
mudar de ideia por nada. Dr. Afonso ficou muito contrariado,
mas respeitou a deciso do filho. Lusa estava muito
preocupada, o filho comia pouco e passava a maior parte de
seu tempo dormindo e sempre se recusando a receber visitas.
Ana ligava todos os dias para saber notcias de Alexandre,
mas s falava com Lusa. E procurou tranquilizar a me dele
dizendo que ele iria se recuperar, que Deus havia dado
algumas estratgias e que ela j estava trabalhando nisso. Na
quarta-feira, Ana aproveitou para falar com o dr. Afonso. Ela
havia passado os ltimos 3 dias conversando com vrias
pessoas envolvidas com a vida de Alexandre e estava na hora
de colocar o plano em ao.
_Ento, maninha, quando eu vou at a casa dele? - perguntou
Lipe.
_Amanh. J encontrou algum problema no seu notebook que
convena o Alexandre? -


                            216
              Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


_J, e o Samuel tambm vai levar o dele.
_A Joyce vai dar uma carona para vocs. Eu vou embrulhar
os presentes para voc levar.
_ Presentes? O qu?
_Um DVD do filme "Desafiando gigantes"; o livro "
Mananciais no deserto"; um CD com uma seleo que eu fiz
especialmente pra ele e uma carta escrita por mim. E eu vou
fazer umas bolachinhas e pezinhos folhados.
_Uau! Uma operao resgate? J sei... O.R.A.D...
_ORAD? O que  isso?
_Operao resgatando Alexandre do desnimo. Gostou?
_Adorei! ORAD.  isso. Vrias pessoas estaro participando
desta operao...
_Quem?
_Alm de voc e do Samuel, Pr. Jair, Tiago, Beth, Carlinhos, a
famlia do Alexandre e outros...
_Nossa,  uma verdadeira operao resgate...
_Com a ajuda de Deus, ns vamos conseguir tirar o
Alexandre deste desnimo, eu tenho certeza.
Quarta-feira  noite Alexandre recebeu a visita do Pr. Jair, ele
bem que queria pedir para me dizer que ele j estava
dormindo, mas no conseguiu, no queira fazer a me mentir
para o pastor.
_Alexandre, meu filho! Como voc faz falta... eu no queria
incomodar... mas estou com um problema no site da igreja, e
eu preciso fazer algumas modificaes, voc poderia dar uma
mozinha para seu pastor?
_Claro, eu vou dar uma olhada ...


                                 217
                           Tnia Gonzales


Assim Alexandre passou mais de uma hora navegando pelo
site da igreja e conversando com o pastor Jair sobre as
mudanas que ele queria que fossem feitas. A ORAD havia
comeado com sucesso.
No dia seguinte, Joyce foi almoar na casa da me com as
crianas, aps o almoo Melissa pediu para o tio jogar vdeo
game com ela e ele no teve como recusar, foram vrias horas
se divertindo com a sobrinha.
_Quase quatro horas da tarde, Lipe e Samuel chegaram.
_E a, Alexandre? "T" at com vergonha, eu sei que voc
precisa descansar, mas  que estou com um problema e o
Samuel tambm... vai desculpando, mas...
_Para com isso Lipe, d aqui pra mim, eu estou cansado de
tanto descansar... esta  a verdade, amigo.
E assim passaram mais duas horas com a ORAD em ao.
Antes de sair, Lipe entregou o presente que Ana havia
mandado. Ao ficar sozinho, Alexandre abriu a bonita caixa
onde havia um potinho com as bolachinhas e pezinhos,o
DVD do filme " Desafiando gigantes", um CD, o livro "
Mananciais no deserto"26 e um envelope.
" Para Alexandre com todo meu corao"- dizia o envelope-
Alexandre o abriu e comeou ler a carta escrita por Ana:
" Amor, estou lhe enviando estes presentes com muito amor e
gostaria que voc fizesse uso de cada um. Por favor, no os
deixe de lado. Reveja o filme " Desafiando gigantes",
pensando nos seus prprios gigantes e vena-os! Oua as
msicas, fiz esta seleo especialmente para voc, mas oua
26 Autora: Lettie Cowman

                               218
               Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


com o corao e sinta a doce presena de Deus o envolvendo,
uma delas  aquela da Fernanda Brum " Esprito Santo"; na
ltima vez que nos vimos voc disse que no estava
conseguindo mais orar, ento deixe que o Esprito Santo de
Deus ore por voc. Leia o livro " Mananciais no deserto",
ganhei este livro quando minha me morreu, foi um presente
da minha v,  muito especial, fala profundamente, preste
ateno na mensagem do dia 10 de maio e na do dia 25 de
setembro; e finalmente, saboreie as bolachinhas e os
pezinhos folhados, fiz com muito carinho, vo ficar timos
com aquele delicioso caf feito por sua me. Um beijo grande
e no se esquea que te amo!
Saudades... de sua Ana"
"P.S.: Se voc preferir pode comear pelas bolachinhas..."
_Ana... Ana... s voc mesmo! Eu acho que vou comear
pelas bolachinhas... - disse Alexandre para em seguida chamar
sua me. Ana tinha razo, um cafezinho seria timo.
Aps saborear um delicioso caf com os pezinhos e
bolachinhas feitos por Ana, Alexandre resolveu ouvir o CD;
uma das msicas da seleo de Ana era " Te vejo"27 cantada
por PG, a letra falou profundamente ao corao dele: " Te
vejo nos momentos de dor, te vejo na noite, quando na vida o
sol se pe, tu s a luz... te vejo no deserto na aflio, te vejo
no vale, vejo tuas mos cobrindo o sol, guardando-me..."
E Alexandre ouviu por mais duas vezes e comeou a cantar
quando chegou na parte que diz: " Sinto teu abrao e teu
carinho, Tu s fiel e no h razo pra duvidar do teu
27 " Te vejo" : Msica de Jesus A.Romero- cantada pelo PG.

                                  219
                            Tnia Gonzales


corao,sinto tuas mos sobre mim..."
Neste momento as lgrimas comearam a cair em sua face e
ele no conseguiu mais cantar, ficou ali por vrios minutos
chorando... e dizendo "me perdoe... me perdoe...", era s o
que ele conseguia balbuciar. Enquanto isso, a msica dizia
exatamente como Alexandre estava se sentindo:
" Estou clamando, estou pedindo, s Deus sabe a dor que
estou sentindo, meu corao est ferido, mas o meu clamor
est subindo."28
_Esprito Santo ,ore por mim... eu no consigo... me ajude...
eu preciso de ti... - Eram as palavras de um jovem com um
corao quebrantado.
Ele pegou o livro que Ana havia enviado e comeou a ler e
um versculo bblico chamou sua ateno: "Aquietai-vos e
sabei que eu sou Deus"29. Alexandre estava entrando pelo
caminho da cura de sua depresso, passou quase uma hora ali,
s chorando , de vez em quando saa uma palavra, mas a
maior parte do tempo eram s lgrimas.
Sexta-feira Alexandre recebeu a visita de Tiago, o filho do
pastor Jair, eles estudavam na mesma faculdade, a diferena
era que Tiago estava no terceiro ano. Esta visita era mais uma
etapa da ORAD.
_E a, amigo, como voc est? - perguntou Tiago se
aproximando de Alexandre e dando-lhe um abrao.
_Estou melhorando, obrigado. E como vo as coisas ?
_Est tudo beleza, amigo! Ontem eu conversei com alguns

28 Msica de Fernanda Brum: " Esprito Santo.
29 Salmo 46.10

                                220
             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


professores e eles vo mandar as lies para voc
acompanhar.
_Isso  timo.
_O Bruno vai ser o encarregado de vir at aqui para trazer as
lies. Eu faria isso com maior prazer, mas um ano nos
separa...
_Legal. Valeu a fora. Eu estive to desligado que nem
pensei nisso.
-Mas isso ser por pouco tempo, logo voc vai poder
participar das aulas, certo?
_Certo, amigo! Tiago, eu quero fazer uma pergunta...
_Fala a...
_A Ana tem participado dos cultos?
_Ana... quem  essa?
_Para com isso!
_Ontem mesmo ela participou do culto de orao...
_E... voc chegou a ver com quem ela foi embora? Que
pergunta...  claro que voc no viu...
_ a que voc se engana! Eu a levei para casa. J que voc
tirou o time de campo, eu pensei... por que no?
_Tiago!
_Deixa eu brincar um pouquinho... ela deve ter ido com a
Carol. Eu conversei com a Ana ontem, mas no precisa ficar
com cimes. Eu s pedi pra ela dar uma fora, sabe... eu
convidei uma garota pra sair e ela me disse no! Voc
acredita?
_Que garota?
_Simone. Que menina difcil! Ela s sabe dizer no. Como eu


                                221
                         Tnia Gonzales


percebi que ela e a sua Ana so amigas...
_Entendi... boa sorte, amigo.
_Mas e a?
_E a o qu?
_A Ana, est livre mesmo?
_Tiago... cuidado.
_Cuidado voc! Se eu tivesse uma namorada como a Ana no
a deixaria por nada...
_Vamos falar sobre cincias da computao...  bem mais
simples...
_Nisso voc tem toda a razo!
Naquele mesmo dia, Alexandre teve uma surpresa. Ronaldo
foi at o centro de recuperao e trouxe Carlinhos para passar
o final de semana com a famlia; mas como ele tambm fazia
parte da ORAD, foi dormir aquela noite na casa de Alexandre
e passar o sbado com ele. Os dois conversaram muito e
Alexandre convidou Carlinhos para assistir ao filme
"Desafiando gigantes"; o que foi timo pois Carlinhos ainda
no havia assistido.
_, Al, todos ns enfrentamos gigantes, o que muda  a
maneira de enfrent-los, pois o tamanho no importa, gigante
 gigante! Eu tenho obtido vitria sob os meus gigantes,
graas a Deus e a ajuda de muitos amigos e voc?
_Agora eu posso dizer que estou enfrentando, porque antes eu
estava fugindo de tudo e de todos, mas Deus  fiel, Ele tem
enviado pessoas especiais como voc para me dar a mo e me
ajudar a levantar...
_ isso a, meu grande amigo,  assim mesmo que se fala!


                             222
             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


Tenho orgulho de voc!
 Duas horas da madrugada Lusa levantou-se para beber gua
e ficou feliz ao ouvir a voz do filho e do amigo Carlinhos,
como era bom saber que ele estava reagindo.
O sbado foi um dia muito divertido, Alexandre e Carlinhos
conversaram muito, aproveitaram para testar um novo game,
comprado por Alexandre alguns dias antes do acidente e at
formaram um dueto com Carlinhos no violo e Alexandre
cantando.  tarde Carlinhos se despediu do amigo.
Naquela mesma tarde, Alexandre recebeu outra visita,
tambm pela ORAD, Renato, um dos scios da R.R.D.S, a
empresa onde Alexandre trabalhava, tinha uma proposta para
ele.
_Oi, meu querido! Como voc est?
_Renato? Que bom te ver! Estou melhorando... quando
chegou de viagem?
_H dois dias. Era para eu ter vindo aqui ontem , mas a
R.R.D.S est uma loucura; como voc faz falta!
_Para com isso! E como foi a sua viagem? Muitas novidades?
_Com certeza, Al! Voc vai gostar, voc sabe amigo, "nos
States" sempre tem novidades no mundo da computao...
mas eu estou precisando de voc.
_Precisando de mim?
_Eu sei que voc est de licena mdica, mas seria possvel
voc realizar alguns servios para o seu grande amigo?
_Tudo bem... eu vou adorar ser til novamente.
_ o seguinte, vai ser tudo no seu ritmo... nada urgente,
entendeu?


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                         Tnia Gonzales


_Fechado! Pode mandar!
_Gostei! E voc est de parabns, sua namorada ...
_Minha namorada? Voc viu a Ana?
_Ai, ai, ai... acho que pisei na bola... esquece.
_Espera a, Renato, onde voc viu a Ana?
_Era segredo... a minha boca grande... ela foi l na R.R.D.S
com a sua irm.
_Quando?
_H dois dias...
_Para qu?
_Justamente para me dizer que voc estava disposto 
trabalhar em casa. A Ana me explicou que se o servio no
fosse para ontem, voc poderia muito bem realizar, e que seria
muito bom para voc se ocupar,  isso. Ela  uma gata! E 
muito simptica tambm e  inteligente...
_Calma a...
_Com todo o respeito! Ento, estamos combinados?
_Com certeza. Valeu mesmo!
_Eu que agradeo...
E assim mais uma etapa da ORAD foi realizada.  noite,
Ronaldo e Laura reuniram alguns jovens e foram  casa de
Alexandre, foram horas de muito louvor, orao, bate-papo
descontrado e muita pizza. Beth tambm participou da
reunio. A ORAD estava em ao.
_Beth, a Ana sabia que vocs viriam aqui? - perguntou
Alexandre quando todos j estavam saindo.
_Sabia.
_Ela no quis vir?


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              Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


_Al, ela achou melhor no...
_Ah... valeu Beth... obrigado por todo o carinho de vocs, 
muito importante para mim.
_Fico feliz por voc, que est com uma aparncia tima.
_Eu estou me sentindo bem.
_Por que voc no faz uma ligao para uma certa pessoa,
hein? Tenho certeza que isso a faria muito feliz.
_Na verdade eu preciso conversar com ela pessoalmente.
 Alexandre queria muito se encontrar com Ana, tinha muitas
coisas para dizer, mas ele estava com um certo receio, decidiu
que esperaria pelo momento ideal. Ligou o CD player e ficou
curtindo "You are the love of my life"30. Retirou debaixo do
travesseiro uma foto dos dois no parque Ibirapuera. Como
aquela linda garota dos cabelos negros lhe fazia falta. Como
ele pde pensar que seria melhor ficar longe dela?




30 Msica de Michael W. Smith.

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                         Tnia Gonzales




 "Faamos da interrupo um caminho novo. Da queda um
passo de dana, do medo uma escada, do sonho uma ponte, da
procura um encontro!" Fernando Sabino

Captulo 18 -Surpresas

Domingo, Alexandre acordou cedo, ligou para Joyce,
querendo saber se ela iria  escola bblica naquela manh,
pois ele gostaria que ela entregasse algo para Ana. Em menos
de uma hora Joyce estava diante do irmo toda curiosa para
saber o que ele tinha tanta urgncia em dar para Ana.
Alexandre lhe entregou um presente que logo ela percebeu ser
um CD.
_ um CD? Qual? Que papel mais delicado...
_Por que as mulheres so to curiosas?
_Me conta.
_No conto. Voc vai se atrasar para a aula...
Antes do incio do culto da manh, Joyce entregou o presente
de Ana e contou as ltimas notcias sobre o sucesso da
ORAD. Ana no via a hora de chegar em casa para abrir o seu
presente. Carol no conseguia esconder a curiosidade, mas
sabia que teria que esperar que a prima lhe revelasse mais
tarde o contedo do delicado embrulho.
_Ana chegou em casa e foi direto para o seu quarto, o almoo
teria que esperar. Abriu o pequeno pacote e logo viu que se
tratava de algo muito especial, pois na capa havia uma foto


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              Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


dela e Alexandre juntos no parque Ibirapuera. Ela abriu a
caixinha do CD e ali havia um pequeno carto em formato de
uma flor.
" Ana, me perdoe! " - era s o que estava escrito. Ela colocou
o CD e comeou a ler na tela de sua TV algo muito especial
escrito por Alexandre: " Um aviso para minha linda garota
dos cabelos negros: preste bastante ateno na msica, ela 
nossa agora. Pense em cada palavra como se eu estivesse a
bem pertinho sussurrando em seu ouvido"; ento ao som de
"You are the love of my life"31, ela viu algumas fotos de
Alexandre beb, tambm algumas fotos dos aniversrios dele
e por ltimo havia as fotos que foram tiradas no parque
Ibirapuera. Alexandre teve o cuidado especial de colocar uma
cpia da traduo da msica, pois sabia que Ana no
dominava o idioma ingls. Uma parte da msica dizia: " s
vezes  to difcil acreditar, quando as noites podem ser to
longas, e a f me d fora e me fez continuar seguindo em
frente" ; o refro dizia " Voc  o amor da minha vida, e eu
estou to feliz que voc me encontrou, voc  o amor da
minha vida..."
 Ana ficou muito emocionada e resolveu ver Alexandre aps o
culto noturno.

_E a, meu irmo, o qu voc deu para Ana? - perguntou
Joyce .
_Como voc  curiosa! Eu vou mostrar para voc- Alexandre
pegou o notebook e colocou a pequena edio que havia feito
31 Msica de Michael W. Smith

                                 227
                        Tnia Gonzales


com as fotos.
_Que gracinha! Ela deve ter amado! Esta msica  linda...
_Quase que eu ia me esquecendo... fiquei sabendo da visita
que voc e a Ana fizeram  R.R.D.S.
_No acredito que o Renato contou! Ns falamos para ele que
era segredo...
_Coitado, saiu sem querer... vocs duas...
_Foi ideia da Ana, eu s a acompanhei. E a o qu voc
achou?
_Eu achei timo, era exatamente do que eu estava precisando,
trabalho. A Ana  incrvel.
_Com certeza. E voc mandou ela embora! D pra acreditar
nisso?
_Mas eu vou consertar isso.
_Na verdade voc j comeou e muito bem por sinal...
_Hoje  noite eu vou fazer uma surpresa para Ana, bom, no
s para ela ...
_O qu voc vai fazer?
_Me aguarde...

Eram quase seis horas da tarde, Carol e Ana estavam
conversando animadamente esperando pelo incio do culto;
Ana estava contando para prima sobre o CD que Alexandre
havia feito especialmente para ela, quando Carol olhou para
trs e viu algo que a deixou extremamente feliz.
_Voc no vai acreditar! Olha s quem veio ao culto hoje! -
exclamou a prima com toda a animao.
_O que foi Carol? Quem?


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                Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


_Veja voc mesma!
_O Alexandre veio hoje! No acredito! Jesus... como eu te
agradeo! - os olhos de Ana encheram-se de lgrimas.
_Prima! A ORAD foi uma beno, um verdadeiro sucesso!
_Tem razo!
_Vamos l falar com ele?
_ melhor esperarmos um pouco, tem tanta gente em volta
dele...
Alexandre estava muito emocionado, como era bom estar ali
novamente. Ficou comovido com a acolhida de seus irmos
em Cristo. E como aquele momento era especial para todos os
envolvidos na ORAD, pois estavam vendo o resultado ali
diante dos olhos. Ana no conseguiu falar com ele, pois o
Pastor auxiliar convidou todos para uma orao, o culto iria
comear. Em seguida, ele avisou sobre trs eventos que
teriam no ms de junho : no dia 07 seria realizado o DIP32
( Domingo da Igreja Perseguida), como em todos os outros
anos eles fariam uma programao toda especial com orao
logo pela manh, as aulas da escola bblica tambm falariam
sobre o assunto, o culto da manh teria apresentaes de
peas teatrais, uma mensagem do Pr. Jair e o culto da noite
tambm seria dedicado aos irmos que so perseguidos por
sua f em todo o mundo. Vrios irmos da ICVV eram
parceiros da Misso Portas Abertas33 e sempre contribuam

32 O DIP  realizado por muitas igrejas todos os anos, a fim de
   conscientizar a igreja livre sobre o sofrimento de nossos irmos em
   todo o mundo.
33 A misso Portas Abertas  uma entidade sem fins lucrativos que serve

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                           Tnia Gonzales


para ajudar a igreja sofredora. No dia 12 , dia dos
namorados, haveria um jantar para todos os casais da igreja e
no dia 21 seria realizado um grande batismo.
Foi um culto inesquecvel, o clima de adorao e gratido era
maravilhoso. Quando o Pastor Jair apresentou Alexandre, os
irmos glorificaram a Deus pela vida dele.
_Amado, como  maravilhoso t-lo novamente aqui conosco,
ns louvamos a Jesus pela sua vida, Alexandre. Eu sei que
voc quer falar hoje e tenho certeza que todos aqui esto
ansiosos para ouv-lo, mas no se preocupe, o microfone
chegar at voc.
_Graa e paz meus amados irmos. ... bem difcil conseguir
falar em um momento to especial... mas vou conseguir, com
a ajuda de Jesus. Todos vocs sabem sobre o acidente, eu
agradeo a Deus por no ter acontecido algo pior, pelo
Gustavo estar bem,e eu continuo te amando, meu amigo,
nunca se esquea disso; mas talvez o que muitos no saibam 
que o mais grave no foi os ferimentos provocados pelo
impacto da batida. Eu sei que logo estarei recuperado
fisicamente. O pior aconteceu depois, eu passei por uma
experincia que nunca vou esquecer. O desnimo foi
chegando aos poucos. E sem eu perceber, ele tomou conta de
mim.  terrvel... voc se sente pssimo,  como se voc
estivesse em um abismo profundo... eu fiquei deprimido, o
meu problema se transformou em um gigante. Eu s queria

  os cristos perseguidos em todo o mundo; para maiores informaes:
  www.portasabertas.org.br


                                230
                Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


ficar deitado, sem falar com ningum. Amados, como  triste.
Eu no suportava ouvir as pessoas me dizendo: " tenha
pacincia, isso vai passar, voc vai superar, calma...", aquilo
me irritava. Ento, eu fiquei insuportvel, at para mim
mesmo. Me senti a pior das pessoas. Eu entrei pelo caminho
da depresso.  complicado dizer isso, algum pode at
pensar:" Como pode um cristo se sentir assim, onde est a
confiana em Deus? Tm pessoas que sofrem muito mais,
passam por coisas bem piores , isso no  nada!"  muito fcil
julgar, mas no caia neste erro, pois isso pode acontecer com
qualquer um. S Deus conhece a nossa estrutura, Ele sabe
muito bem o que cada um de ns consegue suportar. Eu me
lembro de um sermo do pastor Jair sobre Elias. Ele disse que
o desafio era bem menor, para quem havia enfrentado tantos
profetas de Baal, era s uma ameaa de Jezabel. Mas Elias
no teve foras. Eu queria que Elias tivesse dito assim: "
Jezabel? Quem  ela? Eu sou Elias, o profeta de Deus! " Mas
sabem de uma coisa, na verdade eu no queria isso, no.
Porque assim eu posso concordar com o apstolo Tiago que
disse que Elias era um homem sujeito aos mesmos
sentimentos que ns34. Elias havia chegado no limite das suas
foras. Irmos, naquela dia do acidente, eu estava muito feliz,
com muitos planos e de repente... amados... como 
importante a nossa comunho com Deus, pois voc nunca
sabe o que vai acontecer, nosso corpo  to frgil, mas o
engraado  que ao mesmo tempo ele  forte. H um mistrio
a. Eu sa do abismo, mas no foi pela minha prpria fora,
34 Tiago 5.17

                                   231
                         Tnia Gonzales


Jesus me levantou, Ele usou pessoas muito especiais e eu amo
todos vocs. Eu sei que vocs oraram muito por mim.
Agradeo a todos que me visitaram. Mas h algumas pessoas
que eu preciso citar aqui: meus pais, quanta pacincia! Quanto
amor! Minha irm querida, Joyce, agradeo a Deus pela sua
vida, eu te amo! Meus sobrinhos tambm participaram deste
processo de cura, como as crianas so meigas, doces,
sinceras... meu cunhado, Celso, sempre presente. Pr. Jair e
Lgia, sempre usados por Deus para nos abenoar. Ronaldo e
Laura, to amveis, o apoio de vocs foi essencial e os
jovens que estiveram l em casa, com o todo o carinho; mas
eu ainda preciso citar alguns nomes, tenham pacincia
comigo, olha eu usando a palavra que eu tanto temi. Tiago e
Carlinhos vocs so uma beno, meninas prestem ateno
neles; Beth, grande amiga para todas as horas; Carol e Lipe,
quo preciosos vocs so! Mas h uma pessoa que eu preciso
agradecer ainda mais, com certeza eu no saberei usar as
palavras certas, no sero suficientes, mas ela  um presente
de Jesus para mim. Mesmo sendo obrigada a manter distncia,
por imposio do deprimido Alexandre, ela no permaneceu
distante, o seu corao esteve sempre bem pertinho de mim. E
ela, com muito carinho e cuidado conseguiu me alcanar,
usou de vrios meios para que o remdio chegasse at mim,
na hora e na medida certa. Eu s tenho que agradecer pela sua
pacincia e pelo seu amor, Ana, obrigado por no me
esquecer. Bom, acho que terminei... s mais uma coisinha..
para algum que talvez esteja a pensando, este rapaz est em
uma cadeira de rodas agradecendo? A verdadeira tragdia 


                             232
             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


quando voc entrega os pontos,  quando voc acha que Deus
est longe, muito longe para ser alcanado. Quando voc
perde totalmente as esperanas. Mas se voc tem f , tudo
muda, as coisas comeam a fazer sentido. Quando voc
estiver s enxergando o gigante  sua frente, lembre que
Deus  maior e que Ele sempre tem algum para usar. E
esteja disposto a tambm ser um instrumento de Deus para a
cura de algum.
Pastor Jair pediu para que todos se levantassem, era o
momento de fazer uma orao especial de agradecimento.
Todos estavam profundamente comovidos com o testemunho
de Alexandre. Ana chorou durante todo o tempo que ele
esteve falando. Quando o culto terminou, Alexandre se viu
novamente rodeado de pessoas. Joyce localizou Ana e a levou
para o carro de seu pai, queria fazer uma surpresa para o
irmo.
_Al! Que emoo amigo, quase que eu chorei! Consegui
segurar as lgrimas.- disse Tiago ao se aproximar de
Alexandre.
_Tiago, para que segurar as lgrimas, deixe que elas rolem...
_Eu? Nem pensar! A ORAD foi uma beno!
_A o qu?
_ORAD? Voc ainda no sabe?
_ORAD? O que  isso?
_Ento, eu vou deixar para a Ana explicar. Pergunte para ela...
_Filho, vamos?
_Claro... quer dizer... eu no vi a ... - Alexandre estava
ansioso para conversar com a Ana, mas no havia se


                                233
                       Tnia Gonzales


encontrado com ela ainda.
_Eu sei, mas ns precisamos ir.
_Tudo bem, vamos ento...
 Assim que Alexandre chegou prximo ao carro viu Joyce e
logo perguntou se ela sabia onde Ana estava.
_Ana? Eu acho que ela j... voc queria falar com ela?-
brincou a irm.
_Joyce... me poupe.
_ melhor o papai ajud-lo a entrar no carro...
_Mas... ns no podemos esperar s mais um pouquinho? -
insistiu Alexandre com esperana que Ana aparecesse ali no
estacionamento.
_Tem certeza que voc quer deixar a Ana mofando no carro?
_Mofando no carro ? Do que voc est falando?
 Joyce abriu a porta do carro e Alexandre deu um enorme
sorriso ao ver Ana escondida no banco traseiro.
_Oi! Surpresaaa! - disse Ana meio sem jeito.
_Oi, bela surpresa... tudo bem com voc?
_Tudo timo!
_Vamos embora, vocs matam a saudade l em casa- disse Dr.
Afonso ajudando Alexandre a entrar no carro.
_Tchau para vocs, eu vou para casa; vocs tm tanto para
conversar que eu no vou levar uma menininha curiosa para
atrapalhar.- explicou Joyce.
_Valeu minha irm, amanh a gente se v.
_ Ana foi o caminho todo acariciando os cabelos de
Alexandre, sem se importar em ter a me dele ao lado
presenciando o momento de carinho. Ao chegarem em casa


                           234
             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


foram logo deixados  ss na sala de estar.
_Ento... aqui estamos... me diga uma coisa, o que  ORAD?
_ORAD? Voc ainda no sabe?
_No sei, me diga.
_Calma... to apressadinho! Bom, l vai: O.R.A.D significa:
Operao Resgatando Alexandre do Desnimo.
_Operao resgatando Alexandre do desnimo!- repetiu
Alexandre surpreso.
_ isso! Foi o Lipe que deu o nome  tudo o que foi
realizado com o objetivo de ajudar voc.
_Que incrvel. Desde ...
_Os presentes: CD, livro, filme, bolachinhas...
_Deliciosas ... foi voc mesma que fez? No sei no...
_Claro que fui eu! As visitas que voc recebeu, o SOS
notebook, outro exemplo da ORAD em ao...
_Vocs so demais... o Carlinhos tambm?
_Com certeza!
_E voc foi at a R.R.D.S... eu fiquei com cimes, sabia? O
Renato ficou te enchendo de elogios.
_Ele  muito simptico...
_ mesmo?
_Mas eu j estou apaixonada.
_Verdade?
_Verdade... eu estou muito apaixonada... mas eu no sei...
acho que no sou correspondida.
_Por que voc pensa assim?
_Ele me mandou embora.
_Ele no sabia o que estava fazendo... vem aqui pertinho de


                                235
                         Tnia Gonzales


mim, eu estou com tanta saudade dos seus...
_Dos meus...
E Por alguns instantes as palavras no foram necessrias.
_Ana, como voc me fez falta! Me perdoe, amor.
_J perdoei.  to bom estar aqui pertinho de voc, senti tanta
falta do seu cheiro...
_Assim eu fico com vergonha... minha linda garota dos
cabelos negros. - disse Alexandre acariciando os cabelos dela.
_Eu amei o CD que voc fez pra mim...
_Eu fiquei surpreso ao perceber que a letra tinha tudo a ver
com ns dois.
_Gracinha.
_Meus lindos... desculpe interromper, eu sei que o amor
alimenta os coraes apaixonados, mas eu preparei um
lanchinho, que tal? - sugeriu Lusa ao entrar na sala.
_timo, meu corao est feliz, mas o meu estmago no est
nada satisfeito. - brincou Alexandre.
_Concordo. - disse Ana.
Durante o lanche Alexandre ficou sabendo que a fisioterapia
j estava marcada para o dia seguinte, mas com uma mudana
no horrio.
_s trs horas da tarde?
_O motivo  simples, porm importante: A Ana vai conosco-
explicou o pai de Alexandre.
_Entendi. Tudo bem, depois de tudo o que eu fiz, no posso
questionar nada.
_Ento, estamos combinados, vocs passam l em casa
amanh. - disse Ana.


                             236
             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


 Ana e Alexandre desfrutaram da companhia um do outro por
mais alguns minutos e depois o dr. Afonso a levou para casa.
Roberto que esteve trabalhando aquele dia, ficou sabendo de
tudo atravs de Lipe. Assim que Ana entrou ele a recebeu com
um forte abrao.
_Pai...
_Minha filha, que beno hoje, hein? Pena ter perdido...
_Foi simplesmente maravilhoso.




                                237
                         Tnia Gonzales




"Os momentos mais felizes da minha vida foram aqueles, poucos,
 que pude passar em minha casa, com a minha famlia. "
                                             Thomas Jefferson

Captulo 19 -Visitas especiais

Alexandre sabia que agora precisaria se esforar bastante
para que a sua recuperao fosse um sucesso. Foi para
fisioterapia com muita confiana. A presena de Ana era um
grande estmulo para ele. O fisioterapeuta que trabalhava 
tarde se chamava Moiss, ele tambm era evanglico.
Alexandre foi logo contando tudo o que havia acontecido, at
sobre sua rpida, porm dolorosa, passagem pelo deserto do
desnimo. Lusa ficou muito feliz ao ver a nova atitude do
filho em relao  fisioterapia. Assim que eles voltaram do
hospital ela teve uma conversa com Ana.
_Ana, vem aqui um pouquinho- chamou Lusa- eu queria
falar com voc, longe do Xande.
_Tudo bem.
_Eu quero muito agradecer, eu sei o quanto voc sofreu por
ele. Eu j agradeci tanto a Deus por ter trazido voc para as
nossas vidas... voc  uma moa muito especial, Ana.
_Que isso, Lusa, assim eu fico toda sem jeito. O seu filho que
 um encanto. Vocs formam uma famlia muito abenoada.
Vocs me receberam sempre to bem, mesmo antes do meu


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                Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


namoro com Alexandre.
Lusa e Ana estavam se abraando quando Afonso entrou e
presenciou a cena.
_Posso abraar tambm? Ana, obrigado por tudo!
_Dr. Afonso! No precisa me agradecer.

Foi uma semana bem especial para todos, Alexandre
participou de todas as sesses de fisioterapia e o mais
importante  que ele estava muito animado; e tambm ajudou
nos preparativos para o DIP35 ; muitos jovens tambm
ajudaram, inclusive Sabrina, que nunca se envolvia com nada,
ficou muito comovida com as histrias de vrios irmos que
eram perseguidos por sua f, Rubens e Isabel, ficaram felizes
com o interesse da filha, quem sabe agora ela iria se
comprometer com o evangelho, ela havia at mencionado que
gostaria de se batizar no prximo batismo, o que era
maravilhoso, pois ela sempre falava que ainda era cedo
demais, que deveria esperar, o que fez a vov Tel ficar
radiante e agradecer muito a Deus, pois das netas s ela ainda
no havia passado pelas guas do batismo.
O domingo chegou e foi um dia especial para lembrar aos
irmos da igreja livre, sobre os que sofriam perseguio em
todo o mundo por causa de sua f em Cristo. Muitos
aproveitaram para se tornarem parceiros da Misso Portas
Abertas36, que trabalha para conscientizar     os cristos da

35 Domingo da igreja perseguida, realizado por vrias igrejas todos os
   anos.
36 www.portasabertas.org.br

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                         Tnia Gonzales


igreja livre a ajudar os cristos perseguidos.
Ana ficou muito feliz quando a prima Carol contou que
Sabrina havia resolvido se batizar, que mudana! Dava para
perceber a diferena, ela estava interessada e participou
ativamente do DIP; Ana chegou a concluso que Sabrina, ao
tomar conhecimento de que pessoas sofriam pela f que ela
nem se importava, percebeu que deveria dar mais valor, o
engraado  que no era a primeira vez que a ICVV
participava deste evento, mas o momento de Sabrina havia
chegado, o momento de um encontro com Deus, pois no
bastava estar ali e participar das atividades,  necessrio se
comprometer realmente,  preciso ter a convico de sua f
em Jesus Cristo, e era justamente o que estava faltando para
sua prima Sabrina. Ana aproveitou para conversar com ela e
dizer o quanto estava feliz, foi um momento muito especial
para as duas, se abraaram e choraram muito.
No incio da semana, Ana contou para Alexandre que a amiga
de Santa F, Ktia, viria passar o feriado de Corpus Christi
em So Paulo, juntamente com Paulo e sua famlia , o tio de
Ana que era pastor. Chegariam quarta-feira  noite.
_Ana, eu sei que voc vai querer aproveitar a presena de sua
amiga depois de todos estes meses distantes uma da outra,
no se preocupe comigo. Voc no precisa me acompanhar 
fisioterapia, quarta voc vai ter um milho de coisas para
resolver...
_No comea, eu vou te acompanhar sim; deixa comigo... e
na quinta eles vo jantar aqui, sua me fez questo de
convidar.


                             240
             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


Quarta- feira Ana acompanhou o namorado  fisioterapia,
como havia dito. Alexandre estava muito animado e j
apresentava progressos. Por volta de nove horas da noite os
tios chegaram de Santa F com os dois filhos: Cludio de 16
anos e Henrique de 18 anos; e tambm a amiga Ktia. Ana
conversou muito com amiga, conseguiram dormir depois das
trs horas da madrugada. No outro dia todos almoaram na
casa do tio Rubens e  noite foram jantar na casa de
Alexandre. Dr. Afonso e Lusa estavam muito felizes por
estarem recebendo uma parte da famlia de Ana. Carol
tambm compareceu ao jantar.
_Ento , voc que  a famosa Ktia? - perguntou Alexandre
ao ser apresentado  amiga da namorada.
_Famosa, eu? No! Mas eu sou a Ktia. Voc sim est bem
famoso l em Santa F...
_Srio?
_Verdade.  que ns pedimos orao por voc aos irmos da
igreja- explicou Ktia.
_Eu agradeo muito por isso. E tambm te agradeo por voc
ser uma amiga to especial para Ana.
_Que isso! Ela  muito especial para mim e eu estou feliz por
ela ter te encontrado.
Depois que todos estavam satisfeitos e elogiado bastante o
jantar preparado por Lusa com a ajuda da filha Joyce,
Alexandre pediu a ateno de todos pois tinha algo especial
para dizer.
_Eu quero aproveitar esta oportunidade em que todos esto
aqui reunidos para fazer um pedido especial ao Sr. Roberto,


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                         Tnia Gonzales


com tudo o que aconteceu comigo eu no conversei com ele
sobre meu namoro com a Ana, eu ia participar de um
delicioso almoo feito pelo chefe e bom, vocs sabem da
histria. Ento eu quero fazer um pedido mais especial ainda,
eu no falei com a Ana, mas... Roberto, eu quero a sua
permisso para ficar noivo da Ana, as alianas esto bem
aqui- dizendo isto Alexandre colocou a mo no bolso do
blazer e mostrou uma delicada caixinha- Eu sei que ainda
faltam alguns meses para voc completar dezoito anos 
continuou Alexandre, agora olhando para Ana que estava
muito surpresa- e que ns estamos namorando h pouco
tempo, mas eu no quero ser s seu namorado, eu quero ser
seu noivo, fique tranquila, isto no significa que vamos casar
daqui a poucos meses, eu sei que voc vai fazer faculdade no
prximo ano. Eu quero que voc seja minha noiva, depois de
tudo o que passamos eu no considero precipitao, mas voc
tem toda a liberdade para recusar e eu vou entender.
_Bom, voc nos surpreendeu- disse Roberto- eu vou deixar a
Ana dar a resposta para voc.
_E-e-e-eu... nossa... que surpresa! Voc me pegou... mas... o
que eu vou dizer para voc? Eu no tenho outra resposta para
dar...  claro que eu aceito! - disse Ana visivelmente
emocionada.
_Ento, eu dou minha permisso, com certeza! - afirmou
Roberto- Ns temos um pastor aqui, se vocs no se
incomodarem...
_-Que isso, Roberto, eu tenho certeza que o Pr. Jair vai
entender, por favor Pr. Paulo- disse Dr. Afonso passando a


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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


palavra ao tio de Ana.
_Que maravilha! Vamos orar por estes jovens que esto
tomando uma importante deciso e aps a orao os pais
estaro colocando as alianas nos filhos.
  Em poucos instantes, Alexandre e Ana estavam com as
alianas devidamente colocadas na mo direita de cada um.
As duas famlias estavam felizes com o acontecimento.
Quando conseguiram ficar a ss Alexandre fez uma pergunta
para Ana.
_Me diga a verdade, se eu tivesse conversado com voc antes,
teria mudado alguma coisa?
_ claro que sim.
_ mesmo?
_Eu no teria ficado to surpresa!
_Verdade? Voc teria concordado?
_ claro! Voc est pensando que eu aceitei para no
envergonhar voc? Ou para no mago-lo?
_Talvez.
_Pois voc est enganado.
_Eu amo voc!
_E eu a voc!
_Posso pedir uma coisa?- perguntou Alexandre.
_Pode,  claro.
_Me d um beijo?
_No... eu ia pedir isso... vou ficar esperando voc me...
Ana no conseguiu terminar, Alexandre j estava atendendo o
pedido dela e o dele ao mesmo tempo.



                                243
                         Tnia Gonzales


Mais tarde, quando j estavam prontas para dormir, Ana e
Ktia ficaram conversando sobre o acontecimento do dia e
mais uma vez conseguiram dormir depois das trs horas da
madrugada. No outro dia, Ana e Carol saram com Ktia,
foram ao shopping. Felipe tambm saiu com os primos. 
tarde, Ana foi com Alexandre  fisioterapia.
O final de semana foi bem divertido, pois havia uma gincana
especial da escola bblica e  noite uma grande festa em
comemorao ao aniversrio da professora Beth. Ana ajudou
ao pai na escolha do presente para Beth. Ela o convenceu 
mandar um lindo buqu de rosas e tambm a comprar um
livro que Ana sabia que a professora estava interessada. Ana
estava gostando do interesse do pai pela professora querida.
_Voc est bancando o cupido para o seu pai, hein?- brincou
Alexandre ao saber dos presentes.
_... eu percebi que os dois esto muito tmidos, ento resolvi
dar uma mozinha.
_Legal! A Beth  uma pessoa maravilhosa e merece ser feliz.
E o seu pai ... eu tenho que falar bem dele, n? Meu sogrinho
querido, gente fina, bonito...
_Gracinha! Voc  to...
_Bonito!  isso que voc queria dizer?
_No! Voc  to... lindo!
_Minha garota dos lindos cabelos negros...
_Meu lindo garoto dos olhos azuis! Posso fazer um pedido?
_Nem precisa me pedir... - disse Alexandre se aproximando de
Ana .
_No! No  isso.


                             244
             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


_Que pena!
_Mas, pensando bem eu fao o pedido depois... pode fazer o
que voc estava pensando.
Depois de se beijarem Ana pediu para Alexandre conversar
com Tiago para saber se ele realmente estava interessado em
Simone.
_Cupido! Minha noiva amada, voc resolveu arrumar a vida
amorosa de todo mundo?
_Algumas pessoas. Se eu puder ajudar... qual o problema?
_Nenhum! Deixa comigo, eu vou fazer ele falar tudo! Mesmo
que seja necessrio usar o polgrafo!
_Exagerado como sempre!

Ktia gostou muito da ICVV, todos foram receptivos com
ela ; a festa de Beth foi muito animada; a aniversariante ficou
muito surpresa ao receber as flores de Roberto logo pela
manh e tambm o livro, este entregue pessoalmente por
Roberto, que estava um pouco envergonhado. Alexandre
conseguiu ter uma conversa com o amigo e descobriu que o
interesse dele por Simone era pra valer; ao saber disto, Ana
resolveu dar uma fora, ela queria muito que Simone fosse
feliz no amor, ento combinou sair com a amiga domingo 
tarde, iriam ao shopping, mas Tiago tambm iria com
Alexandre, sem que Simone soubesse,  claro.
Domingo pela manh, Ana se despediu dos tios, primos e da
amiga Ktia; no conseguiu segurar as lgrimas, como era
difcil se despedir das pessoas queridas.
 Ana e Simone chegaram ao shopping poucos minutos aps as


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                         Tnia Gonzales


duas horas e logo se encontraram com Alexandre e Tiago. O
noivo estava usando uma muleta desde sexta-feira, andava
com bastante dificuldade mas j se sentia aliviado por deixar a
cadeira de rodas.
_O que significa isto? - perguntou Simone assim que os dois
se aproximaram.
_Calma, Si! - pediu Ana.
_No acredito que voc fez isso comigo, Ana! Justo voc?
_Si, espera... o Tiago s quer ter uma oportunidade para
conversar com voc.
_Me desculpa.. mas eu vou embora.
_No v, amiga... por favor.
 Alexandre e Tiago ficaram parados sem reao.
_ D para vocs dois se afastarem um pouco? - pediu Simone
olhando para os dois amigos- Melhor assim, falar com aqueles
dois olhando assustados para ns no d, n? O que voc
estava pensando, Ana?
_Simone, d uma chance para ele, pelo menos converse um
pouco.
_Ana, no acredito que voc aprontou esta comigo!
_Eu quero o seu bem, o Tiago  um cara legal... por favor...
converse um pouco, no custa!
_Ai, eu no sei.
_Tenta.
_"T" bom! Mas eu no quero que ele pense que eu estou
interessada, pois no estou!
_Te amo amiga! Vamos ...
Ana se afastou com Alexandre e deixou Simone e Tiago


                             246
             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


tentando comear uma conversa.
_Voc acha que vai dar certo? - perguntou Alexandre.
_Espero que sim.
_Coitado do Tiago, est to perdido... no sabe o que dizer pra
ela.
_Espero que ele consiga.
Quase duas horas depois, Simone mandou um torpedo para
Ana dizendo para se encontrarem no estacionamento do
shopping. Ana estava curiosa para saber se haviam obtido
algum progresso.
_Tudo bem? - perguntou Ana assim que os viu.
_Tudo, est na hora de irmos, n? - disse Simone e Ana
percebeu que a amiga estava de bom humor, o que era um
timo sinal.
Ana no conseguiu saber detalhes, pois os dois permaneceram
calados o caminho todo, o silncio s era quebrado por ela e
Alexandre. Mas aps o culto ela ficou sabendo que Simone e
Tiago haviam marcado um encontro para quarta-feira. Simone
at disse que ele era simptico e Ana ficou muito feliz com o
resultado.




                                247
                         Tnia Gonzales




 "O futuro... algo que todos alcanam a uma taxa de 60 minutos
por hora faa o que fizer, seja quem for." C.S.Lewis

Eplogo

Alexandre estava se recuperando bem j conseguia andar sem
a ajuda da muleta, ainda estava mancando um pouco, mas ele
se sentia feliz com o resultado alcanado at aquele momento;
estava estudando e trabalhando normalmente h algum tempo.
A Ana ento, era s animao, pois alm do progresso no
tratamento do noivo, Simone e Tiago estavam namorando e
para completar, seu pai e Beth saam juntos sempre que
tinham uma oportunidade. Beth resolveu conversar com
Ana, queria muito saber o que ela pensava sobre o
relacionamento dela com Roberto. Ento ela resolveu fazer
uma visita  casa de Ana sbado  tarde, antes de uma festa
que teriam na ICVV em comemorao pela sada do centro de
recuperao de quatro jovens, incluindo Carlinhos.
_Ana, eu gostaria muito que voc fosse bem sincera comigo,
o qu voc acha de seu pai e eu... bem... ... - Beth estava
tentando, mas era bem difcil comear este tipo de conversa.
_Beth, fique tranquila, eu estou adorando a ideia, pena o meu
pai ser to devagar neste assunto, mas eu no fao a mnima
objeo, eu sei que a minha me sempre quis a felicidade dele
e voc  uma pessoa maravilhosa e ele tambm  um homem


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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


muito especial e no  s porque ele  o meu pai, no, viu?
_Ana, que bom que voc pensa assim, eu estava to
preocupada! E o Lipe?
_O Lipe tem a mesma opinio, pode parar de se preocupar,
voc  muito querida por ns, eu no vejo algum que possa
ser melhor para o meu pai.
_Obrigada, querida! E parabns por voc ser uma amiga to
maravilhosa para Simone, eu estou sabendo sobre ela e o
Tiago, que bom, Ana, a Simone estava mesmo precisando
encontrar um prncipe, que ela mesma achava que no existia.
Ela est to feliz!
_Ela encontrou. Edward Cullen no existe, mas sempre h
algum prncipe por a esperando por sua princesa...
_Tem razo! Quem foi que disse que prncipes no existem?
Voc tambm encontrou o seu.
_E voc tambm, Beth, voc tambm... pode acreditar!
As duas ainda aproveitaram para conversar mais um pouco,
at que Alexandre chegou e todos foram para a ICVV
participar da festa.
_E a, meu amigo! Me d um abrao.- disse Alexandre assim
que Carlinhos se aproximou.
_Al, meu grande amigo! Eu estou to feliz, agora  seguir
em frente... retomar os estudos, trabalhar... e  claro, ajudar
outros jovens a se libertar o vcio das drogas, eu j combinei
com o Pr. Lus, vou ser voluntrio no centro de recuperao
todos os sbados.
_Que tima notcia!
_E tambm estou feliz por voc estar to bem. Deus  fiel!


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                        Tnia Gonzales


Preparou a garota certa pra voc, como ela te ajudou, n
amigo?
_Com certeza! Ela  muito especial e falando nela...- disse
Alexandre ao ver Ana se aproximar.
_Esto falando de mim? - perguntou Ana.
_ claro que sim, eu vou falar de quem? S posso falar sobre
a mais linda garota desta festa, a minha garota dos lindos
cabelos negros.
_Depois desta declarao, eu vou deixar os dois apaixonados
 ss- disse Carlinhos afastando-se.
_Este Carlinhos!  verdade mesmo que eu sou a mais linda
desta festa?
_Voc ainda tem alguma dvida? Minha noiva linda... se aqui
no estivesse to cheio, eu...
_Voc...
_Voc sabe muito bem o que eu queria dizer.
_Ns podemos dar um jeito de sair bem discretamente, o que
voc acha?
_O que eu acho? J estou saindo, bem discretamente.
 Alexandre e Ana foram at o estacionamento da igreja e
entraram no carro.
_Ser que algum vai notar a nossa ausncia? - perguntou
Ana.
_Acho que no. Ana, Ana... voc aqui, dentro de um carro
com seu noivo em um estacionamento...
_Para com isso.
_ brincadeira, meu amor! Ana... estou feliz por ns dois.
_Eu tambm. Aconteceram tantas coisas que nem parece que


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             Edward Cullen no existe! Prncipes existem!


ainda no passou um ano que eu estou aqui em So Paulo. Eu
estou feliz tambm pelo Tiago e a Simone e  claro pelo meu
pai e a Beth, acho que logo, logo ele toma coragem e a pedi
em namoro.
_Uau! O Tiago est todo animado com a namorada, o Pr. Jair
e a Lgia ficaram felizes pela escolha dele. Quanto  Beth, ela
merece ser feliz e seu pai  um cara bem legal; diz isso pra
ele, assim eu ganho uns pontinhos com o meu futuro sogro.
_Voc no tem jeito mesmo, n? Eu j disse isso, mas vou
repetir, eu amo o seu senso de humor.
_E eu amo voc... e em breve, muito em breve... tanran,
tanran... tanran, tanran...
_Que tanran  este? Calma... s porque voc est terminando
a faculdade? Eu vou comear a minha no prximo ano;
gastronomia...me aguarde!
_Eu sei... mas de repente ns no vamos precisar esperar at
que voc termine a faculdade, ns podemos...
_Tenha pacincia! O amor  paciente, lembra?
_Eu j estou perdendo a pacincia esperando que voc me d
um be...
Alexandre no conseguiu terminar, Ana j estava atendendo
ao pedido de seu impaciente, porm, irresistvel noivo.

Em uma bela manh de domingo, a professora Beth iniciou
mais uma de suas aulas e o assunto era:
" Encontrar algum especial e ser especial para algum ".
_Meninas, existe uma msica, eu no sei se vocs conhecem,
que diz assim: " Jogue tuas mos para o cu e agradea se


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                           Tnia Gonzales


acaso tiver algum que voc gostaria que estivesse sempre
com voc..."37 Todas vocs gostariam de encontrar algum
especial, no  mesmo? Algumas aqui j encontraram, outras
ainda esto procurando, o certo  que todas ns gostaramos
de ter aquela pessoa especial ao nosso lado. Algum que voc
gostaria que estivesse sempre com voc...
Por algumas aulas ns conversamos sobre o protagonista do
livro " Crepsculo ", Edward Cullen, que  encantador, lindo,
protetor, irresistvel, apaixonado, enfim, o homem perfeito.
Pois bem, ns sabemos que ele no existe, mas aprendemos
que pode existir um Edward para cada uma de ns, pois no
desejamos algum que seja perfeito, mas sim algum que
goste de estar ao nosso lado, que nos considere a pessoa mais
linda do mundo, que todos os dias se preocupe em ser
especial, e ns tambm devemos nos preocupar com isso: em
ser especial para algum. Pois o importante no  s receber, 
se doar tambm. Quando se est com a pessoa amada coisas
simples tornam-se especiais s porque aquela pessoa est ali
pertinho de voc...
Ento, eu cheguei a seguinte concluso: encontrar algum
que voc gostaria que estivesse sempre com voc  encontrar,
Edward.  isso mesmo, acreditem: prncipes existem!


                               FIM



37 Na Rua, Na Chuva, Na Fazenda (casinha de Sap) compositor:Hyldon

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Edward Cullen no existe! Prncipes existem!




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